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André Frota* 

O trajeto do coronavírus (Covid-19) é ilustrativo da vulnerabilidade ambiental que se encontra a população mundial. Caso as teses sobre a origem do vírus sejam comprovadas, encontramos um rastro predatório e ilegal, que envolve redes de tráfico de animais silvestres e espécies ameaçadas de extinção.

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A trajetória ecológica do vírus revela essa cadeia e tem início nas populações de morcegos como seu hospedeiro original. As pesquisas recentes mostram, no entanto, que o Manis pentadactyla ou “pangolim”, uma espécie de tatu, como o hospedeiro intermediário do vírus, o qual é consumido de forma ilegal por certos estratos da população asiática.

É a partir daí que o vírus segue para o sistema digestivo e depois respiratório do homo sapiens sapiens. A cadeia ecológica do vírus, portanto, inicia em animais silvestres restritos a ambientes específicos da Ásia e termina se reproduzindo e se disseminando em escala global.

O que é notório no caso do Covid-19, não é apenas a evolução dessa pandemia, mas a forma como a caixa de pandora foi aberta. O Manis pentadactyla é um dos animais silvestres mais comercializados de forma ilegal no continente asiático. Uma espécie em extinção que, por ventura, tornou-se hospedeiro intermediário do vírus, após, à procura de pequenos insetos, ingerir ocasionalmente as fezes de uma população de morcegos, que detinha o Covid-19 de forma estacionada em sua população e habitat.

No entanto, é sobretudo pela existência do tráfico ilegal desse animal silvestre nos mercados clandestinos, situados na cidade chinesa de Wuhan, que o vírus encontrou o hospedeiro mais apropriado para sua reprodução e disseminação, o homo sapiens sapiens.

A trajetória do vírus revela: i) a relação desequilibrada e disfuncional dos assentamentos humanos com o ambiente natural; ii) a demanda pelo consumo de animais silvestres; iii) e a inerente incapacidade de contenção dos impactos de uma endemia, em qualquer uma das metrópoles urbanas globais.

A existência de organismos como o Covid-19, ou mesmo de outros tipos de vírus da família dos coronavírus, como é o caso do Sars-cov de 2002, tem o morcego como hospedeiro original. Ambos vírus e suas respectivas epidemias derivadas, 2002 e 2020, revelam o potencial de disseminação de doenças contidas em animais silvestres. E, justamente, são ecossistemas naturais que mantêm esses animais reservados aos seus ambientes originais.

A partir do momento em que esses animais são extraídos dos seus habitats e inseridos no ciclo alimentar humano de forma ilegal e sem qualquer controle fitossanitário, uma cadeia causal de doença, contágio e pânico se estabelece nos sistemas sociais.

Em segundo lugar, a demanda pelo consumo de animais silvestres, em geral, proibidos pelas legislações ambientais nacionais, indica como certos estratos da população ainda mantêm hábitos de consumo predatórios com o tempo presente, além de representar uma ameaça para toda população humana. Foi o tráfico ilegal do pangolim que abriu a caixa de pandora do Covid-19. E esse só existe pela demanda pelo consumo de animais silvestres.

Em terceiro lugar, a incapacidade de contenção de endemias globais dos governos nacionais, sejam quais forem. Seria injusto atribuir a responsabilidade desse combate à Organização Mundial da Saúde, um órgão de coordenação de políticas de saúde e não de combate ao tráfico internacional de animais silvestres.

Em vias de síntese, as pandemias têm menos relação de causalidade com as políticas de saúde e mais com a política ambiental global. E essa retoma a crise sistêmica pela qual passa a população mundial no século XXI, uma crise entre o homem e sua relação com o ambiente natural.

*Membro do Observatório de Conjuntura e professor do curso de Relações Internacionais do Centro Universitário Internacional Uninter

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