Lula tem 37%, e Flávio Bolsonaro, 30% no primeiro turno; Cury chega a 10%, aponta Quaest
O presidente Lula (PT) tem 37% das intenções de voto no primeiro turno das eleições 2026, e o senador Flávio Bolsonaro (PL), 30%, segundo pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (2).
Trata-se do primeiro levantamento nacional feito pelo instituto após o início oficial da campanha eleitoral. O cenário é de praticamente estabilidade em relação à rodada anterior, divulgada no dia 14 de agosto, quando o petista (38%) estava à frente do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (31%).
O escritor Augusto Cury (Avante) marca 10%, subindo 8 pontos percentuais desde o último levantamento. O candidato chamou atenção na segunda-feira (31), após subir nove pontos percentuais -de 2% para 11%-na pesquisa BTG/Nexus, aparecendo atrás apenas de Lula e Flávio.
Apesar de mostrarem avanço, a atual pesquisa Quaest não é diretamente comparável à anterior, já que houve uma substituição do candidato Leonardo Avalanche (PRTB) por Pablo Marçal.
Em duas semanas, de 16 a 29 de agosto, Cury ganhou cerca de 2,5 milhões de seguidores no Instagram, segundo relatório do Instituto Democracia em Xeque (DX). Campanhas adversárias levantaram suspeitas de que a equipe do médico teria pagado influenciadores para fazer propaganda, o que o marqueteiro de Cury, Sergio Lima, negou em entrevista à reportagem.
Renan Santos (Missão) marca 3%. Ronaldo Caiado (PSD), ex-governador de Goiás, e Romeu Zema (Novo), ex-governador de Minas Gerais, têm 1% cada, assim como Samara Martins (UP). Indecisos são 11%, e 7% afirmam que vão votar em branco, anular ou não votarão.
O influenciador Pablo Marçal é uma das novidades da pesquisa e marca 1%. Apesar de estar inelegível até 2032, ele obteve a concessão de uma medida liminar na Justiça Eleitoral de São Paulo para se filiar ao PRTB e registrou sua candidatura à Presidência da República.
O caso será julgado pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral), mas o pedido é visto como uma tentativa de tumultuar o pleito e tende a ser rejeitado, segundo dois magistrados da corte e interlocutores de outros dois. O tribunal já decidiu que o empresário não poderá acessar recursos do fundo eleitoral, participar de debates e aparecer no horário eleitoral em redes de rádio e televisão.
No cenário sem Marçal, ocorre pouca variação.
Foram entrevistados 2.004 eleitores com 16 anos ou mais de forma presencial, em todo o país, de domingo (30) a terça-feira (1º). A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. A pesquisa foi contratada pela Globo e está registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o código BR-07065/2026.
Lula marca 42% na simulação de segundo turno, ante 41% de Flávio Bolsonaro, cenário de empate técnico. Em 14 de agosto, o mandatário e o senador também apareciam tecnicamente empatados com, respectivamente, 43% e 40% das intenções de voto.
O presidente vence na simulação com Caiado (42% a 37%), Zema (44% a 33%) e Renan Santos (43% a 36%). A pesquisa anterior já apontava que o petista derrotaria os candidatos do PSD (44% a 37%), do Novo (45% a 34%) e do Missão (44% a 36%).
A campanha de Lula é afetada pelas investigações da Polícia Federal contra Fábio Luís Lula da Silva, um dos filhos do presidente, por suspeita de tráfico de influência. Conhecido no debate público como Lulinha, Fábio é apontado pela PF como beneficiário indireto da ação da lobista Roberta Luchsinger, que tentava obter benefícios na venda de medicamentos ao Ministério da Saúde.
Lula tem defendido as investigações contra o filho. Em entrevista à Record, o presidente afirmou que nenhum cidadão está acima da lei, que Fábio será punido caso seja culpado e que a PF tem independência para investigar Lulinha.
“Eu não sou um presidente que tenta proibir investigação. Eu não ameaço mandar ministro embora. Eu não ameaço punir delegado. Investigue-se. E todo mundo tem o direito de provar se é inocente. Se isso acontecer, eles serão perdoados”, disse Lula.
O mandatário também afirmou, em entrevista ao Jornal Nacional, que não haverá intervenção do governo na apuração do caso. Assim, o presidente busca se contrapor ao governo de Jair Bolsonaro, que acumulou denúncias de interferência para proteger seus filhos, inclusive o senador Flávio Bolsonaro.
A revelação de que Flávio Bolsonaro pediu dinheiro a Daniel Vorcaro, do Banco Master, para financiar o filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro, tem desgastado a campanha do senador. A descoberta mais recente sobre o caso é a de que o ex-banqueiro fez um repasse adicional de US$ 1,6 milhão (R$ 8,5 milhões na cotação da época) ao fundo responsável por administrar os recursos para a produção.
A informação foi publicada pela revista piauí nesta terça (1º), com base em relatório do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras). O repasse, segundo a reportagem, foi feito ao Havengate Development Fund em 16 de setembro de 2025, quando já eram conhecidas as suspeitas sobre o Master.
Com o novo pagamento, o total repassado por Vorcaro teria passado de US$ 10,6 milhões (R$ 54,9 milhões em valores atuais) para US$ 12,3 milhões (R$ 63,7 milhões).
Embora tenha negociado com Vorcaro os repasses para o filme por meio de mensagens trocadas com o ex-banqueiro, Flávio não respondeu sobre as divulgações feitas nesta terça (1º). “Essas informações eu não tenho como saber porque eu não trato disso. Tem que perguntar para a produtora. Desculpa”, disse.
Conteúdo distribuído por Folhapress
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