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João Vítor Xavier, candidato à Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) pelo Cidadania, defende a retomada do protagonismo da capital mineira em diversas frentes e setores econômicos de Minas Gerais. Para o futuro, espera que a cidade seja acolhedora e receptiva, a partir não apenas dos potenciais turísticos, mas por agregar valor à sua localização geográfica e a proximidade e integração com o centro econômico do Brasil.

Aposta em uma Belo Horizonte dotada de ciência, tecnologia, inovação, educação e saúde. Com shows, eventos, turismo e gastronomia. Para isso e por isso, argumenta que o tema central de seu plano de governo para a Capital está, justamente, na economia e apresenta propostas que incluem a reorganização da ocupação da cidade, a revitalização do Centro, a redução de impostos, o incentivo a empresas de bases tecnológicas e o desenvolvimento de novas cadeias turísticas.

João Vítor Xavier nasceu em Belo Horizonte, tem 38 anos e formou-se pelo Centro Universitário de Belo Horizonte. Integra a equipe de esportes da rádio Itatiaia desde 2000. É deputado estadual, com três mandatos consecutivos e presidente do partido Cidadania no Estado. Seu primeiro cargo público foi como vereador da capital mineira, em 2008. Atualmente, é vice-presidente da Comissão de Minas e Energia da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) e, pela primeira vez, concorre ao pleito de cargo máximo de um executivo municipal.

Como reaquecer a economia da cidade no cenário pós-pandemia?

A base da minha proposta para Belo Horizonte passa pela economia. Este é o tema central do meu plano de governo e da minha proposta para a cidade. Queremos reestruturar Belo Horizonte. A cidade perdeu riqueza, dinheiro, empregos e oportunidades com o êxodo da construção civil nos últimos anos. A Capital praticamente inviabilizou a construção civil e quem agradece são as cidades vizinhas, em especial, Nova Lima, que se tornou um polo atraente e atrativo para estas riquezas.

Basta ver o que aconteceu com a Alameda da Serra e a região do Vila da Serra. A riqueza da cidade se mudou para lá e se não tomarmos uma atitude urgente e rápida sobrará para Belo Horizonte a decadência. Expulsamos as obras e junto vão os empregos, os impostos, os moradores e toda uma cadeia de serviços. Enquanto nós temos nestas divisas, a riqueza, o progresso e o desenvolvimento, nosso Centro está entregue a moradores de rua, à prostituição, ao tráfico de drogas, ao abandono e à decadência. Precisamos começar por essa reestruturação.

O novo Plano Diretor da Capital poderia solucionar essa questão? Como avalia a mobilidade urbana da cidade?

O Plano Diretor de Belo Horizonte é um desastre. Ele assassina a construção civil e o desenvolvimento urbanístico da cidade e impede qualquer possibilidade de recuperação de áreas degradadas. Ele é um erro, inclusive, para a mobilidade urbana, porque manda que as pessoas morem cada vez mais distantes do Centro e nós somos uma cidade planejada e centralizada. As pessoas estão sendo mandadas para morar na periferia de Belo Horizonte, em Nova Lima, em Vespasiano, em Lagoa Santa e isso gera um movimento pendular desastroso para o nosso trânsito.

Hoje, as pessoas gastam 40 ou 50 minutos de suas regiões de moradia até o centro da cidade. Ou seja, quanto mais nós optarmos por esta descentralização, pela tentativa desastrada que fizeram ao longo dos últimos 25 anos de criar outras centralidades na cidade, mais aumentaremos o trânsito e pior se tornará a mobilidade urbana da Capital. Se este modelo fosse bom, a realidade não piorava a cada ano, fazendo com que as pessoas fiquem em torno de oito dias por ano, presas no trânsito.

Como pretende sanar os gargalos na infraestrutura da capital mineira?

Temos muitos. São muitas obras que precisam ser feitas.  Primeiro, temos que abrir um diálogo com as cidades vizinhas. Temos que dialogar com as cidades, buscar soluções conjuntas e melhorar a infraestrutura. Temos que rediscutir com Contagem, por exemplo, a questão da avenida Amazonas e tentar transformá-la em uma via expressa. Isso pode ser feito por meio de técnicas simples semafóricas ou por meio de obras urbanas conjuntas. Há outras iniciativas que precisamos: como tentar parcerias público-privadas (PPP) para a expansão do transporte coletivo, com modais como monotrilho, metrô ou VLT, que podem ser implementados tanto pela captação de recursos federais como por parcerias público-privadas. Acredito, especialmente, no monotrilho como uma solução para Belo Horizonte. Não estou prometendo fazer, mas assumo o compromisso de estruturar um projeto para área e buscar recursos para viabilizá-lo.

Como atrair novos investimentos e em quais setores você vê maior potencial?

Temos muitas áreas importantes na cidade. Destaco as PPPs para o transporte público. Defendo também que os parques públicos de Belo Horizonte sejam entregues à gestão privada, desde que a contrapartida não seja a cobrança de ingresso de entradas. Que os equipamentos continuem públicos e abertos, mas que possam ser utilizados também para exploração privada para shows, eventos e restaurantes, como acontece em todos os cantos do mundo. Aposto também no modelo de PPP para estacionamentos subterrâneos. Belo Horizonte já tentou fazer uma vez, mas alguns erros aconteceram na estruturação e acabaram inviabilizando o projeto. De toda forma, considero um modelo bom e necessário, que precisa ser retomado. Defendo também a rediscussão da utilização dos espaços urbanos através de parcerias no modelo de operações urbanas consorciadas para requalificação de áreas degradadas da cidade. E parcerias público-privadas para a reestruturação de vilas e favelas, aos moldes do “Minha casa, minha vida”, mas com recursos privados.

