Endividamento das famílias atinge nove em cada dez lares de BH
O endividamento das famílias segue elevado e se consolidou como um fenômeno estrutural tanto em
Embora haja variações mensais, o patamar de endividamento permanece alto e o comprometimento da renda é prolongado: as dívidas consomem, em média, cerca de um terço do orçamento mensal das famílias e se estendem por mais de oito meses.
De acordo com as Estatísticas Monetárias e de Crédito divulgadas na segunda-feira (27) pelo
Em março, a taxa média de juros do crédito livre às pessoas físicas permaneceu elevada, em 61,5% ao ano, apesar do recuo mensal de 0,4 ponto percentual (p.p.).
Com juros tão altos, a inadimplência no crédito total do
“Com esse cenário, a expectativa é que o endividamento das famílias brasileiras e mineiras se mantenha em patamar elevado, apesar de haver alguma tendência de queda, ainda bem contida. A inadimplência, por sua vez, apresentou leve recuo recente, mas ainda atinge uma parcela muito expressiva da população. Mais de 60% das famílias de
Como mitigar o problema
O grande desafio é reduzir o nível de endividamento e a inadimplência, mas não são as únicas frentes de atuação. O mercado também precisará melhorar a qualidade do uso do crédito. “O equilíbrio entre acesso ao crédito, renda compatível e planejamento financeiro é fundamental para evitar o agravamento da inadimplência e permitir uma recuperação mais sustentável do consumo e da economia”, afirma Gabriela Martins.
No primeiro trimestre de 2026, 89,5% das famílias belo-horizontinas estavam endividadas, 62,6% estavam inadimplentes e 23,8% não teriam condições de pagar suas dívidas em aberto. Entre as principais modalidades, 95,8% das famílias endividadas tinham algum compromisso com cartão de crédito e 28% com carnê.
As dívidas em atraso entre as famílias belo-horizontinas somam, em média, 60,4 dias, e o endividamento compromete, em média, 8,3 meses de renda. Além disso, 33% da renda mensal é comprometida, em média, com o pagamento de dívidas na capital mineira.
Ações e acesso
Segundo o
O cartão foi o principal fator de superendividamento das famílias, fenômeno impulsionado sobretudo pela facilidade de acesso ao crédito e pelos juros rotativos dessa modalidade.
Diante desse cenário, o governo federal começou a avaliar medidas para reduzir o endividamento das famílias, como a unificação de dívidas de cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal em um único contrato, com possibilidade de desconto significativo nos juros, além do uso do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (
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