Ailton Cirilo*

Na maioria dos países, uma pessoa de bem tem a mesma chance de ser eleita que uma pessoa de mau caráter. Essa igualdade de chances só é possível graças a um sistema político criado na Grécia Antiga: a democracia. Onde ela não existe ou foi deliberadamente negada, prevalecem governos tiranos, ditadores e déspotas. A democracia surgiu, portanto, para regular a sociedade, garantir o equilíbrio e permitir avanços, mesmo que paulatinamente.

No Brasil, a jovem democracia ensaiou os primeiros passos no período de Getúlio Vargas, mas começou a caminhar, de fato, após a promulgação da Constituição Federal de 1988. Nas últimas décadas, estamos vendo um afastamento do povo brasileiro das urnas, incrédulo com a disparidade entre as suas expectativas e o que realmente recebe de seus agentes públicos. É compreensível o descrédito da nação com a classe política brasileira, mas abster-se de escolher os representantes vai favorecer quem: os bons ou os maus políticos?

Uma vez, Margaret Thatcher (1925-2013), primeira-ministra britânica, afirmou que “a democracia não é um sistema feito para garantir que os melhores sejam sempre eleitos, mas sim para impedir que os ruins fiquem para sempre”. No mundo todo, foi a inspiração democrática que acabou com injustiças históricas e garantiu, por exemplo, que as mulheres exercessem o direito ao voto. Foi a democracia que permitiu que o voto passasse a ser secreto e universal. Muitos perderam a vida na luta pela democracia, com convicção de que ela é a maior e melhor manifestação conhecida para exprimir o sonho do poder equilibrado. E isso é possível a partir do voto individual que, somado ao de outros cidadãos, chaga-se ao sufrágio universal.

Por tudo isso, o voto de protesto não é reconhecido como um voto inteligente, pois ele não anula uma eleição, mesmo que ela obtenha maioria de votos em branco ou nulos. O voto de protesto é inócuo diante da força da democracia. A sabedoria política está no exercício da moderação, pelo diálogo, pela participação popular, pela busca do caminho do meio, entre as extremidades, preservando as regras, os deveres e os direitos, sem ajuizamentos parciais e unilaterais.

Portanto, a democracia é essencial para a humanidade, porque o voto continua sendo fundamental para promover as transformações e os avanços que a civilização almeja. Quem opta por não votar está fechando os olhos, a boca e os ouvidos, acolhendo a escolha que fizerem para ele. Quem opta por não votar está negando a si mesmo a chance de evoluir.

*Presidente da Associação dos Oficiais da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais (AOPMBM) capcirilo@yahoo.com.br