Tricô mineiro responde por 70% da produção nacional e impulsiona feira que celebra 30 anos em BH
Minas Gerais não é apenas um polo tradicional da moda, é protagonista. Segundo a coordenadora da Feira de Malhas de Tricô Sul de Minas, Dayhana Nicoleti, cerca de 70% de toda a produção de tricô do País tem origem no Estado. O dado ajuda a dimensionar a força de um setor que, além de carregar identidade cultural, movimenta a economia, gera empregos e se reinventa a cada coleção.
É nesse contexto que a Feira de Malhas de Tricô Sul de Minas chega aos 30 anos como uma das principais vitrines do segmento no Brasil. Mais do que um evento de vendas, a feira se consolidou como ponto de conexão entre indústria, varejo e consumidores, refletindo tendências e o comportamento de um mercado que equilibra tradição artesanal e inovação.
Criada em 1996 por quatro empreendedores de Jacutinga, Carlos Grossi, Zé da Nica, Toninho Rafaelli e Nicola Antunes, a iniciativa nasceu com foco na valorização da produção local. Três décadas depois, reúne quase cem expositores, principalmente de Jacutinga e Monte Sião, cidades reconhecidas como polos do tricô, e já ultrapassou a marca de 3 milhões de visitantes em sua trajetória.
Leia também: Festa Portuguesa de BH ganha novo endereço; veja local e data
Ao longo dos anos, o evento acompanhou as transformações do setor têxtil. Se antes o tricô estava mais associado a peças básicas e sazonais, hoje aparece alinhado às tendências globais, com design autoral, novas modelagens e uso crescente de tecnologia nos processos produtivos. A combinação entre escala industrial e características artesanais tem sido um diferencial competitivo importante, especialmente frente à concorrência de produtos importados.
Além do impacto direto nas vendas, com média de 150 mil peças comercializadas por edição, a feira também tem papel relevante na geração de empregos. São cerca de 350 postos diretos a cada realização, sem contar as vagas indiretas em áreas como montagem, logística e serviços.
“A feira também é democrática e prática. Temos produtos para todos os gostos e estilos, desde o tricô mais tradicional até peças alinhadas às tendências atuais. E vamos além do tricô, com a comercialização de bolsas de couro legítimo e outros itens que complementam o guarda-roupa”, afirma Dayhana Nicoleti.

Segundo a coordenadora, a diversidade também se reflete nos preços e no perfil do público. As peças de tricô variam de R$ 39,99 a R$ 500, com tíquete médio em torno de R$ 300, o que amplia o alcance do evento. “Recebemos consumidores de diferentes cidades e perfis, o que mostra a força e a capilaridade da feira”, destaca.
Para a temporada outono-inverno 2026, a aposta está em uma cartela de cores que mistura sofisticação e versatilidade. Tons terrosos, bordô e fúcsia ganham destaque, compondo a chamada paleta de neutros aquecidos, tendência que deve dominar as vitrines e dialogar com diferentes estilos de consumo.
A edição comemorativa deste ano será realizada entre os dias 8 e 17 de maio, no Minascentro, em Belo Horizonte, período estratégico que antecede o Dia das Mães. Antes disso, no dia 28 de abril, o evento promove um lançamento para convidados, com café da manhã e desfile apresentando as tendências outono-inverno 2026.
Ouça a rádio de Minas