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Crédito: Leonardo Benassatto /Reuters

São Paulo – Uma das mais recentes operações da Operação Lava Jato, deflagrada em setembro, bateu à porta de uma importante galeria de arte, a Almeida e Dale. Ela foi alvo de uma medida de busca e apreensão sob a suspeita de ter participado de um esquema de lavagem de dinheiro de corrupção originada em uma subsidiária da Petrobras, a Transpetro.

De acordo com os investigadores do caso, a galeria foi o destino final de propinas negociadas pelo então presidente da Transpetro, Sérgio Machado, delator na Lava Jato, e que tiveram como beneficiários o ex-ministro de Minas e Energia Edison Lobão e seu filho, Márcio. Os subornos teriam sido pagos por empresas fornecedoras da estatal e seriam relativos a 44 contratos no total de mais de R$ 1,5 bilhão.

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Lobão teria recebido repasses ilegais porque ele e seu partido, o PMDB, teriam sido responsáveis pela indicação e manutenção de Machado na presidência da Transpetro.

Segundo a acusação, cerca de R$ 1 milhão proveniente das propinas foi empregado para a compra de valiosas obras de arte com o pagamento de dinheiro vivo “por fora”.

O Ministério Público Federal relatou à Justiça que a comparação entre uma avaliação feita pela Polícia Federal e um documento obtido na galeria Almeida e Dale mostrou uma diferença de até 1.000% entre o valor declarado e o valor real de uma das obras.

Com base nas apurações da operação, batizada de Galeria, no fim de outubro a força-tarefa de procuradores da Lava Jato em Curitiba apresentou denúncia criminal contra os envolvidos no repasse de subornos e Carlos Dale Junior, dono da galeria, pela suposta prática do crime de lavagem de dinheiro.

A denúncia foi recebida pela Justiça Federal no Paraná, o que deu início a um processo criminal contra os acusados.

Procurado pela reportagem, o advogado Pedro Giamberardino, defensor de Edison e Márcio Lobão, afirma que o filho do ex-ministro “nunca teve a oportunidade de prestar esclarecimentos, o que teria permitido demonstrar documentalmente que todas as obras de arte adquiridas foram regularmente contabilizadas e declaradas em seus Impostos de Renda, sendo compatíveis com o seu patrimônio e sua renda”.

Segundo o defensor, “a família Lobão confia no Poder Judiciário e nos órgãos de investigação, que, no seu devido tempo, reconhecerá a inexistência de irregularidades na comercialização das obras de arte, que se mostra absolutamente normal, diante de um mercado que apresenta constantes oscilações”.

Ralph Tórtima Filho, advogado Carlos Dale Junior, diz que a galeria Almeida e Dale afirma que “jamais participou de qualquer conduta ilícita relacionada à comercialização de obras de arte” e isso vai ser esclarecido durante o curso da ação penal do caso. (Folhapress)

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