O Mercado de Origem será uma central da agricultura familiar - Divulgação

ANA AMÉLIA HAMDAN

O Grupo Uai, que atua no ramo de shoppings populares, começa a dar corpo a um grande projeto para produção e comercialização de mercadorias agrícolas orgânicas e artesanais. O primeiro empreendimento do grupo nesse ramo é o Mercado de Origem, que terá investimento total de R$ 60 milhões e ficará localizado às margens da BR-040, no bairro Olhos D´Água, em Belo Horizonte. O espaço deve ser parcialmente inaugurado no segundo semestre de 2019, com a entrega total prevista para o início de 2020. Mas o plano do Grupo Uai prevê também a produção de orgânicos em fazendas urbanas e, para tal, já foram adquiridas áreas em Ribeirão das Neves, Nova Lima e Serra da Moeda, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH).


Com previsão de reunir ao menos 300 produtores familiares e cooperativas, o Mercado de Origem – inspirado em mercados europeus – será gerido pela Fundação Doimo, do Grupo Uai. O espaço será uma central de produtos da agricultura familiar para comercialização no varejo e atacado de mercadorias como café, queijo, carne, fruta, bebida, doce e artesanatos.


A pedra fundamental do empreendimento foi lançada no último dia 6. O espaço, que abrigava um motel e está sendo reformado, terá cinco pavimentos, totalizando 40 mil metros quadrados. Na primeira fase, serão liberados 14 mil metros quadrados. O mercado contará também com estacionamento para 1.200 veículos.


Segundo o vice-presidente da Fundação Doimo, Bernard Martins, será oferecida capacitação a pequenos produtores rurais para que aprimorem a comercialização de seus produtos e possam se tornar empreendedores. Ele explica que esse tipo de treinamento já é oferecido a comerciantes da área urbana e será adaptado aos produtores rurais.

Expansão – O projeto prevê que o Mercado de Origem chegue a outros estados. Terão prioridade aqueles onde o Grupo Uai tem atuação, sendo eles Bahia, Pernambuco, Amazonas, São Paulo e Rio de Janeiro, além do Distrito Federal. Além disso, há projeto para incentivar exportações, já tendo sido feitos contatos empresariais com a China.


Segundo Martins, a produção nas fazendas urbanas já teve início, mas ainda não há comercialização. Em Ribeirão das Neves, em área de 200 mil metros quadrados, a produção está focada em hortifrútis totalmente orgânicos. A propriedade de Nova Lima, de 200 mil metros quadrados, também se destinará a essa produção. Já na fazenda na Serra da Moeda, de 400 mil metros quadrados, está sendo produzido o própolis verde.


A Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG) é parceira do projeto. Presidente da Emater-MG, Glênio Martins explicou que foi firmado um acordo de cooperação técnica com a Fundação Doimo. “Faz parte das atribuições da Emater contribuir para a comercialização dos produtos agropecuários e da agricultura familiar”, diz.


Segundo ele, a Emater irá atuar principalmente identificando empreendimentos aptos a comercializar seus produtos no mercado. Essas mercadorias podem ser alimentos in natura ou processos de origem animal e vegetal.


Orgânicos – Martins ressalta que há necessidade de espaço para comercialização desses produtos, tanto que a empresa já vem recebendo o contato de pessoas interessadas em aderir ao projeto. “Ao longo do tempo, a produção mineira artesanal vem ganhando espaço, notoriedade e demanda”, afirma ele, citando como exemplos o queijo, o azeite, os vinhos e as cachaças. Além disso, segundo Martins, a demanda por produtos orgânicos vem crescendo de 20% a 30% ao ano no País.


Ele explica que os produtores rurais costumam vender tais mercadorias em suas cidades e região, sendo que o Mercado de Origem – próximo da Capital e de cidades da região metropolitana – abre mercado. Essa aproximação pode levar, inclusive, ao aumento da margem de lucro dos produtores.