Turismo

Vai viajar? Entenda como funciona a Ficha Digital de Hóspedes que acaba de entrar em vigor

Com o novo sistema, o registro em hotéis, pousadas e hostels passa a ser eletrônico, padronizando dados e agilizando o check-in
Vai viajar? Entenda como funciona a Ficha Digital de Hóspedes que acaba de entrar em vigor
Crédito: Maarten Van Slu

A Ficha Nacional de Registro de Hóspedes (FNRH) digital passou a ser obrigatória em todo o País a partir dessa segunda-feira (20) e mudou o processo de check-in em hotéis, pousadas, hostels e outros meios de hospedagem. O registro, que antes era feito em papel, agora deve ser preenchido e armazenado de forma eletrônica, com envio de dados em ambiente digital.

Desde que o sistema ficou disponível, segundo o Ministério do Turismo, mais de 3,4 mil estabelecimentos já aderiram à plataforma, com 1,71 milhão de fichas preenchidas no novo formato.

A mudança vale para todos os meios de hospedagem cadastrados no Cadastur e tem como objetivo padronizar informações, reduzir filas e permitir maior integração com órgãos públicos. Para o turista, o principal impacto está na forma de preencher os dados antes ou no momento da chegada ao hotel.

Como funciona na prática?

O novo sistema permite que o hóspede preencha a ficha digital antecipadamente, de forma on-line. O acesso pode ser feito por link enviado pelo hotel, leitura de QR Code ou dispositivo disponibilizado no local. O procedimento é semelhante ao check-in de voos, com envio prévio de dados pessoais e confirmação na chegada.

O preenchimento pode ser feito com a conta Gov.br, método considerado preferencial pelo Ministério do Turismo. Nesse caso, os dados são validados automaticamente e não há necessidade de assinatura física. Ainda assim, a autenticação não é obrigatória: o hóspede também pode inserir as informações manualmente.

O que o turista precisa informar?

Entre os dados exigidos estão informações pessoais básicas, documento de identificação, período da hospedagem e outros dados utilizados para registro obrigatório do visitante. O sistema valida as informações em tempo real e, caso haja inconsistência, a ficha é rejeitada até a correção.

Para quem viaja com crianças ou dependentes, o cadastro deve ser feito pelo responsável. Os dados ficam vinculados à conta e podem ser reaproveitados em hospedagens futuras, agilizando novos check-ins.

Estrangeiros também utilizam o sistema

Hóspedes estrangeiros não precisam de CPF nem de conta Gov.br. O registro é feito com dados do passaporte ou documento internacional, em módulos disponíveis em inglês e espanhol.

E se o hóspede não tiver acesso à internet?

Nesses casos, o preenchimento pode ser feito com auxílio da recepção. O hotel continua responsável por garantir o envio correto das informações ao sistema. O uso de QR Codes no saguão ou envio prévio do link é recomendado para evitar filas, principalmente em grupos grandes.

De acordo com o advogado e presidente da Comissão Especial de Direito do Turismo, Mídia e Entretenimento do Conselho Federal da OAB, Marco Antonio Araujo Jr., a mudança acompanha uma tendência global de digitalização no setor.

“A ficha digital de hóspedes não é apenas uma atualização tecnológica, mas uma transformação estrutural na forma como o turismo se organiza e se relaciona com o poder público. Ela traz mais transparência, segurança jurídica e eficiência operacional para todos os envolvidos”, afirma.

O especialista destaca que, para o turista, a principal vantagem será a agilidade. “Do ponto de vista do turista, a expectativa é de uma experiência mais fluida e segura. O preenchimento antecipado de dados, por exemplo, pode reduzir significativamente o tempo de espera na chegada ao hotel. Além disso, a padronização das informações contribui para evitar erros e retrabalhos”.

O que muda na chegada ao hotel?

Com a ficha digital preenchida previamente, o processo de check-in passa a ser mais rápido. Na prática, o hóspede apenas confirma os dados e recebe a chave ou acesso ao quarto. O modelo também elimina a necessidade de impressão e arquivamento físico das fichas, que passam a ser armazenadas digitalmente.

Segurança e proteção de dados

Segundo o Ministério do Turismo, o sistema foi desenvolvido em parceria com o Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) e segue a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). As informações são armazenadas em ambiente criptografado e controlado. A responsabilidade legal pelo envio e pela veracidade dos dados é do meio de hospedagem.

Obrigatoriedade e fiscalização

A adesão ao modelo digital é obrigatória para estabelecimentos cadastrados no Cadastur. A regularidade no envio das fichas passa a ser vinculada ao cadastro do empreendimento. Hotéis que não se adequarem podem receber notificações e sanções administrativas, além de ficarem irregulares perante a fiscalização.

Para o viajante, a orientação é verificar se o hotel enviou o link da ficha digital antes da viagem e preencher os dados com antecedência. Isso reduz o tempo de espera na chegada e evita retrabalho no balcão.

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