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Por que tanta incerteza na economia?

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Prédio do Ministério da Economia | Crédito: REUTERS/Adriano Machado
Prédio do Ministério da Economia | Crédito: REUTERS/Adriano Machado

A incerteza desempenha um papel fundamental na economia, afetando decisões de consumo, emprego e investimento de consumidores e empresas. De fato, os economistas vêm destacando os potenciais efeitos adversos da incerteza há décadas. Segundo alguns autores, quando aumenta o grau de incerteza na economia, o nível de atividade – mensurado a partir de medidas como o Produto Interno Bruto (PIB) ou o índice de produção industrial, por exemplo – pode vir a contrair de maneira significativa.

Como isto ocorre? Em um cenário de alta incerteza, as famílias da economia passam a comprar menos bens e serviços, uma vez que acreditam que pode ser melhor guardar um pouco de dinheiro para o caso de algum imprevisto, como despesas adicionais com saúde ou alimentação, por exemplo. Por outro lado, as empresas da economia começam a ficar receosas de investir, ou seja, de construir novas edificações, comprar mais máquinas ou aumentar suas frotas de veículos, por exemplo.

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Assim, com o aumento da incerteza, várias empresas acabam optando por postergar importantes decisões de investimento, o que aumenta a diferença entre a capacidade máxima de produção das empresas da economia e sua produção efetiva (também conhecida como “capacidade ociosa”). Em meio a esse contexto, ganha destaque um tipo especial de capacidade ociosa, no qual um determinado número de trabalhadores não consegue encontrar vagas de emprego na economia (o chamado “desemprego involuntário”).

Quais são os impactos econômicos da incerteza gerada pelo coronavírus? Neste caso, o cenário atual fornece um exemplo concreto dos impactos da incerteza sobre a economia. Uma vez que a pandemia da  Covid-19 corresponde a um evento inédito, ela pode ser vista como um “choque de incerteza” em nível agregado, com claros efeitos adversos em termos econômicos. Ao longo dos próximos parágrafos, vou tentar descrever de maneira resumida a maneira pela qual a pandemia aumentou a incerteza vigente na economia brasileira no período recente.

Em um primeiro momento, o surgimento da pandemia aumentou consideravelmente a incerteza entre as pessoas na sociedade, dado o fato de ser um evento sem precedentes. Especificamente, a velocidade de disseminação do vírus por várias localidades, assim como o considerável aumento no registro de casos e óbitos ao longo do ano de 2020, elevou ainda mais a incerteza, uma vez que as famílias e empresas não sabiam o que esperar do futuro próximo. Durante esse primeiro momento de pandemia, foi extremamente difícil fazer previsões acerca de sua evolução, assim como de possíveis soluções associadas.

Em um segundo momento, a disseminação de informações difusas – tanto em termos de conteúdo quanto de veracidade – fez com que as famílias e empresas da economia nem sempre soubessem como agir durante a pandemia, o que também acabou elevando a incerteza agregada. A divulgação das chamadas fake news, com ênfase sobre os impactos negativos da pandemia, assim como as possíveis formas de combater esses impactos, acabou por confundir os agentes econômicos, elevando ainda mais a incerteza no país. De fato, alguns economistas já vinham destacando há décadas o importante papel de informações (corretas) para o funcionamento dos mercados.

Em um terceiro momento, a variedade de soluções propostas para a resolução da pandemia em distintas localidades — como estados e municípios brasileiros — assim como a falta de coordenação na tomada de decisões, também contribuíram para aumentar a incerteza na sociedade. A título de exemplo, vale destacar as diferenças, em termos de conteúdo, das informações referentes às políticas de saúde implementadas por distintas esferas de governo, assim como o timing de implementação dessas decisões, o que acabou por confundir parte da população acerca do verdadeiro estado da pandemia no país em distintas ocasiões.

Tomados em conjunto, esses três grandes momentos contribuíram para aumentar significativamente a incerteza na economia nacional. Ou seja, a escalada do número de casos e de óbitos a uma velocidade espantosa, assim como a divulgação de notícias deliberadamente falsas e a falta de coordenação na divulgação e implementação de algumas políticas públicas de saúde acabaram contribuindo para elevar a incerteza vigente no Brasil. Assim, embora a pandemia tenha inicialmente aumentado a incerteza vigente na economia, alguns dos acontecimentos posteriores acabaram reforçando os efeitos adversos reportados, em uma espécie de “ciclo vicioso”. Em última instância, mesmo sendo uma variável intangível, a incerteza acabou exercendo significativos impactos adversos sobre a economia brasileira no período recente.

*Professor de Economia da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (Fecap) (matheus.fecap@gmail.com)
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