Alcolumbre e Rodrigo Maia vêm buscando o diálogo com o presidente | Crédito: Carolina Antunes/PR

Brasília – O presidente do Congresso Nacional, senador Davi Alcolumbre (DEM-AP), conversou com o presidente Jair Bolsonaro ontem na intenção de pedir calma ao chefe do Executivo diante de um acirramento do clima político e de uma escalada de ameaças de quebra da normalidade democrática, informaram duas fontes.

O movimento de Alcolumbre, assim como o do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), sinaliza tentativa de diminuir a temperatura política em Brasília. Mais cedo, Maia disse não acreditar que a instabilidade política chegue a uma “situação extrema” a ponto de ameaçar a normalidade democrática, e acrescentou que segue na tentativa permanente de diálogo.

Na avaliação de uma das fontes, parlamentar independente, a atitude pode resultar em uma banalização dos ataques a instituições democráticas. Segundo essa fonte, princípios democráticos têm perdido espaço, enquanto Bolsonaro e aliados perdem o medo dos órgãos de controle. A avaliação dessa fonte é que os presidentes das duas Casas deveriam ser mais incisivos, avaliação compartilhada por outros parlamentares.

Alcolumbre entrou em campo e partiu para a conversa presidencial no mesmo dia em que, em referência a operação da Polícia Federal na véspera tendo como alvos aliados de Bolsonaro por suposto envolvimento em disseminação de fake news, autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o presidente da República afirmou que não haverá mais um dia como ontem. “Acabou, porra!”, disse.

Na quarta-feira (27), o filho de Bolsonaro, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) sugeriu a iminência de uma “ruptura” e cogitou uma “medida enérgica” do pai.

Somam-se a esse cenário declarações do presidente Jair Bolsonaro adiantando que não entregaria seu celular à Justiça, caso pedido, no âmbito de inquérito que apura possível interferência na Polícia Federal, além de vídeo de reunião ministerial divulgado na última sexta-feira (22) em que ministros do Executivo atacam instituições e membros da Suprema Corte.

“Bom diálogo” – Em coletiva ontem, Maia afirmou que Alcolumbre estava com Bolsonaro e acrescentou que o senador tem um “bom diálogo” com o presidente.

“É bom dialogar, mas é bom ficar claro que nós vamos continuar reafirmando que a nossa democracia é o valor mais importante do nosso País e que as instituições precisam ser respeitadas, sempre”, disse Maia.

Por ocupar a presidência da Câmara, Maia tem a prerrogativa de dar andamento a eventual pedido de impeachment contra o presidente da República.

A Mesa da Casa já registra mais de 30 pedidos nesse sentido, mas o deputado tem adotado tom cauteloso e já chegou a dizer que “esse assunto não deve estar na ordem do dia hoje, não deve estar na pauta de hoje e, se Deus quiser, não deve estar na pauta dos próximos anos”.

Insegurança – Maia disse que as declarações do presidente Jair Bolsonaro na manhã de ontem geram insegurança, mas ponderou que o fato de o governo ter apresentado um pedido de habeas corpus em favor do ministro Abraham Weintraub ao Supremo Tribunal Federal (STF) representa que a corte foi respeitada.

“De fato as declarações hoje são muito ruins, elas vão exatamente no caminho contrário de tudo que a gente começou a construir, todos os Poderes juntos, desde a semana passada, da reunião com os governadores”, disse Maia em entrevista coletiva, ressaltando, mais uma vez, a necessidade de diálogo e respeito entre os Poderes.
Maia destacou, porém, que, se de um lado o presidente teve falas duras contra o STF, ao mesmo tempo o governo, por meio do ministro da Justiça, André Mendonça, apresentou recurso a favor de Weintraub, numa demonstração de respeito ao Supremo, segundo o deputado. Para ele, é preciso que haja convergência entre o discurso e as ações do governo. (Reuters)