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Os fura-filas e a ética

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Crédito: REUTERS/Gonzalo Fuentes
Crédito: REUTERS/Gonzalo Fuentes

Depois da pandemia viveremos um novo normal. Esta é a ideia mais disseminada após a eclosão da Covid-19, que já infectou mais de 9,5 milhões de brasileiros e causou a morte de mais de 230 mil. De fato, novas realidades já vigoram em nosso cotidiano e, tudo indica, vieram para ficar.

O uso da máscara, o distanciamento social, os cuidados com a higiene, a interação entre as pessoas por meio das plataformas virtuais, a escola e o trabalho no modo híbrido, presencial e a distância, compras pela internet. Em praticamente tudo, a tecnologia altera e ajuda a nossa vida.

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No começo, em resposta aos impactos surpreendentes e severos da pandemia, assistimos à multiplicação de atitudes edificantes em diversos setores da sociedade brasileira. Cada um doando o que podia, contribuindo dentro de suas possibilidades, todos se uniram para enfrentar a doença e socorrer especialmente os que mais precisam. Foi o que se viu, por exemplo, no mundo corporativo, por meio das empresas e de suas entidades de classe, bem como em associações representativas dos diversos segmentos da sociedade. Foi gratificante ver surgir verdadeiros mutirões de solidariedade, nascidos espontaneamente em todo o País.

Felizmente, estas manifestações de generosidade continuam a ocorrer, como vimos recentemente em Manaus, em evidente demonstração de maturidade e sensibilidade do povo brasileiro. No entanto, se queremos que a realidade pós-pandemia seja não só diferente, mas também melhor e que condições para o verdadeiro desenvolvimento econômico e social sejam criadas, impõe-se mudança profunda na forma de pensar e agir da nossa sociedade. Temos que reduzir, se possível erradicar, práticas usuais ainda arraigadas em vários setores da vida nacional: falta de ética e de decoro, esperteza, corrupção, individualismo e egoísmo.

Os maus exemplos são muitos e proliferam, chegando, em grande número de casos, a se configurar até como crimes hediondos. Os mais recentes e emblemáticos são os episódios dos “fura-filas” das vacinas. Ainda bem que esta atitude deletéria recebeu, da sociedade, intenso e imediato repúdio. E isso é exatamente o que deve ocorrer também, com igual veemência, em todos os momentos do nosso dia a dia. Refiro-me ao famoso jeitinho brasileiro, por meio do qual espertos querem sempre levar vantagem em tudo. Definitivamente, não há mais espaço para a tolerância com a corrupção, achaques, subornos, desapreço às leis, omissão ou cumplicidade diante de produtos piratas, cola na escola, estacionar em locais proibidos e diversas outras transgressões, aparentemente menores, mas de efeitos danosos para o País.

A sociedade brasileira tem dado seguidos sinais, inclusive pelo voto, de que não aceita e nem compactua com este tipo de comportamento. No entanto, precisamos consolidar, de maneira permanente, a cultura fundamentada em valores como a ética, respeito e amor ao próximo. Uma sociedade que seja marcada pela cidadania e pelo civismo, onde vigore a justiça, a verdade, a educação e oportunidade para todos – uma sociedade mais fraterna, equânime, harmônica e, sobretudo, mais feliz.

Neste cenário, a ética é e será sempre fundamental para o bem individual e para o bem comum, o bem coletivo. Nosso dever é propagá-la por palavras, exemplos, atitudes e ações objetivas e concretas. Somos todos responsáveis – políticos, empresários, líderes e cidadãos. Cada um fazendo sua parte. Políticos e homens públicos cumprindo o papel que lhes foi confiado pelos seus representados, atuando com o espírito de servir à sociedade e não o de dela servir-se. Empresários e empreendedores entregando produtos e serviços bons e úteis para a sociedade, respeitando o meio ambiente, gerando riqueza para o País e trabalho de qualidade para as pessoas. Cidadãos cumprindo as leis, com espírito de civilidade e de coletividade. A compreensão de que somos interdependentes, de que é preciso cuidar e apoiar as pessoas, são fundamentos indispensáveis para o salto social significativo que tanto almejamos e precisamos.

Em essência, a construção de um país é uma obra coletiva, que começa com o propósito individual de querer mudar e evoluir, mas que também exige e depende da cooperação de todos. Perdemos muito tempo e ficamos para trás. O Brasil e os brasileiros precisam avançar, com ética e coragem, rumo ao novo normal. Vacinados e livres do novo e dos velhos vírus que nos assombram.

*Presidente da ADCE – Associação de Dirigentes Cristãos de Empresas do Brasil ([email protected])
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