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Cesar Vanucci*

“Essa língua (…) é a nossa língua”  (Raquel de Queiroz)

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O projeto dormita no fundo de uma gaveta de armário empoeirado nos arquivos do Congresso Nacional. De autoria de Aldo Rebelo, que foi ministro de Estado, regulamenta o emprego de expressões estrangeiras em eventos públicos, meios de comunicação, estabelecimentos comerciais, educandários, embalagens de produtos e por aí vai.

Traduzindo, de certo modo, o mal-estar de parcelas consideráveis da sociedade diante dessa onda abobalhada de estrangeirices vocabulares que nos assola, é visto, por gente de peso intelectual, como uma tentativa razoável de se deter o processo de desnacionalização idiomática, chamado por alguns de macdonização da língua nas práticas cotidianas.

É de se pressupor que o texto comporte polêmicas, questionamentos, implicando talvez em alterações num que outro ponto. Mas não há como deixar de aplaudir em sua essência essa iniciativa, por representar reação que já vem tarde contra a neobobice vernacular que nos agride.

Muita gente, molestada pelos modismos moderneiros, encontra dificuldades em entender coisa tão curial: o idioma é a pátria. É o símbolo – o mais reluzente – da nacionalidade. Projeta, com dinâmica própria, o nosso modo normal de expressão, o nosso jeito de ver e sentir. As emoções puras e generosas da gente do povo. O idioma conta e canta a nossa cultura, nossos feitos e realizações. Mantém-nos íntegros e individidos em nossos sagrados domínios territoriais. Domínios territoriais, aliás, tão cobiçados pelo aventureirismo beligerante e ardiloso destes tempos de globalização fajuta.

Na defesa da língua falada no Brasil, justifica-se plenamente estabelecer uma vigorosa resistência contra a tendência, de inocultável indigência cívica e cultural, de utilizar, a três por quatro, vocábulos estrangeiros para classificar situações e coisas óbvias.

O aprendizado de outros idiomas é parte relevante na preparação do homem para o instigante jogo da vida. É o caso do inglês e do espanhol, por exemplo, ou o mandarim, talvez mais na frente. Mas a busca do aprendizado de outras línguas não pode significar que a gente deva ou precise esquecer a língua da gente. Isso remete a texto precioso de Eça de Queiroz. “Um homem só deve falar, com impecável segurança e firmeza, a língua da sua terra; todas as outras as deve falar mal, orgulhosamente mal, sem aquele acento chato e falso que denuncia logo o estrangeiro.” Como? O ilustre leitor destas maldigitadas acha que a tintura nacionalista do mestre está forte por demais?

Respondo à observação com uma pergunta: mas será que o momento, face às heresias vocabulares soltas por aí, com base no inglês “more or less”, não está a clamar por posições desse jaez, de clara afirmação cívica, que resguardem o nosso patrimônio cultural? Muitos os abusos. Os impropérios linguísticos. O idioma do Brasil é o idioma brasileiro. Ponto final.

É preciso deixar explícito que aos brasileiros aborrece – e muito – esse negócio de cardápio em restaurante e de saldo de retalho de loja anunciados em língua de gringo; de veículo carregando no para-choque bobagens do tipo “My other car is a plane”, ou de “God bless America”; de repórter de tevê a falar de “break”, e de incontáveis babaquices assemelhadas. Isso sem falar na nomenclatura aplicada aos dispositivos que acionam as engenhocas eletrônicas que estes tempos tecnológicos introduziram estrepitosamente na vida do cidadão comum.

Assim postas as coisas, não há como não classificar de bem-vinda qualquer disposição parlamentar de se pôr freio no que vem sucedendo.

Levar logo o projeto para discussão, alterações nas comissões, voto em plenário e sanção presidencial atende, sem dúvida, ao interesse nacional.

*Jornalista (cantonius1@yahoo.com.br)

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