Paralisação das atividades devido à pandemia interrompeu avanço do turismo em BH | Crédito: Divulgação

Chegada mais uma eleição municipal, é chegada a hora de muitos encontros setoriais, trabalhadores e empresários reivindicando suas necessidades e muitas promessas vindas dos candidatos. Ao longo da última década, Belo Horizonte estabeleceu uma política para o fortalecimento da cadeia turística, buscando desenvolver, inclusive, novas vocações além do turismo de negócios.

E, quando tudo parecia ir bem, 2020 chegou com a maior crise sanitária do mundo em mais de 100 anos. A Covid-19 paralisou – imediatamente – todas as atividades da cadeia turística, que reúne mais de 50 segmentos. E, se nada será como antes no pós-pandemia, qual papel o turismo deverá exercer e quais políticas públicas para o setor o(a) prefeito(a) que será eleito(a) pensa em desenvolver?

Mantendo a tradição, o DIÁRIO DO COMÉRCIO perguntou para as entidades ligadas ao turismo “O que vocês querem? O que esperam do(a) próximo(a) prefeito(a)?”. E fomos aos candidatos e candidatas e consultamos seus planos de governo para saber “O que você promete?”. Resta saber se eles(a) vão conseguir se entender.

Reconhecido pela Unesco, em 2016, como Patrimônio Cultural da Humanidade, o Conjunto Arquitetônico da Pampulha é grande atrativo para turistas brasileiros e estrangeiros | Crédito: Divulgação/PBH

O que eles querem?

Alexandre Brandão, presidente da Associação Brasileira de Agentes de Viagem de Minas Gerais (Abav-MG)

“Espero do novo prefeito de Belo Horizonte, principalmente, responsabilidade, parceria e um trato com a população da cidade, mais respeito com ela. Menos falácia e mais ação. Precisamos que a população seja tratada com muito respeito e os interesses da cidade estejam acima dos interesses pessoais. Para isso a nossa associação está disposta a ser parceira daquele(a) candidato(a) que for eleito(a)”.

Jair Aguiar Neto, presidente do Belo Horizonte Convention & Visitors Bureau (BHC&VB) e presidente do Visit BH

“Nós da cadeia produtiva do turismo esperamos que o(a) novo(a) prefeito(a) de Belo Horizonte faça investimentos consistentes para a captação de turistas para que a promoção do destino Belo Horizonte seja feita de forma efetiva para o setor de turismo e para o setor de eventos. Afinal de contas, o nosso setor de eventos está parado desde março e completamente abandonado pela atual gestão pública”.

Ricardo Rodrigues, presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes de Minas Gerais (Abrasel-MG)

“O que a Abrasel espera do(a) novo(a) prefeito(a) de Belo Horizonte é um diálogo melhor, maior e esperamos uma cidade mais fácil de se empreender e melhor pra se viver. Estamos falando isso com todos(as) os(as) candidatos(as), para que tenhamos uma Belo Horizonte melhor, para o segmento empreender e trazer bons frutos para a cidade”.
Thiago Fonseca, diretor da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis – Minas Gerais (Abih-MG)

“A hotelaria foi impactada de uma forma sem precedentes com a pandemia. Em Belo Horizonte e na região metropolitana isso não foi diferente. 12 hotéis já comunicaram o encerramento das suas atividades. Os que estão em funcionamento estão tomando prejuízo. Para uma retomada precisamos do apoio do governo, seja federal, estadual ou municipal. Podemos citar que precisamos de apoio na votação da MP 948 e uma redução de ICMS e ISS. No âmbito municipal, nosso principal pedido é a redução do IPTU ou parcelamento para que a gente consiga passar por essa fase difícil”.

O que eles prometem?

Alexandre Kalil – PSD

“Estruturação e desenvolvimento de produtos e territórios do turismo, de forma a incrementar a oferta e estimular o aumento da taxa de permanência no destino, articulando ações integradas de promoção e marketing, com municípios do entorno, para fortalecer a atratividade regional da Capital, criando condições favoráveis à sua comercialização por agentes e operadores. Ampliação da relação com o mercado, além de investir na qualificação e formação de agentes do turismo. Fomento do desenvolvimento e estruturação de produtos e roteiros turísticos do segmento da gastronomia e cervejas artesanais, de forma complementar a produtos já consolidados e de outros segmentos da cadeia produtiva do turismo da RMBH”.

