Crédito: REUTERS/Amanda Perobelli

Rio – O demissionário presidente-executivo do Banco do Brasil, Rubem Novaes, vai continuar no governo e ocupará função de assessoria no Ministério da Economia, informou uma fonte do governo próxima ao assunto.

Novaes, que apresentou pedido de demissão com efeito a partir de agosto, deve assumir a posição de diretor de programa da Secretaria Especial de Fazenda, do Ministério da Economia, função ocupada pelo economista Caio Megale, que confirmou à Reuters que deixará o cargo. Caberá a Novaes articular conversas e tratativas com empresários do eixo Rio-São Paulo.

“Rubem continuará no time, ligado ao Ministério da Economia. Ele já não aguenta mais Brasília e não tolerava mais as relações da capital federal”, disse a fonte, que pediu anonimato.

Novaes assumiu o BB logo no início do governo e foi um defensor da privatização do banco público, mas o desejo sempre esbarrou na vontade do presidente Jair Bolsonaro.

“O Novaes ainda tem muito a contribuir”, acrescentou a fonte. O BB informou na sexta-feira (24) sobre o pedido de demissão de Novaes apresentado ao presidente Bolsonaro e ao ministro da Economia, Paulo Guedes, válido a partir de agosto, “em data a ser definida”. O nome do substituto ainda não foi anunciado.

Procurado, Novaes não respondeu às tentativas de contato.

O economista Caio Megale, que chegou a ser cotado ao cargo de secretário do Tesouro –posto assumido recentemente por Bruno Funchal no lugar de Mansueto Almeida– revelou que deve voltar à iniciativa privada, onde já atuou.

Baixas – A saída de Megale e Novaes são as mais novas baixas na equipe econômica do governo Bolsonaro. O ex-secretário de Comércio Exterior Marcos Troyjo foi recentemente para a presidência do banco dos Brics (NBD), e Mansueto anunciou em junho que deixaria o Tesouro após cumprir um período de transição.

Apesar de tantas trocas, a fonte do governo garantiu que a área econômica não está sendo enfraquecida.

“O Mansueto ficou um ano em meio no governo além do combinado. Ele tinha se comprometido a dar um apoio de até seis meses durante a adaptação do novo governo. Já estava nos planos”, disse a fonte.

“Não perdemos o Troyjo. Na verdade, ganhamos com o deslocamento para o banco dos Brics. A estratégia do governo é com ele lá alavancar as vendas para a Ásia, em especial a China. No primeiro semestre desse ano para cada US$ 1 que o Brasil exportou para os EUA, exportou ao mesmo tempo US$ 3,4 para a China”, afirmou a fonte.

“Se fizermos as coisas direito, nossos negócios com a Ásia podem deixar o Brasil rico. Vamos buscar cada vez mais saídas para o pacífico”, acrescentou. (Reuters)

Dino envia ofício a Bolsonaro por pacto

Brasília – O governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), enviou um ofício ao presidente Jair Bolsonaro ontem em que pede a ele que realize uma reunião para que ocorra um pacto no País em defesa do emprego.

“Considerando este cenário desafiador, gostaria de sugerir uma reunião liderada por V. Exa. com os governadores e os presidentes das confederações empresariais e centrais sindicais para que possamos construir um ‘Pacto Nacional pelo Emprego’, com medidas emergenciais de geração de emprego e renda”, disse Dino.

No documento, ao qual a Reuters teve acesso, Flávio Dino – um dos governadores oposicionistas mais críticos a Bolsonaro – menciona que a pandemia do novo coronavírus impôs desafios sem precedentes a governantes de ordem humanitária, sanitária e econômica.

O governador maranhense citou o cenário de retração econômica prevista para 2020, o aumento do desemprego e uma entrevista dada por um secretário do Ministério da Economia em que antecipa que haverá aumento da taxa de desemprego no segundo semestre.

“Penso que precisamos planejar com urgência medidas para evitar o cenário projetado pela citada autoridade federal”, afirmou Dino.

A Reuters buscou um comentário do presidente com a Secretaria de Comunicação, mas não recebeu uma resposta de imediato. (Reuters)