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Uma das mais importantes escolas de negócios do mundo, FDC chega aos 45 anos

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A FDC é uma referência no mundo como escola de negócios | CRÉDITO: DIVULGAÇÃO

A Fundação Dom Cabral (FDC) chega aos 45 anos se transformando e acompanhando as transformações pelas quais passam o Brasil e o mundo. A cada novo ciclo, uma nova FDC mais forte e atual. Ao mesmo tempo, a FDC histórica, consistente e inovadora. Com uma trajetória repleta de conquistas que vão de rankings e certificações a milhares de alunos, centenas de professores, 23 associados regionais em todo o País, e o mais recente título, de 2020, da 9ª melhor escola de negócios do mundo, de acordo com o jornal inglês “Financial Times”.

Em entrevista ao DIÁRIO DO COMÉRCIO, o presidente-executivo da FDC, Antonio Batista da Silva Junior, falou sobre a trajetória da escola de negócios, o importante papel transformador da educação, dos desafios e das oportunidades impostas pelos cenários passados, presentes e futuros.

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Várias atividades serão realizadas ao longo dos próximos meses para celebrar os 45 anos da instituição. Entre elas, grandes nomes do cenário político, empresarial, ambiental e social, se reunirão para inspirar e mobilizar a sociedade brasileira para a construção de um novo projeto para o Brasil. O tema ESG, sigla usada para se referir às melhores práticas ambientais, sociais e de governança, também será contemplado na programação comemorativa.

Crédito: Léo Drumond / FDC

O que destacar dessa trajetória de 45 anos?

É um marco importante que nos obriga a pensar para trás e para frente. A FDC construiu uma trajetória muito relevante no cumprimento de sua missão de desenvolver a sociedade através da educação de executivos, empresas, líderes e empreendedores. Trabalhar com educação é um privilégio, pois por meio dela é possível fazer a diferença na vida das pessoas e das organizações. A Fundação cresceu com esse mote. E embora seja uma escola de negócios, não faz a educação como negócio, mas como paixão, com brilho nos olhos e com vontade de querer transformar positivamente a sociedade. A escola busca a excelência no que faz, trabalha com conhecimento, mas nunca teve a pretensão de ser detentora desse conhecimento. Para nós, o conhecimento está no mercado, nas organizações. Somos uma ponte entre o mundo acadêmico e o mundo corporativo. Nosso trabalho é codificar, decodificar e entregar de uma maneira organizada esse conhecimento para os atores que, de fato, fazem as mudanças necessárias para a sociedade avançar. A FDC tem um nível internacional, apesar das raízes mineiras. Sempre buscou o melhor nas parcerias internacionais, aprendendo com escolas de fora e até hoje mantém o relacionamento com escolas do mundo inteiro. É uma troca do Brasil para o mundo e do mundo para o Brasil.

De que maneira a FDC contribuiu, ao longo destes anos, para a transformação da sociedade e do ambiente corporativo?

A FDC nasceu em meados dos anos 1970, em pleno Milagre Econômico, em meio à expansão da economia brasileira. A escola surgiu no momento em que as empresas brasileiras se expandiam; o Brasil tinha taxas de crescimento de dois dígitos e as organizações precisavam formar seus quadros gerenciais. Foi a época de expansão de diversos setores e a Fundação, instalada em Minas Gerais, conseguiu dar apoio e sustentação à construção desse cenário. O segundo marco importante foi na década de 1990, quando houve um salto da FDC de Minas para o Brasil. A sociedade brasileira era muito fechada e veio o fenômeno da globalização, que abriu a economia. Naquela época, a Fundação foi um importante agente de formação de competências empresariais, no sentido de alargar a mentalidade do executivo brasileiro, de fazê-lo pensar a internacionalização, a estratégia, novos conceitos de gestão, de competitividade, de alianças e parcerias, de marketing corporativo e de finanças, contrapondo o estilo brasileiro aos modelos internacionais. Na mesma época, a própria escola passou por um processo de internacionalização. Parcerias foram sendo estabelecidas e perduram por décadas, como Insead na França, Kellogg nos Estados Unidos. Foi também um período de muitos lançamentos: programas de gestão avançada, MBA e Paex\ (plataforma de gestão). Depois, na virada do século, o marco foi a inauguração do Campus Aloísio Faria, em 2001. Foi o campus que consubstanciou a organização como uma grande escola de negócios no Brasil e no mundo. Logo em seguida, a escola começa a figurar nos rankings internacionais e muitas conquistas vieram a partir daí. Nosso posicionamento, desde então, é sempre figurar entre as dez ou as 20 maiores escolas do mundo, de maneira consistente. Por fim, de cinco a dez anos para cá, a FDC tem procurado ter um protagonismo social mais forte e isso marcará a sustentabilidade daqui para o futuro. Marcará o papel da FDC e o impacto que ela vai trazer para as empresas que também estão sendo estimuladas a ter uma atuação mais sustentável.

Quais foram os principais desafios enfrentados desde a fundação?

