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RODRIGO MITRE*

A arte é reconhecida como um investimento e, não apenas, como um ícone venerado somente em exposições. Encanta, seduz e acolhe admiradores. mas as peças são mais que “obras de gênio”, tornando-se bens de consumo. Conforme relatório da Artprice, referência no levantamento de dados sobre arte contemporânea, o faturamento do mercado atual é o dobro de dez anos atrás.

As obras de arte, em geral, são escolhidas pela afinidade despertada no comprador, uma vez que o momento de aquisição envolve emoção e admiração sobre a linha criativa de cada artista. Contudo, o comprador não pode deixar de olhar como investidor para sua aquisição. As obras têm cotação e são consideradas um investimento para as próximas gerações, além de também serem reconhecidas por apresentarem longevidade.

O mercado apresenta muitas formas de arte.  A contemporânea vai além de uma obra na parede, dialogando com o tempo atual. As grandes coleções são feitas de afinidades, oportunismo e atualidade. Uma coleção para ser importante e ter valor deve a contar uma história. Não precisa estar ligada ao belo, mas com as possibilidades de reflexão propostas.

No relatório da Artprice, referente ao período de julho de 2018 a junho de 2019, 284 leilões de valores milionários ocorreram e 15% do mercado global é sobre as “fine arts” – pinturas, esculturas, instalações etc de artistas contemporâneos, ou seja, nascidos após 1945. Foi registrado também um recorde no número de peças de arte contemporânea vendidas – mais de 71 mil peças, cerca de 195 por dia.

Nunca é tarde ou cedo demais para se investir em arte. Os interessados devem, assim como em qualquer outro ambiente desconhecido, estudar, pesquisar e procurar profissionais experientes para auxiliar nas escolhas. É difícil saber quais artistas serão mais valorizados. É importante conhecê-los, observar peculiaridades indicativas de ascensão no mercado, como a relação entre a idade do artista e o percurso desenvolvido, a quantidade de exposições, a publicação de catálogos e livros, os prêmios recebidos. Estudar é necessário, mas não é garantia dos resultados esperados frente a valorização das obras.

A mobilidade das obras proporciona um desfruto vitalício, pois pode ser conduzida para onde o proprietário for, enquanto é valorizada. A arte está aí e cada vez mais é parte da vida de qualquer pessoa. A obra é uma conexão com o público e desperta interesse, podendo ser um investimento para quem a ama. O apreciador deve ter claro que investir em arte é investir em um patrimônio que passará por gerações.

*Sócio-diretor da Galeria Periscópio de Arte Contemporânea, formado em Gestão Cultural pela Fundação Clóvis Salgado, Administração com Habilitação em Comex e com MBA em Gestão Empresarial; e experiência de 20 anos no mercado de arte.