CARLOS ALBERTO VILLEFORT*

Num país em que o cálculo e a divulgação de índices econômicos costumam ter seu foco em siglas como PIB, IGPM, IPCA, Selic e outras tantas, há um indicador que, não obstante a sua importância, não costuma ser mencionado com frequência pelos veículos de comunicação: o da produtividade empresarial – e, por extensão, a do trabalho. E nós, brasileiros, não temos nos saído muito bem nesse aspecto. Segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas, os maus resultados de nossos setores produtivos neste quesito já se tornaram sistêmicos.

O estudo mostrou também que os Estados Unidos são o país com melhor grau de produtividade – seu índice neste quesito é seis vezes maior que o do Brasil – seguido por Irlanda, França, Canadá e Austrália. Nosso País (e este é um fato preocupante) tem produtividade inferior não apenas à das nações desenvolvidas, mas, também, à de países com renda per capita semelhante. E ainda: no segundo semestre deste ano, dado mais recente apurado pela FGV, o indicador mostrou um recuo de 1,7% em relação a igual período de 2018, o pior resultado trimestral desde 2016.

São vários os fatores, no entanto, que nos vêm levando a resultados medíocres em termos de produtividade, mas entre eles destaca-se a significativa retração no quesito empregabilidade. Este trouxe consigo uma legião de brasileiros, hoje estimada em quase 40 milhões de pessoas, que, sem qualificações apropriadas, estão hoje à margem do mercado de trabalho formal. São pessoas que hoje se dedicam a ocupações ocasionais ou temporárias, influindo negativamente, portanto, nos índices de produtividade do País. De acordo com a FGV, “é como se estivesse aumentando o número de empregos, mas de empregos menos produtivos”.

Houve, na verdade, um significativo aumento no número de pessoas trabalhando no primeiro semestre deste ano, mas o movimento não foi acompanhado por um crescimento correspondente do valor adicionado. No terceiro trimestre, houve, efetivamente, uma pequena expansão na força de trabalho, de pouco menos que 1%, e um índice de 0,9% no de valor adicionado. Mas as horas trabalhadas cresceram bem mais: 2,6%, indicando nítida redução da produtividade.

Há motivos, portanto, para certo pessimismo quando se pensa no longo prazo e diante de um contexto em que as perspectivas de recuperação resumem-se a avanços lentos, pontuais de um cenário que exigirá muita análise e muitos esforços. E é nesse sentido que diversas instituições vêm trabalhando, entre as quais a Associação Comercial e Empresarial de Minas que, por meio de seu Conselho Empresarial de Produtividade, está lançando o Programa ACMinas pela Produtividade.

A iniciativa, que será apresentada na segunda semana de dezembro, tem por objetivo contribuir e apoiar empresas associadas da ACMinas com ações para a melhoria de sua gestão empresarial que possibilitarão o aprimoramento da qualidade dos produtos e serviços, assim como a produtividade, de modo a assegurar sua competitividade no mercado e a garantir sua sustentabilidade. Trará, enfim, avanços que poderão ser medidos nos balanços contábeis.

*Presidente do Conselho Empresarial de Produtividade da ACMinas