Congresso da AMM: Kalil e Gabriel Azevedo apresentam críticas e propostas para gestão de MG
Pré-candidatos ao governo de Minas Gerais, Alexandre Kalil (PDT) e Gabriel Azevedo (MDB) apresentaram, na tarde desta terça-feira (5), posicionamentos e propostas sobre temas polêmicos da política mineira, como a dívida estadual, a privatização da Copasa, relação com os municípios e gestão pública. Embora tenham compartilhado críticas ao atual cenário administrativo, os dois propuseram abordagens diferentes para enfrentar os problemas do Estado.
Ambos participaram de um painel, nesta terça-feira (5), durante o Congresso da Associação Mineira de Municípios (AMM). Cleitinho Azevedo (Republicanos) também era aguardado, mas não compareceu.
Kalil centrou sua fala na necessidade de rever o Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag). Segundo ele, o acordo atual seria “inviável” para Minas Gerais. “O principal não foi feito. O negócio é ruim, é inviável”, afirmou. O ex-prefeito de Belo Horizonte criticou a possibilidade de entrega de ativos estaduais à União e defendeu uma renegociação mais vantajosa dos juros da dívida.
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Para Kalil, o debate precisa ser objetivo e imediato para evitar perdas financeiras que afetariam serviços públicos essenciais. Já Gabriel Azevedo argumentou que a crise mineira não pode ser tratada apenas como um problema fiscal. Segundo ele, a dívida do Estado é resultado de décadas de desindustrialização e da falta de planejamento estrutural.
“A dívida mineira não é fiscal apenas. É uma dívida estrutural que começou na década de 1970”, declarou. O ex-vereador defendeu o diálogo com o governo federal, o estímulo à economia e investimentos em infraestrutura e educação para ampliar arrecadação e desenvolvimento regional.
Privatização da Copasa
Os dois pré-candidatos manifestaram oposição à privatização da Copasa, embora por razões distintas. Kalil questionou a legitimidade e a condução do processo, principalmente em relação à participação dos municípios. “Como é que o governo está privatizando o que não é dele?”, questionou. Kalil afirmou que cidades como Belo Horizonte e Contagem têm peso decisivo no valor da companhia e criticou a rapidez da discussão sobre a desestatização.
“Sem Belo Horizonte e as grandes cidades de Minas Gerais, não vale nada”, disse. Azevedo, por outro lado, concentrou sua crítica no impacto social da medida. Segundo ele, o debate sobre saneamento foi deixado em segundo plano. “O que me interessa é: o cidadão mineiro está com água na torneira? Tem esgoto sendo tratado?”, afirmou. O emedebista defendeu o foco na universalização do saneamento até 2033, com metas, indicadores e planejamento técnico.
Proximidade com os municípios
Os dois pré-candidatos disseram que buscam aproximação com os prefeitos mineiros. Kalil afirmou que os municípios foram abandonados pelo Estado nos últimos anos e que a renegociação da dívida seria essencial para permitir ao governo estadual voltar a apoiar financeiramente os municípios. Ele aproveitou o tema para criticar a ausência de apoio durante a pandemia.
“Prefeito não precisa pedir esmola. Prefeito nunca teve cuidado do Estado nos últimos anos. Eu fui prefeito. Eu tive a cidade destruída por uma pandemia. Eu queria saber o que Estado de Minas Gerais fez para minha cidade de Belo Horizonte? Nada”, afirmou. Gabriel Azevedo, por sua vez, apresentou um discurso municipalista e defendeu a descentralização administrativa. O vereador propôs a criação de dez regionais com um governador regional.
Segundo ele, a atual estrutura da Cidade Administrativa concentra excessivamente o poder em Belo Horizonte e dificulta o atendimento às demandas regionais. “Somos 853 municípios. Eu sei o que é a vida de alguém que está vindo de longe a Belo Horizonte, pegou a estrada, passou horas para chegar até aqui e no palácio apenas tirar uma foto e botar na mídia social e ainda ouvir do secretário: ‘Vai me apoiar na eleição?’”, afirmou Azevedo.
Infraestrutura e educação
Gabriel Azevedo dedicou parte importante de sua fala à infraestrutura logística. Ele afirmou querer ser “o governador das ferrovias” e defendeu a utilização de recursos de compensação da mineração para expansão ferroviária. Segundo ele, Minas não pode continuar dependente do transporte rodoviário pesado para o escoamento mineral. “Não há rodovia que aguente”, afirmou.
O pré-candidato também defendeu a criação de fundos permanentes de manutenção das estradas e criticou a falta de planejamento estratégico no setor. Azevedo comentou ainda sobre o projeto do novo Anel Rodoviário da Região Metropolitana de Belo Horizonte e afirmou ser contrário à interrupção das obras planejadas.
“São seis milhões de habitantes e nenhum deles pode morrer nesse atual Anel”, disse, em referência à população da região metropolitana. Na área da educação, Kalil criticou propostas de escolas cívico-militares e afirmou que o foco deveria estar na qualidade pedagógica. “Para dar aula tem que ser professor”, declarou. Ele criticou debates voltados à disciplina, comportamento e símbolos patrióticos, defendendo prioridade para aprendizagem e melhoria dos índices educacionais.
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