Amig reúne candidatos ao governo e ao Senado para debater futuro da mineração em Minas

Encontro discute propostas sobre Cfem, terras raras, desenvolvimento regional e o futuro dos municípios afetados pela atividade mineral
Atualizado em 19 de agosto de 2026 • 13:01
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Amig reúne candidatos ao governo e ao Senado para debater futuro da mineração em Minas
Foto: Netun Lima/ Amig

A Associação Brasileira dos Municípios Mineradores (Amig Brasil) realiza, nesta quarta-feira (19), em Belo Horizonte, o evento “Mineração em debate 2026 – Os compromissos de quem quer governar Minas e representar o Estado no Senado”. O encontro reúne candidatos a governador e senador para discutir propostas relacionadas à mineração, ao desenvolvimento regional e, especialmente, aos interesses dos municípios mineradores, dos territórios afetados pela atividade mineral e de suas populações. Participam do evento prefeitos, autoridades, lideranças municipais, representantes de instituições e do setor mineral.

Durante a abertura do evento, o prefeito de Itabira e presidente da Amig Brasil, Marco Antônio Lage, afirmou que a intenção das sabatinas é colocar Minas Gerais no centro das discussões da campanha eleitoral. “Queremos discutir como a mineração em Minas pode contribuir com o desenvolvimento do Estado. Com o advento das terras raras, queremos debater se elas vão ser uma oportunidade para Minas assumir o papel de protagonista ou se vamos repetir o modelo do entreguismo dos nossos minerais e quase sem nenhum legado para os nossos territórios, sem desenvolvimento para o nosso Estado”, pontuou.

Lage destacou a importância e a necessidade de conversar com os candidatos para conscientizar os eleitores sobre as propostas de cada um para enfrentar os desafios e problemas vivenciados pelos municípios mineradores.

Entre as pautas tratadas com os candidatos ao governo de Minas estão:

  • governança e legislação mineral;
  • Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (Cfem), fiscalização e arrecadação dos municípios e do Estado; terras raras e reindustrialização;
  • diversificação econômica e segurança.

Já com os candidatos ao Senado, foram debatidas as seguintes pautas: legislação e governança mineral; fiscalização e Cfem; arrecadação e desenvolvimento regional; e terras raras e direitos minerários.

Ao citar o passivo ambiental e hídrico, os problemas econômicos e sociais e a dificuldade para planejar um futuro pós-mineração, Lage afirmou que os municípios têm muito mais ônus do que bônus com a atividade mineradora.

Marco Antônio Lage, presidente da Amig
Marco Antônio Lage, presidente da Amig | Foto: Netun Lima/ Amig

“Por isso é fundamental que essa reparação aos municípios mineradores, a tributação mais justa, com um modelo de sustentabilidade ambiental, seja aplicada, principalmente, numa visão de longo prazo, porque nós estamos falando de um recurso não renovável. Normalmente esses territórios vivem um boom econômico e depois o esvaziamento e empobrecimento repentinos. É uma realidade muito difícil e complexa”, disse.

O presidente da Amig defendeu que as demandas dos municípios mineradores precisam ser tratadas por meio de leis. Segundo ele, a legislação também é importante para que as empresas mineradoras possam trabalhar com previsibilidade e segurança jurídica e desenvolver projetos de sustentabilidade com a sociedade civil organizada e o poder público.

“Os prefeitos passam, os mandatos passam, e por isso é preciso criar projetos com planejamento estratégico de longo prazo, como Itabira, que é a minha cidade, está fazendo agora junto com a Vale”, assinalou. Segundo Lage, o Brasil precisa ter uma mineração que se aproxime mais dos modelos da Austrália e do Canadá e menos dos adotados na África, que, de acordo com ele, são mais exploratórios e deixam menor legado para a população.

Quem são os candidatos confirmados

Confirmaram presença os candidatos ao governo de Minas Flávio Roscoe (PL), Gabriel Azevedo (MDB) e Patrus Ananias (PT). Também foram convidados Alexandre Kalil (PDT), que informou estar se recuperando de uma cirurgia de transplante de córnea, e Cleitinho Azevedo (Republicanos) e Mateus Simões (PSD), que alegaram ter outros compromissos previamente agendados.

Entre os que vão disputar as duas vagas ao Senado nas eleições deste ano, confirmaram participação Áurea Carolina (PSOL), Carlin Moura (Avante), Domingos Sávio (PL) e Marília Campos (PT). O candidato Marcelo Aro (Progressistas) informou que já havia agendado compromissos anteriormente e não poderia participar. Já os candidatos Arcanjo Miguel e Manoel Carvalho (MDB) e Gustavo Galassi (PSDB), não confirmaram participação durante a organização da sabatina. O senador Carlos Viana (PSD) e o candidato Marco Antônio Supermann (Novo) também não participarão do evento.

Sobre o autor

Ana Karenina Berutti

Repórter do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo e mestre em Letras pela PUC Minas. Experiência de 30 anos em cobertura política e econômica.

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