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Bruno Gonçalves Marciano de Oliveira *

Hoje em dia, o termo sustentabilidade está inserido, com todas suas variantes, nos ambientes de casa, do trabalho, escolas e em muitas outras instituições, provocando nos engenheiros e arquitetos o senso de responsabilidade no momento em que esses espaços são projetados.  Em meio à crise hídrica, energética e econômica no Brasil, as construções sustentáveis trazem uma série de inovações com o intuito de contribuir, de alguma forma, para a economia financeira, de energia elétrica, água, entre outros recursos.

No entanto, apesar de tantos avanços no setor, o Brasil carrega em sua bagagem histórica uma série de tragédias. Incêndio em boates, em museus e em alojamentos de atletas, viadutos e ciclovias que desabam ou racham, barragens que se rompem, entre tantos outros incidentes marcados pelo fim da vida de muitas pessoas e sofrimento de tantas outras que guardam o sentimento amargo da impunidade e a sede por justiça. Muitas vezes, os sentimentos que tenho variam entre o orgulho de acompanhar a evolução da engenharia, como o caso da utilização do BIM (Building Information Modelling), mas também de tristeza por causa da irresponsabilidade e da falta de fiscalização em muitas obras e projetos.

Para obter resultados efetivos no setor, nossos profissionais devem estar atentos, desde a concepção dos empreendimentos, ainda durante os estudos de viabilidade do projeto, até a entrega, uso e operação. Além disso, a ética deve estar atrelada em todas essas etapas. Mas, infelizmente, somos tomados pela percepção de que a injustiça ainda prevalece em muitos casos. Se voltarmos no tempo, por exemplo, o ideal não seria que as mineradoras aprendessem uma lição com as tragédias? Pelo visto não. E nada melhor que uma nova catástrofe para esquecermos a outra que ocorreu.

Se agradeço o fato de o nosso País não estar na mira das catástrofes ambientais, me entristeço, pois há algo em comum em todos esses acontecimentos: eles foram causados, ao que tudo indica, por pessoas e instituições que não fizeram o que deveriam ter feito. Faltaram cuidados e medidas elementares de prevenção. Os erros e omissões que levaram aos desastres me causam ainda mais revolta porque, em geral, não admitem desculpas.

Para mim, temos de nos habituar a nomear as tragédias pelos responsáveis, e não pelos locais onde elas ocorrem.

Se não mudarmos essa cultura da impunidade, continuaremos pagando alto pelo nosso jeitinho brasileiro de ser, pela nossa forma desumana e que só pensa em levar vantagem em tudo. Não podemos esquecer que a responsabilidade é a base da democracia moderna. E, no Brasil, parece que muitas vezes isso não existe, já que as recorrentes tragédias só reafirmam o descaso de muitas instituições e do próprio governo com as vítimas e sociedade geral ao ignorar a prevenção desses acidentes.

Como profissional da engenharia, espero que o desenvolvimento tecnológico que abarca nosso mercado e nossa área nos aproxime de um país mais justo, preocupado com o meio ambiente e também com os valores enquanto seres humanos.  Para isso, a indústria precisa mostrar sua importância através da excelência e alto desempenho das atividades na construção. Só assim mostraremos que o segmento é responsável ao identificar, de fato, quais são os riscos em potencial e como os profissionais devem agir para evitar as tragédias.

*Presidente da Abrasip-MG