Áurea Carolina – Psol

“Temos estudado a elaboração de políticas públicas transversais, que congreguem a educação, cultura, o desenvolvimento social, lazer e esporte, formando um grande guarda-chuva de políticas pela promoção da qualidade de vida, ambiental e do planejamento urbano em BH. É urgente transcender o entendimento de que a Capital só tem vocação para o turismo de negócios. Nosso programa de governo prevê a integração de políticas públicas para melhorar o atendimento à população e otimizar a gestão do setor, fortalecendo os turismos arquitetônico e visual; cultural e histórico da cidade. Também temos estudado formas de fomento ao turismo esportivo, por meio da utilização de espaços como o Ginásio Mineirinho, o estádio Mineirão e a adoção de práticas para fortalecer e regulamentar a atividade”.

Bruno Engler – PRTB

“Em primeiro lugar, gostaria de deixar claro que o turismo como mecanismo de desenvolvimento socioeconômico será tratado com deferência em nosso governo. Diferente do que aconteceu nos últimos anos em BH, faremos grandes parcerias com a iniciativa privada e teremos um diálogo respeitoso com as entidades que representam o setor. A nossa ideia é desenvolver projetos que favoreçam o turismo de negócios em BH e criar um calendário anual de eventos que movimentarão a nossa cidade, sobretudo o comércio e a rede hoteleira”.

Cabo Xavier – PMB

“Consolidar Belo Horizonte também como destino turístico, por meio de ações municipais e de parcerias. Dotar a cidade de infraestrutura e serviços para a boa recepção do turista, visando o crescimento econômico, o desenvolvimento do setor e a geração de renda em benefício da população, de forma integrada com a região. Apoiar um calendário turístico do Município com promoção de locais potenciais e eventos; apoiar os Circuitos de Café, de Cachaça, de Gastronomia etc; aperfeiçoar e expandir a decoração natalina e Réveillon da cidade”.

Fabiano Cazeca – Pros

“Belo Horizonte é uma cidade única quando falamos em sua cultura, arte e gastronomia. Porém, infelizmente, pouca gente desfruta dessas qualidades pela falta de uma política pública de incentivo ao nosso turismo. O mesmo sucesso obtido com o Carnaval, em que antes a cidade ficava às moscas por cinco dias e hoje recebe gente de todo o Brasil e até de outros países, movimentando toda nossa economia, pode ser feito para as outras áreas. Durante a Copa de 2014, o mundo conheceu um pouco de BH, do seu povo acolhedor, e se maravilhou. Vamos fazer com que isto aconteça todos os dias do ano e para tal irei montar uma equipe altamente capacitada”.

João Vitor Xavier – Cidadania

“Identificar e fortalecer a vocação de Belo Horizonte voltada para a cultura, a gastronomia e o turismo da saúde, adotando medidas de fomento a essas atividades; fomentar as vocações de negócios existentes em Belo Horizonte, tais como o polo da moda, polo cervejeiro, polo gastronômico, turismo religioso, turismo de saúde, dentre outros; fomentar o turismo da saúde e a instalação de centros de pesquisa e desenvolvimento de vacinas; e fortalecer o turismo de negócio por meio de eventos de tecnologia e inovação”.

Belo Horizonte integra o seleto grupo de quatro cidades no Brasil reconhecidas mundialmente pela riqueza gastronômica | Crédito: Guilherme Girão

Lafayette de Andrada – Republicanos

“A cidade, embora possua grande potencial para o turismo, com infraestrutura hoteleira moderna e abundante, serviços de qualidade e belezas naturais, gastronomias e arquitetônicas, pouco explora esse segmento. Vamos desenvolver roteiros turísticos, incluindo atrações locais e das cidades circunvizinhas, transformando BH em polo turístico, cultural e gastronômico; criar o Centro de Tradições Mineiras (CTM), espaço para a recepção de turistas e visitantes locais, reunindo gastronomia, música, dança, artes plásticas, audiovisuais e outras manifestações artísticas das diversas regiões do Estado; incrementar a participação de Belo Horizonte em eventos turísticos nacionais e internacionais; apoiar o setor gastronômico com o estímulo à promoção de eventos e a divulgação em níveis local, nacional e internacional; reorganizar, aperfeiçoar, fortalecer e divulgar o calendário municipal de eventos culturais”.

Luísa Barreto – PSDB

“Belo Horizonte tem uma vocação imensa para a economia criativa, como moda, cultura e gastronomia, por exemplo. Precisamos passar a entender esses setores como portadores de futuro e promover políticas públicas para eles. Temos possibilidade para trazer mais eventos além do Carnaval. Grandes festivais de música e gastronomia. Meu planejamento para o turismo está baseado em três pilares: que a gente cuide melhor dos nossos ativos; vejo a possibilidade de trazer grandes eventos para a cidade, hoje temos apenas o Carnaval; pensar BH como parte de uma metrópole, vender nossos atrativos juntos. O turista que vem a Belo Horizonte tem interesse em conhecer Inhotim, em Brumadinho, conhecer Ouro Preto, por exemplo. Precisamos pensar nos circuitos em conjunto para garantir maior tempo de permanência do turista na cidade e na região”.