Como a política de desenvolvimento do seu programa de governo leva em conta a questão fiscal?

Sou otimista, mas penso diferente da maioria dos gestores, que acredita que quanto mais se cobra imposto mais se arrecada. Às vezes a desoneração tributária traz mais eficiência, mais recursos e mais ganhos. O exagero na ganância e na fome arrecadatória bloqueia a arrecadação, já que as pessoas não conseguem mais produzir. Ou seja, precisamos desonerar um pouco Belo Horizonte para atrair mais investimentos. Às vezes é preciso abrir mão de um imposto de curto prazo, para ganhar no longo prazo, com competitividade, escala e geração de emprego e renda. É isso que eu vou buscar fazer enquanto prefeito de Belo Horizonte.

Pensando na gestão da cidade e no tamanho da máquina pública, quais as propostas? Uma gestão compartilhada seria viável?

Algumas coisas são de responsabilidade individual de cada município, mas também têm outras que podem ser discutidas em conjunto. Hoje os consórcios intermunicipais funcionam e barateiam o custo, porque geram ganho em escala e volume. Onde for possível fazer parcerias com outros municípios para baixar o custo para Belo Horizonte, melhorar a qualidade e a eficiência, farei. Mas existem algumas ofertas e serviços que são exclusivos. Fato é que caminhamos cada vez mais para o enxugamento da máquina pública. Temos que repensar o custo da máquina para sobrar dinheiro para o que mais importa, que é o atendimento de qualidade ao cidadão. Por isso, sou defensor de parcerias com o setor privado, por exemplo, na saúde. É impensável que a população enfrente um ano ou um ano e meio de fila de espera para algumas cirurgias e procedimentos. Eu quero, como prefeito, comprar espaços nos hospitais particulares para poder tratar os pacientes da capital mineira.  E isso, com o orçamento da cidade, que é um dos melhores do Brasil. Só para a saúde temos R$ 4,5 bilhões. Isso é mais do que o orçamento de Uberlândia e de Contagem juntos para todos os serviços. E com cerca de 1% a 2% do orçamento, entre R$ 45 milhões e R$ 90 milhões, isso será possível. Aliás, tem dinheiro para fazer muita coisa, o que falta é planejamento, criatividade e execução.

Qual o papel de Belo Horizonte no desenvolvimento do Estado? Como fortalecer o papel de protagonismo da Capital na economia mineira?

Belo Horizonte precisa voltar a assumir seu protagonismo. Há potencialidades extraordinárias nas áreas de cultura, gastronomia, shows, eventos, seminários. E de turismo de saúde. As pessoas que vêm se tratar em Belo Horizonte deixam riqueza na cidade e isso é um grande potencial. Também temos um potencial extraordinário para ser referência em turismo de eventos, mas precisamos de um centro de eventos e de pró-atividade nas ações. Precisamos de um prefeito que atraia eventos de todo tipo e espécie, como forma de movimentar nossos hotéis, bares e restaurantes. Temos 75% do PIB do Brasil a uma hora e meia de distância e aproximadamente 7 a 8 milhões de pessoas em um raio de até 3 horas. Ou seja, temos um potencial enorme para receber pessoas. Como diria Titãs, “a gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte”.

Impossível pensar no turismo de Belo Horizonte, sem falar do Carnaval, que ganhou força nos últimos anos. Temos um grande desafio pela frente, em função da pandemia. Como lidar com a situação?

Se tivermos vacina, teremos o Carnaval, se não tivermos, adiaremos o Carnaval, como em todo o Brasil. O Carnaval é importante para Belo Horizonte, para o lazer, para o turismo, para a geração de emprego e renda. Mas temos que fomentar outros eventos na cidade, que tem um potencial extraordinário para o turismo religioso e cultural. Temos condições de fazer o melhor São João fora do Nordeste. Precisamos de um novo centro de eventos e uma nova referência para eventos de rua, o que inclui recuperar o centro de Belo Horizonte, em vistas de transformá-lo novamente em um lugar para grandes shows, eventos e feiras. E isso não é gastar dinheiro da Prefeitura, mas permitir que a iniciativa privada faça e fortaleça este processo. Eu quero que as pessoas trabalhem em Contagem, em Betim, mas venham fazer lazer e gastar dinheiro e gerar emprego e renda aqui. Acredito nesta âncora de eventos, que passa pelo Carnaval, mas passa também por grandes shows, grandes cultos, eventos católicos e festas. Esse é o nosso destino e é disso que Belo Horizonte vai viver no futuro, junto com o turismo de saúde e com as empresas de ciência e tecnologia.

Neste sentido, quais suas propostas para a área de inovação?

Nós temos que diminuir a questão tributária para igualar com as cidades vizinhas e não continuar perdendo empresas. Precisamos preparar as pessoas, trazendo a academia de volta para a cidade, com cursos voltados para a área e fortalecer toda a cadeia de ciência e tecnologia, biotecnologia, nanotecnologia e robótica. Para isso, aproveitar o processo de revitalização e requalificação do centro de Belo Horizonte e permitir que estas empresas e escolas se instalem ali com diferenciação tributária.

Qual o lugar de Belo Horizonte no futuro?

O lugar de Belo Horizonte no futuro é de uma cidade acolhedora, receptiva, que usa sua gastronomia, sua capacidade de acolher, sua centralidade, sua localização geográfica, o fato de ser a capital de um Estado com mais de 20 milhões de pessoas e está no centro econômico do Brasil, para receber pessoas. Uma cidade de ciência, tecnologia, inovação, educação e saúde. De shows, eventos, de turismo e de gastronomia. Uma cidade que receba bem as pessoas, que as acolha e seja um grande polo de desenvolvimento, em conjunto com as cidades do entorno.