Aécio Neves volta atrás e decide disputar o Senado por Minas Gerais
O deputado federal Aécio Neves (PSDB) voltou atrás e decidiu concorrer ao Senado Federal. A decisão, comunicada nesta sexta-feira (28), em coletiva de imprensa, ocorre 24 dias após o tucano anunciar que não participaria das eleições deste ano. Agora, ele vai integrar a chapa do ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT) e do ex-deputado federal Carlos Mosconi (PSDB), candidatos a governador e vice-governador de Minas Gerais, respectivamente.
Os candidatos registrados para disputar as duas vagas ao Senado pela chapa, Marcelo Heringer (PDT) e Gustavo Galassi (PSDB), renunciaram às candidaturas, abrindo espaço para que Aécio seja o único nome do grupo. Apesar de o prazo para o registro de candidaturas ter terminado em 15 de agosto, a legislação eleitoral permite a substituição de candidatos até 20 dias antes das eleições, ou seja, até 14 de setembro de 2026.
Na última quarta-feira (26), aliados do tucano informaram que ele avaliava a possibilidade de participar das eleições deste ano após ser procurado por lideranças partidárias e políticos próximos.
Dívida do Estado vira prioridade na campanha ao Senado
Durante a entrevista coletiva na sede do PSDB, no bairro Funcionários, região Centro Sul de Belo Horizonte, Aécio disse que a decisão por tentar novamente uma cadeira no Senado Federal tem motivações estratégicas, entre elas estabelecer um diálogo mais ostensivo com o governo federal acerca da dívida do Estado com a União.
“Nós chegamos em uma situação quase que inadministrável em nosso Estado. Minas Gerais precisará ter no senado da República, uma representatividade muito maior do que em qualquer outro tempo. O Senado é mais vital do que nunca para que nós possamos rediscutir a negociação da nossa dívida. Nós já pagamos pouco, hoje, pouco mais de R$ 100 milhões mensais a partir da negociação do Propag. Em cinco anos isso vai chegar a R$ 500 milhões, o que é absolutamente impossível para o Estado pagar”.
O tucano afirma ainda que se eleito pretende articular bancadas com outros estados, especialmente os devedores, para pressionar o governo federal a aceitar uma negociação mais realista e que respeite a necessidade de Minas Gerais de continuar investindo em saúde, educação e segurança pública.
Aécio aposta em discurso de independência para voltar ao Senado
O deputado federal também disse que se conquistar uma cadeira no Senado, somada ao cargo já em exercício de presidente do PSDB, terá mais condições de articular um projeto para 2030 sem extremismos e isento do que ele chamou de “radicalização pueril e penosa que tomou conta da política brasileira”.
“Eu não serei o candidato de A ou o candidato de B. O que eu quero ser é o senador de Minas Gerais. Para qualquer que seja o próximo presidente república, eu estarei lá, em condições de negociar com ele, defender, em nome dos mineiros, os interesses do nosso Estado”, diz.
Aliança com PDT expõe diferenças políticas
Embora o PDT apoie o presidente Luiz Inácio da Lula da Silva, candidato à reeleição pelo Partido dos Trabalhadores (PT), Aécio assegurou que apesar de respeitar a trajetória da sigla da qual, agora, ele fará parte, disse que a associação foi feita apenas em nome de Minas Gerais
“É muito bom ter ao meu lado o PDT que dialoga com o atual presidente da República, assim como eu tenho certeza que terei nessa caminhada apoiadores que dialogam com outro campo político”, reforça.
O candidato ao senado também considera normal a existência, em um mesmo partido, de candidatos mais próximos ao presidente Lula e à esquerda, e outros mais ancorados no bolsonarismo. “É legítimo que eles busquem esse espaço. Eu vou respeitá-los sempre”, afirma.
‘Cartilha tancrediana’ justifica aliança com Kalil
Questionado se a aliança com o ex-prefeito de Belo Horizonte e candidato ao governo de Minas Gerais, Alexandre Kalil (PDT), pode ser interpretada como contraditória pelos eleitores, Neves afirma que a política é a arte de buscar o convívio em torno de projetos comuns.
“Se estivemos distantes no passado, nada impede que estejamos juntos hoje. Eu eu sou da cartilha tancrediana, que dizia que o seu adversário político eventual não precisa ser seu inimigo, porque circunstâncias da política podem aproximá-los e essa aqui é uma realidade”.
O deputado federal destacou ainda seu respeito pessoal pela trajetória do prefeito Alexandre Kalil, disse que jamais teceu qualquer crítica a ele e fica muito feliz de vê-lo com a disposição e determinação para contribuir com Minas Gerais.
“Vamos estar juntos, de cabeça erguida, andando por Minas Gerais. Eu tenho certeza que nós estamos contribuindo para resgatar a política, a boa política, tão em falta, não apenas em Minas, mas no Brasil”.
Candidato destaca apoio de diferentes campos políticos
Aécio Neves também disse durante a coletiva que recebeu manifestações de apoio por sua candidatura, tanto de partidos políticos da esquerda quanto da direita.
“O telefone não parou nesses últimos dias, gente com compromisso, inclusive com candidaturas do PT, com candidaturas do PL a outros cargos. É possível até que aqueles que têm uma identificação ideológica no outro campo, possam compreender que é necessário ter alguém que dialogue com os dois extremos”, destaca.
Aliados articulam volta de Aécio às urnas
O movimento pela candidatura ganhou força com a divulgação de uma nota assinada pelos presidentes estaduais do PDT, Mário Heringer, e do PSDB, Paulo Abi-Ackel, ambos deputados federais. No documento, eles pediram que o ex-presidente da Câmara dos Deputados reconsiderasse a decisão de não concorrer a nenhum cargo e disputasse uma vaga no Senado pela chapa.
A pressão começou depois de Aécio Neves anunciar, em 4 de agosto, que não seria candidato a nenhum cargo eletivo nas eleições deste ano. Na ocasião, ele afirmou que a decisão era “especialmente difícil” e encerraria uma sequência de 40 anos de mandatos consecutivos.
À época, o deputado federal e presidente nacional do PSDB afirmou que continuaria atuando na vida pública e que sua prioridade seria liderar o partido e ajudar a fortalecer o centro democrático no Brasil. Após o anúncio, lideranças políticas e partidárias de Minas Gerais iniciaram um movimento para tentar convencê-lo a reverter a decisão.
Trajetória política
Aécio iniciou seu primeiro mandato como deputado federal em 1987 e exerceu o cargo até 2002, somando quatro mandatos consecutivos. Nesse período, presidiu a Câmara dos Deputados no biênio 2001–2002. Na sequência, foi eleito governador de Minas Gerais em 2002 e reeleito em 2006. Em março de 2010, o tucano renunciou ao cargo para concorrer ao Senado e foi eleito senador.
Em 2013, Aécio assumiu a presidência nacional do PSDB e, no ano seguinte, foi o candidato do partido à Presidência da República. Ele chegou ao segundo turno, mas foi derrotado pela então presidente Dilma Rousseff (PT), reeleita com 51,64% dos votos válidos, contra 48,36% obtidos pelo tucano.
Após a derrota na disputa presidencial, Aécio retornou ao Senado. Nas eleições de 2018 e 2022, foi eleito para o quinto e o sexto mandatos como deputado federal, respectivamente, mantendo uma trajetória de quatro décadas de mandatos consecutivos.
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