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Sebastião Alvino Colomarte*

No pós-pandemia haverá uma certeza: nada será como antes. Em todos os setores ocorrerão mudanças e transformações e acredito que seja para melhor. Na educação não será diferente uma vez que novos métodos, critérios e maneiras de ensinar estão surgindo. A escola que relutar contra a tecnologia não terá sucesso.

Nesse sentido, as maiores dificuldades ocorrerão no ensino público, já que existe um expressivo passivo social na educação brasileira. A discrepância de oportunidade entre as classes sociais é o grande desafio a ser vencido. Algumas escolas públicas não oferecem sequer de instalações sanitárias decentes para seus alunos, quanto mais salas de informática. Além disso, muitas famílias não dispõem de smartphones e internet de qualidade para que seus filhos tenham acesso a aulas remotas.

A internet hoje aproxima a sala de aula tradicional e faz parte de um movimento que não tem volta. Como educador, acredito que o melhor modelo para o ensino no pós-pandemia para as últimas séries do ensino básico, ensino médio/técnico e superior seja o híbrido. Considero de fundamental importância as aulas presenciais nos primeiros anos da educação infantil e ensino básico, por várias razões, como a socialização, a facilidade maior para a alfabetização e a criação de laços fraternos e de amizade entre professores e alunos. Quem não se lembra de sua primeira professora? Essa é uma lembrança da escola que carregamos para o resto de nossas vidas.

Em conversa com alguns de nossos estagiários, esses declararam que no ensino remoto há uma vantagem: é que eles podem voltar e revisar a mesma aula gravada várias vezes, assimilando melhor o conteúdo da mesma. Há ainda o ganho extra de recorrer aos professores para dirimir suas dúvidas. Não há essa possibilidade no ensino presencial.

Para utilizar os recursos disponíveis da tecnologia o professor, muitas vezes, tem que se transformar em um verdadeiro artista, utilizando a música e as artes cênicas para motivar os seus alunos. No sistema tradicional de ensino, alguns profissionais da educação ficam “pulando de galho em galho” em várias escolas para complementar a renda, daí a necessidade de se prepararem e se reinventarem.

Novidades neste ano ocorreram, e vêm ocorrendo, como um professor de português e redação de Curitiba (PR), que chegou a lecionar em até sete instituições de ensino. Neste ano atípico, ele se reinventou e passou a utilizar todas as ferramentas tecnológicas em mãos para transmitir suas aulas, reduzindo sua peregrinação pelas escolas.

Neste momento de transformações, considero que um modelo ideal para o ensino no Brasil é o híbrido. Quiçá no futuro possamos ter somente o ensino remoto. Mas devemos ter sempre em mente de que não podemos esquecer que o estudante precisa praticar o que aprende na teoria e, nesse sentido, a atividade de estágio é de fundamental importância.

É claro que a fusão e a implantação dos dois sistemas de ensino – presencial e remoto, exige muito planejamento e preparação de todos os envolvidos. O Centro de Integração Empesa-Escola de Minas Gerais (CIEE/MG), que atua em nosso Estado há mais de 40 anos no encaminhamento de estudantes para oportunidades de estágios, e nos últimos anos também para a aprendizagem, acompanha atentamente essas mudanças e está preparado para atender alunos, escolas e empresas.

*Professor e diretor-presidente do Centro de Integração Empresa-Escola de Minas Gerais (CIEE/MG) cieemg@cieemg.org.br