A macaúba é uma palmeira nativa no Brasil, com forte presença natural em Minas Gerais. Apresenta elevada produtividade em óleo, 10 vezes superior à produtividade da soja e não compete com outras oleaginosas na cadeia alimentar humana.

A estimativa da Organização das Nações Unidas (ONU) é de que, em 2050, a população mundial chegue perto de 10 bilhões de habitantes, o que demandará cada vez mais a produção sustentável de alimentos e energia.

Em Minas, existem pesquisadores interessados no desenvolvimento da palmeira como fonte de matéria-prima para a indústria química e de biocombustíveis (biodiesel, bioquerosene e diesel verde). No Laboratório de Ensaios de Combustíveis da Universidade Federal de Minas Gerais (LEC-UFMG), os trabalhos envolvem alunos de graduação, mestrado e doutorado. 

No laboratório são testados novos catalisadores, processos mais simples, eficientes e de menor custo, bem como novas matérias-primas, além de desenvolvimento de produtos que permitem o aproveitamento integral da planta. A instituição tem uma patente registrada no Instituto Nacional da Propriedade Intelectual (Inpi) e parceria com pesquisadores do Brasil e do exterior.

Em Viçosa (Território Caparaó) há estudos relevantes sobre a domesticação da palmeira, gerando conhecimento sobre germinação, plantio, manejo, maturação do fruto e colheita, no Departamento de Agronomia da Universidade Federal de Viçosa (UFV).

Um dos nomes mais conhecidos desse trabalho no Brasil é o professor Sérgio Motoike, que lidera as pesquisas da Rede Macaúba de Pesquisa (Remape). Essa rede reúne especialistas da própria UFV e de outras instituições de ensino e pesquisa com resultados animadores.

Existem pesquisas em desenvolvimento na Universidade Federal de Uberlândia (UFU), no Triângulo Norte, e no campus da UFMG em Montes Claros (Território Norte). Nesta região há apoio à agricultura familiar em uma parceria com a cooperativa local, que faz a colheita e o esmagamento dos cocos da macaúba.

O óleo produzido na região é destinado à fabricação de cosméticos e também ao biodiesel, na usina da Petrobras. Ainda na UFMG estão em andamento pesquisas para produção de carvão ativado a partir do endocarpo (parte dura em volta da semente) do coco de macaúba.

A especialista Vânya Pasa explica que é difícil contabilizar os pesquisadores da macaúba, mas que existem várias frentes de trabalho. “Com uma infraestrutura multiúso a ser compartilhada, como é o caso do nosso laboratório, há uma tendência de crescimento. O grande desafio é escalonar o conhecimento gerado até agora”, revela.

Outras frentes – No Território da Mata, o projeto Plataforma de Bioquerosene e Renováveis da Zona da Mata é liderado pelo presidente da Curcas Diesel Brasil, Mike Lu. O empresário sino-brasileiro se juntou aos municípios da região, inclusive Juiz de Fora, por meio do coordenador de Projetos Jackson Moreira (Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Turismo) e do empresário Orlando Arruda, das empresas Entaban Brasil e Agropecuária Serra das Flores.

Essa união sinaliza com o plantio de milhares de palmeiras da macaúba para recuperar áreas degradadas, preservar nascentes, gerar matéria-prima para a indústria química e de aviação. A região tem a expectativa de se transformar em polo de produção e beneficiamento.

Na iniciativa privada, atualmente, destaca-se a Soleá, em João Pinheiro (Território Noroeste). A empresa realiza experiência com o plantio da macaúba em larga escala. Outras iniciativas foram registradas também com as empresas Paradigma e Entaban.

No Brasil foi criada a Rede Brasileira de Pesquisas em Bioquerosene e Hidrocarbonetos, mas não foram aportados recursos para os trabalhos experimentais. Existem pesquisas em outros grupos, ainda em fase inicial, já que ainda demandam tecnologias.

Neste caso, os resultados são menos expressivos se comparados aos conseguidos com o biodiesel. A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) também tem vasto volume de conhecimentos gerados sobre a macaúba e seus óleos.