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Aguinaldo Diniz Filho*

Morte de Aloysio de Faria encerra tempos em que a confiança era a principal garantia dos negócios 

Minas Gerais e o Brasil perderam, na segunda feira, aquele que foi um dos principais esteios da reputação de Minas Gerais, sustentada durante  muitas décadas, a de ser a “terra dos bancos”: Aloysio de Andrade Faria, que por muitos anos, sucedendo ao pai, Clemente de Faria, fundador em 1925 do Banco da Lavoura de Minas Gerais, justificou e manteve, à frente da instituição, esta vocação que por anos e anos foi uma das principais marcas de nosso Estado. A Associação Comercial e Empresarial de Minas, assim como seus dirigentes, lamenta profundamente esta perda, tendo, diante dela, se colocado em luto oficial.

Morto aos 99 anos, Aloysio Faria foi o artífice de um processo de expansão que, no início da década de 1970, alavancou a atuação da instituição para um nível nacional, já então com a denominação de Banco Real do Brasil, depois simplesmente Banco Real – que a colocou entre os maiores conglomerados financeiros do País. Mas não ficou por aí.

Criou o Banco Alfa (atual Conglomerado Alfa), após a venda do Real, e estendeu sua atuação para diversos outros setores ao criar empresas como a  rede de hotéis Transamérica, emissoras de rádio, a fabricante de água mineral Águas da Prata, a gigante de material de construção C&C e a produtora de óleo de palma Agropalma, entre outros vários outros negócios de incontestável sucesso.

Um fato curioso em sua trajetória é o de que ser banqueiro não fazia parte de seus planos iniciais. Pretendia exercer a medicina, profissão em que efetivamente se formou, pela Universidade Federal de Minas Gerais, e chegou a se especializar em gastroenterologia pela Universidade Northwestern, de Chicago, nos Estados Unidos.

O espírito empreendedor, no entanto, falou mais forte – e, aliás, foi o que propiciou não somente a sua destacada atuação empresarial, mas também, sempre com sua proverbial discrição, a consecução de iniciativas de caráter beneficente.

Aloysio Faria apoiou inúmeras organizações, como a Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte, instituição de enorme importância social,  fez doações relevantes a outros hospitais (como o das Clínicas, da Universidade Federal de Minas Gerais) e a instituições como o Centro do Idoso e Saúde da Mulher, em Belo Horizonte, cuja construção foi viabilizada, em grande parte, por meio de recursos por ele alocados. Referência igualmente notável foi o papel fundamental que exerceu – tanto financeira quanto institucionalmente – na criação do Campus da Fundação Dom Cabral, uma referência mundialmente reconhecida por sua excelência.

Com sua perda, encerra-se um longo ciclo, no qual o fechamento de negócios, o crédito, a crença e a solidariedade se manifestavam por meio da confiança e do caráter, maior demonstração de apreço e de uma fé recíproca e inabalável. Bons tempos, sem dúvida, dos quais Aloysio de Andrade Faria foi um grande expoente. Fará muita falta.

*Presidente da Associação Comercial e Empresarial de Minas. presidencia@acminas.com.br