A FDC tem inúmeros desafios. O primeiro é se manter atualizada, importante e relevante para a sociedade. Isso é muito caro para a instituição. Ninguém pode passar incólume pelos bancos da FDC. Um executivo precisa se sentir tocado; um jovem tem que se sentir transformado; e uma organização deve ver sua estratégia evoluir. E para se manter relevante de maneira contínua daqui para frente, a Fundação precisará seguir investindo em conhecimento, pesquisa, time e reputação. Tudo isso é importante para dar utilidade ao conhecimento gerado. Não queremos simplesmente fazer ciência, queremos que nosso conhecimento seja útil ao mundo produtivo. Para isso, é importante estarmos abertos para o mundo, para as empresas e demais instituições. Já no campo econômico-financeiro, o foco é a sustentabilidade do negócio, uma vez que nunca tivemos subvenção governamental e o nível de doações é baixo. A gente vive do nosso próprio negócio e para manter o nível de excelência é preciso investir.

E a questão tecnológica?

É o mais recente dos desafios. A tecnologia está reinventando não apenas a educação, mas todos os setores. Mas não acho que tecnologia é tudo. O desenvolvimento tecnológico ocorre desde os anos 1980, a pandemia apenas escancarou e trouxe elementos novos. A educação executiva vai para onde forem as organizações, que vão para onde for a sociedade, num grande movimento de impacto mútuo. A sociedade está se transformando e vem cobrando das organizações um novo papel. No século XX houve a primazia do resultado, da performance e da gestão. No século XXI está sendo a primazia da governança e uma necessidade de integração entre performance e progresso: performance para a empresa e progresso para a sociedade. Acho que talvez, finalmente, a gente vai celebrar os ideais da Revolução Francesa, que prezava por igualdade, liberdade e fraternidade. Hoje é inadmissível pensar no capitalismo e no desenvolvimento sem considerar os gaps gerados. A sociedade não tolera mais essas discrepâncias. E como a empresa adquiriu um papel muito importante e relevante, existe uma exigência da adoção de um novo papel por parte das organizações: que elas saibam conciliar performance e progresso e os líderes construam legados para a sociedade e não apenas para suas carreiras e empresas. O século XX foi do shareholder; o XXI é do stakeholder.

E em que medida isso impacta as escolas de negócios?

As escolas de negócio vão ter que lidar com esses temas de maneira mais objetiva. As instituições que não se posicionarem de maneira mais ampla estarão fadadas a desaparecer. E a FDC, como quer ser uma escola protagonista e desenvolvedora da sociedade, tem que acompanhar essa evolução e, ao mesmo tempo, estimulá-la. O grande desafio será como incorporar essa temática, como construir programas, conhecimentos, pesquisas e ferramentas para apoiar essa evolução. Outro desafio que estamos nos impondo é o de conseguir levar esse conhecimento à base da pirâmide. Não apenas ao público privilegiado, como empresas e executivos, mas também à base desprivilegiada, que não tem acesso a educação formal, mas que é empreendedora, toca negócios e pode ser formada e crescer. A tecnologia não atrapalha, ajuda.

Mas vai ditar o futuro?

O futuro da educação é híbrido: nem puramente tecnológico, nem puramente presencial. As tecnologias vão permitir a massificação, o acesso e se complementam. Existem três formas de aprendizagem: por conceito, que é transmitido tradicionalmente; pelo desafio concreto do mundo real; e pelo exemplo, que talvez seja um dos principais métodos pedagógicos. E temos que criar um ambiente de educação que traga esses três elementos. A educação vai ter que ser transdisciplinar, não poderá ser só uma escola de negócios voltada apenas para o cognitivo e para as hard skills, vai ter que provocar inteligência emocional, trazer outras disciplinas como arte, filosofia, ciência, política, moral; terá que ser híbrida, com estímulos digitais, mas também com momentos presenciais; e vai precisar ter rigor científico, de pesquisa. Além disso, estamos vivendo um processo de envelhecimento populacional. As pessoas vivem mais e, portanto, têm que aprender coisas novas, porque o conhecimento evolui com muita velocidade. É o life long learning, o aprendizado ao longo da vida. E a FDC se coloca como parceira para o futuro de parceria de aprendizagem ao longo da vida do mais jovem ao pós-carreira, oferecendo soluções educacionais que possam apoiar a todos, sobretudo, trazendo elementos que ajudem as pessoas a lidarem com esse mundo de transformação digital.

Quais as transformações impostas pela pandemia ao modelo de ensino da FDC?

A pandemia era prevista em todos os modelos preditivos dos economistas, mas com baixa probabilidade. E ela veio. É um momento disruptivo, estimulou a colaboração, a troca. No caso empresarial, interferiu na maneira das pessoas se relacionarem com elas mesmas e com as empresas. O comércio, sobretudo, está tomando uma profunda mudança, com a expansão das vendas digitais. Mudaram também os padrões de trabalho, que já vinham em transformação. E a educação. Agora a gente pode levar a educação onde antes não levava e vamos ter que nos adaptar aos processos mais novos, pois a velha sala de aula cederá lugar ao novo, professores e processos pedagógicos terão que se reinventar. Mas, antes de ser uma ameaça, é uma oportunidade.

Essas mudanças casam com o novo papel das organizações?

Se antes a definição de empresa era um ‘agente de produção econômica’, hoje ela caducou. Uma empresa é muito mais um agente de produção de bem-estar social, onde a produção econômica é mais um elemento. Por ser hoje a organização o principal ator do século XXI, até pela reserva de competência, ela também se tornou um agente de transformação social. Essa é a grande cobrança da sociedade que envolve as agendas ESG e Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

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