Pacote federal alivia preço do diesel em Minas, mas alta de 7% em um mês ainda pressiona
Após o governo federal adotar medidas para conter a alta do diesel, os preços recuaram 1,8% em Minas Gerais, saindo de R$ 7,21 na segunda semana de abril para R$ 6,90 na última semana. Entre as iniciativas, o governo zerou o PIS/Cofins sobre o combustível e criou dois subsídios: R$ 1,20 por litro para o diesel importado, dividido entre União e estados, e R$ 0,80 por litro para o produto nacional, ambos previstos até maio com custo total estimado em R$ 14 bilhões.
Ainda assim, o mercado não conseguiu conter a disparada do preço após a crise internacional provocada pelos ataques de Israel e dos Estados Unidos ao Irã, que levou ao bloqueio da principal rota de escoamento do petróleo no mundo. Em apenas um mês, preço médio de revenda do combustível no Estado saltou de R$ 6,61 para R$ 7,08, alta de 7,1%.
Em Belo Horizonte, o preço do diesel comum acumulou alta no mesmo patamar que o Estado, saindo de R$ 6,44 para R$ 6,90 em 30 dias. Embora permaneça abaixo da média estadual, a alta do combustível na Capital impacta setores como transporte coletivo e o abastecimento urbano de mercadorias, que seguem com custos pressionados desde o início do conflito.
O economista e docente do curso de Gestão e Negócios do UniBH, Fernando Sette Júnior, explica que a alta de mais de 7% no diesel em Minas Gerais em apenas um mês também se explica por um repasse relevante ao longo da cadeia de combustíveis após o reajuste promovido pela Petrobras nas refinarias em março. Além disso, o avanço observado não decorre apenas da refinaria.
“Parte do salto é resultado da combinação entre custo de reposição mais alto, margens ajustadas por distribuidores e revendedores e fatores regionais de logística. Como Minas é um estado grande, fortemente dependente do transporte rodoviário e com circulação intensa de mercadorias, qualquer pressão adicional sobre distribuição tende a aparecer com rapidez no preço final”, acrescenta.
Os conflitos no Oriente Médio também possuem peso importante nesse resultado, já que impactam diretamente a percepção de risco sobre a oferta global de petróleo e derivados. Segundo o economista, a partir do momento que o mercado internacional passa a temer interrupções em rotas estratégicas, ataques a instalações ou dificuldade de escoamento na região, o barril sobe e os derivados acompanham esse movimento.
“Como o diesel é um produto muito sensível ao mercado internacional, qualquer tensão geopolítica de grande porte rapidamente pressiona os preços de referência e encarece o custo de reposição no mundo inteiro, inclusive no Brasil”, argumenta Sette Jr.
Alta no diesel afeta múltiplos setores e combustível segue refém do conflito global
A alta nos preços tende a afetar setores que dependem do transporte rodoviário, tanto para receber insumos quanto para distribuir produção. O economista pontua que o agronegócio, a indústria de alimentos, o varejo, o atacado, a construção civil, a mineração e boa parte da indústria de transformação estão entre os mais afetados.
“Em Minas Gerais, esse impacto tende a ser ainda mais perceptível porque o Estado tem forte peso de cadeias produtivas que movimentam grandes volumes por estrada. Quando o diesel sobe, encarece não apenas o frete de longa distância, mas também a logística interna entre cidades, centros de distribuição, fábricas e pontos de venda”, detalha Sette Jr.
Para os próximos meses, o cenário mais provável é de manutenção de volatilidade elevada, ainda muito dependente da evolução do quadro geopolítico internacional. Na projeção do economista, se o conflito no Oriente Médio continuar pressionando o petróleo ou gerar novos receios sobre oferta e rotas marítimas, o diesel pode permanecer em patamar alto ou até sofrer novas pressões.
Por outro lado, há espaço para uma acomodação, caso o cenário internacional melhore e o petróleo recue. “Se a tensão externa perder intensidade, o repasse doméstico pode enfraquecer e os preços podem estabilizar ou até ceder parcialmente, embora isso nem sempre aconteça com a mesma velocidade da alta”, finaliza Sette Jr..
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