Marcelo Souza e Silva – Patriota

“Nos últimos 10 anos, nós todos, governo municipal, estadual e sociedade civil organizada, conseguimos dois títulos inéditos de referência mundial para Belo Horizonte: o título de Cidade Criativa da Gastronomia e da Pampulha como Patrimônio Cultural da Humanidade. Mas isso foi esquecido. O belo-horizontino perdeu a referência. Estes títulos somados à vocação de turismo de negócios são de suma importância. Temos um aeroporto que é referência mundial, que é o Aeroporto Internacional de Belo Horizonte; temos outro que ainda precisa definir a destinação, que é Aeroporto da Pampulha; temos um excelente centro de exposições, que é o Expominas”.

Marília Domingues – PCO

“Essa pergunta nos dá oportunidade de falar da nossa política para a cultura e pequenos produtores. Para incentivar os pequenos produtores precisamos construir uma política de crédito para eles, se contrapondo a essa política de invasão internacional da economia. Vemos que o governo Bolsonaro coloca a cultura nos últimos planos. Somos favoráveis ao desenvolvimento da cultura, que a população tenha condições de usufruir dos bens culturais”.

Nilmário Miranda – PT

“Reconhecimento da cultura, turismo e esportes como tripé que dinamiza a economia criativa com grande potencial para a criação de novos mercados geradores de emprego e renda; desenvolver iniciativas que favoreçam o incremento dessas atividades. Valorizar as funções educativas e geoturísticas da geodiversidade do território de Belo Horizonte, incluindo, por exemplo, o apoio à realização de oficinas sobre o tema nos parques; elaboração de roteiros urbanos para apreciação de elementos da geodiversidade; elaboração/construção de ‘geotecas’ nas escolas com amostras de rochas e à produção de cartilha ou material informativo para escolares”.

Professor Wendel Mesquita – Solidariedade

“Reestruturar e ampliar Centros de Atendimento ao Turista e a Central de Informação Turística; estabelecer roteiros turísticos integrados com cidades históricas próximas a Belo Horizonte; incentivar o turismo gastronômico e de moda; promover o turismo de negócios e atrair mais eventos; implantar sinalização turística oficial em Belo Horizonte; aprimorar o guia turístico e o calendário de eventos; articular a oferta de cursos profissionalizantes para a economia do conhecimento, do turismo e da economia criativa; qualificar áreas estratégicas do comércio e da gastronomia para que Belo Horizonte se torne, ao mesmo tempo, um grande centro de turismo de negócios, de compras e de lazer, além da geração de emprego e renda”.

Rodrigo Paiva – Novo

“A minha ideia é construir um marco em cada um dos pontos cardeais da cidade. A gente tem que ter projetos inovadores que, obviamente, serão ofertados à iniciativa privada. Além disso, no conjunto arquitetônico da Pampulha, falta uma obra, um hotel projetado pelo próprio Niemeyer. Eu já liguei para Fundação Niemeyer e eles ficaram entusiasmados com a possibilidade de retomarmos o projeto. Pode ser que não seja um hotel, mas um centro de eventos, que é outra área que Belo Horizonte ainda carece de investimentos. Temos várias oportunidades. Não é papel da prefeitura executá-los, mas de viabilizá-los”.

Wadson Ribeiro – PC do B

“Política de valorização turística da tradição vanguardista de BH como a arquitetura modernista e as manifestações artísticas. Ressaltar também o modernismo presente em BH em contraste com o barroco das cidades mineiras do ciclo do ouro ampliando a circulação de turistas entre esses diversos espaços. Criação de cursos de qualificação para guia turísticos com foco em BH e suporte à micro e pequenas empresas que explorem o potencial turístico da cidade”.

Wanderson Rocha – PSTU

“É preciso ampliar o conhecimento turístico voltado para a gastronomia, cultura e história da cidade, isso significa retirar da invisibilidade outros espaços como, por exemplo, mirante de Venda Nova e Praça do Cristo Redentor no Barreiro. Além do investimento nas manifestações culturais como Carnaval, festa junina, tradicionais festas de congado nos bairros, vilas e favelas. Também reconhecer do papel histórico e cultural das comunidades quilombolas; replicar o modelo da feira hippie, que gera cerca de 10 mil empregos, descentralizando para os bairros; e investir nas estruturas físicas dos parques municipais. Criação de novos parques municipais, estações ecológicas; florestas urbanas, com o apoio da população”.