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Opinião

Ócio criativo: importante para a produtividade saudável

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Foto: Fabio Alves / Agencia i7

Estes tempos festivos de fim de ano permitem que muitos de nós (não todos!) façamos uma pausa de nossas atividades profissionais e, porque não dizer, nos demais compromissos sociais de nossas vidas. Embora seja óbvio e comprovado cientificamente a eficácia, o descanso, o prazer e o lazer, nem sempre é bem-visto em nossa sociedade. Especialmente no mundo corporativo. Penso que quando conseguimos dar essa pausa quase obrigatória de Natal e Ano Novo devemos esforçar para olhar com cuidado como temos tratado nosso cotidiano. Parece contraditório. Porém, nossa produtividade e criatividade estão intimamente relacionadas à nossa capacidade de liberar tempo em umas nossas vidas apressadas e muitas vezes estressante.

Por que “espaço para respirar” que envolve com tempo para lazer com a família ou amigos e/ou até mesmo o puro ócio é tão relevante? Peço uma pausa para confissão. Sou da época do valor pela produtividade em quantidade, além da qualidade. Sendo mulher, isso é ainda mais duro. Estando eu em um cargo onde há um encontro das minhas paixões – educação, negócios e conhecimento disruptivo – que são os preceitos da minha rotina como reitora da SKEMA Business School, fica ainda mais difícil lidar com o autocontrole frente ao trabalho. Exatamente por saber de tudo isso, uso esse período de férias acadêmicas para refletir.

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Acredito que precisamos repensar de nossas vidas para melhor compartilhar nosso tempo de trabalho, família, amigos e lazer. Para muitos de nós, nosso equilíbrio de vida está em jogo, incluindo nossa saúde a mais ou menos longo prazo. O esgotamento pode sempre ocorrer em uma vida hiperconectada, onde as fronteiras entre o mundo do trabalho e o de nossas vidas pessoais são porosas. Além disso, a crise sanitária que vivemos atualmente nos fez realmente descobrir as vantagens e os riscos do teletrabalho que confunde esses dois mundos. 

Esta questão da percepção e gestão do tempo é crucial em nosso pensamento. A batalha a ser travada pode parecer perdida de antemão, pois na maioria das vezes priorizamos nossas responsabilidades profissionais em relação a outros compromissos, sejam eles familiares ou não. À primeira vista, há um conflito!

Mas, após reflexão, sugiro que identifiquemos os pontos de convergência entre o tempo pessoal dedicado às atividades de lazer e o tempo dedicado ao trabalho! É sem dúvida nos benefícios individuais e/ou coletivos do lazer que temos uma chance de reconciliar os antagonismos!  

Enquanto estamos trabalhando, vivemos em um tempo imediato e apressado e muitas vezes em uma projeção do futuro próximo, uma atividade de lazer nos compromete a viver plenamente o presente sem urgência. É um espaço-tempo que pode ser solitário ou compartilhado, mas em todos os casos é desejado. Esta é nossa liberdade.

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Qual pode ser o lazer desejado? São tantos! De passeios a esportes, arte, leitura ou reuniões sociais, amigáveis ou familiares, a gama é ampla. Serão todas elas fontes de revitalização? De criatividade? De catarse do “mau” estresse que nos impede de respirar normalmente? Podemos pensar assim, desde que sejam de livre vontade da pessoa e, acima de tudo, sejam uma fonte de prazer e relaxamento.

Na Holanda, Niksen é uma prática que se desenvolveu e convida as pessoas a aprender a “não fazer nada” em momentos escolhidos e oportunos, sem qualquer culpa. Esta abordagem valoriza os benefícios deste treinamento sobre a criatividade nos negócios e sobre o estado mental dos seguidores. Como sabemos, fazer uma pausa de nossas atividades habituais não significa que nosso cérebro não esteja funcionando. Nós apenas lhe damos tempo para analisar sem receber novas informações continuamente. Às vezes é surpreendente ver como encontramos soluções para uma questão complicada no final do fim de semana sem ter trabalhado nela com precisão. Ainda viajando sobre o mesmo tema dos tempos de liberdade, na Escócia, a arte de viver para se confortar pode passar pela prática do “coorie” que se baseia no descanso, no convívio e no conforto entre amigos em lugares próximos à natureza. Nossos amigos do Quebec criaram espaços de criatividade urbana que reúnem alguns desses componentes, incluindo questões de convivência e lazer.

Mais perto de casa, o Brasil oferece grandes oportunidades de revitalização, com a qualidade das relações humanas, com sua natureza poderosa que permite a realização de encontros esportivos ou familiares em uma casa no campo. É claro que cada um tem sua própria “receita” de rejuvenescimento, mas todos eles exigem a capacidade de sair do hábito.  

Cada um deve encontrar seu prazer e para começar a colar em prática sugiro alguns exercícios para ajudar no processo:

– Despir-se da culpa de não estar produzindo ou respondendo por alguma responsabilidade objetiva

– Afastar-se do celular e outros meios eletrônicos por algum tempo diariamente

– Escutar-se (ao próprio corpo e a própria mente) 

– Colocar-se sempre que possível frente a algo desconhecido

A intenção destes momentos privilegiados é ir ao encontro de si mesmo, deixando seus hábitos diários e estando pronto para enfrentar o desconhecido do vagar do espírito, até mesmo para tentar uma forma de meditação, para entrar em discussões entre amigos sobre vários assuntos, para enfrentar-se em desafios esportivos ou em outras práticas artísticas, artesanato ou outros campos.  Trata-se de se concentrar em suas ações no presente. Esta concentração lhe permitirá observar sua maneira de pensar, de se expressar e sua maneira de agir.  Vivendo tais situações, você aceitará questionar-se com humildade para aprender.

 A criatividade humana é frequentemente identificada através da capacidade de quebrar o hábito, de enfrentar o desconhecido, de explorar áreas desconhecidas e de aceitar erros e críticas em testes. Com isso, nossa capacidade de sair de nossas atividades diárias nos levará a momentos de pausa de nosso estresse profissional a ser substituído por um estresse aceito para consolidar nossa identidade, para encontrar nossa energia criativa.   

Tais ações e conceitos não já são usados por grandes executivos que reservam tempo livre em suas agendas como tempo não negociável porque sabem que esta será sua força para administrar melhor as situações complexas que se seguirão. É evidente que estamos tocando em uma pequena revolução gerencial quando imaginamos conceder a todos os funcionários de uma empresa tempo para relaxar, como algumas empresas de alta tecnologia fazem quando confiam na criatividade de seus funcionários. Os limites destes modelos são que o tempo livre não pode ser decretado, é um espaço de liberdade que é escolhido. Os modelos ainda precisam evoluir. Porém, sempre dependerão daquilo que funciona individualmente. Nossa tarefa é testar e estar sempre atualizando o que nos faz bem e mantém nossa produtividade saudável e consciente.

* Sobre o autor: Reitora da Faculdade SKEMA, doutora em Ciências da Gestão pela Universidade de Caen Basse Normandie
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