Crédito: Carolina Antunes/PR

Brasília – O presidente Jair Bolsonaro assinou ontem ficha de desfiliação do PSL. A expectativa é de que ela seria apresentada ainda ontem ao diretório nacional do partido e à Justiça Eleitoral do Rio de Janeiro, domicílio eleitoral do presidente.

O documento foi firmado em reunião de Bolsonaro com seus consultores jurídicos Karina Kufa e Admar Gonzaga, no Palácio do Planalto. Amanhã, o presidente lançará uma nova legenda, a Aliança pelo Brasil, e poderá assumir a sua direção nacional.

Segundo a defesa de Bolsonaro, não há impedimento legal para que ele acumule as funções de dirigente partidário e de presidente da República. Na última segunda-feira, ele afirmou que há chances de assumir o posto.

“Isso aí é página virada. O PSL, quem quiser, fique com ele. O partido do presidente será outro e, com ele, certamente, virão os leais”, afirmou Gonzaga, em uma referência ao grupo de deputados e senadores que pretende se filiar ao novo partido.

Para os advogados do presidente, já há elementos para que os parlamentares bolsonaristas aleguem justa causa para deixar o PSL sem que percam os mandatos para os quais foram eleitos.

“Justa causa é o que não falta. O que se viu na postura do presidente do PSL e de todos aqueles que o acompanham é, justamente, uma flagrante falta de compromisso com a transparência e boa gestão do dinheiro púbico. E isso é inaceitável para o presidente (Bolsonaro)”, disse o advogado.

Mutirão – Assessores, aliados e até parentes de deputados federais farão parte do núcleo fundador da Aliança pelo Brasil, cuja convenção inaugural ocorrerá amanhã em Brasília. O novo partido, organizado em torno do presidente Jair Bolsonaro, está recorrendo a uma espécie de mutirão com 25 parlamentares do PSL que pretendem migrar para a legenda.

Cada um está incumbido de indicar e levar a tiracolo três pessoas para o evento, para estarem entre os signatários do requerimento de registro partidário. É o primeiro passo no longo processo de fundação de uma legenda.

A Lei 9.096/95, que rege os partidos políticos, determina, em seu artigo 8º, que este documento tem de ser assinado por no mínimo 101 pessoas, de ao menos nove estados. Cumprida essa etapa, começa a coleta de assinaturas para que o registro seja aprovado pela Justiça Eleitoral.

São necessários 491.967 apoios. Bolsonaro tem pressa, porque o partido tem de estar criado até o início de abril de 2020, para que possa disputar a eleição municipal do ano que vem.

A coordenação do processo está a cargo de quatro pessoas: o senador Flávio Bolsonaro, filho do presidente, eleito pelo PSL-RJ; seu irmão e deputado federal Eduardo; e os advogados Admar Gonzaga e Karina Kufa. Foram eles que pediram aos deputados que indiquem pessoas de sua confiança para levarem à convenção.

O deputado Bibo Nunes (PSL-RS) indicou seu chefe de gabinete, sua mulher e sua filha. “Eles atendem ao critério de serem pessoas de minha extrema confiança e comprometidos com o projeto do presidente Jair Bolsonaro”, afirmou. Sua filha, segundo Nunes, foi presidente da juventude do PSL no Rio Grande do Sul.

O deputado Coronel Chrisóstomo (PSL-RO) já decidiu dois dos três nomes que levará à convenção. Um dele é Jaime Bagatottoli, que ficou em terceiro na disputa ao Senado em Rondônia no ano passado, com 15,7% dos votos.

O outro é um apoiador em seu estado, o coronel do Exército Jorge Moraes Gomes. “O coronel Moraes é da mesma turma do presidente Bolsonaro na Aman (Academia Militar das Agulhas Negras)”, justifica. O terceiro nome ainda está sendo escolhido pelo parlamentar.

O deputado federal Daniel Silveira (PSL-RJ) também levará três assessores à convenção: dois chefes de gabinete (um de Brasília e um do Rio) e um responsável pelo acompanhamento de temas relativos ao Orçamento.

“Tem deputado que não tem três pessoas para indicar, aí algum outro pode levar quatro”, declarou Silveira. “O importante é nos certificarmos de que são pessoas com apoio sólido ao nosso projeto”, ressaltou. (Folhapress)