Guerra afeta custo do transporte marítimo e preocupa setor mineral
A instabilidade ocasionada pela guerra no Oriente Médio em rotas estratégicas já provoca um efeito cascata no transporte marítimo global, elevando custos de exportadores e importadores, incluindo brasileiros. Produtos de baixo valor agregado, como o minério de ferro, estão mais expostos à situação, o que liga um alerta para o setor mineral.
Na última semana, a Usinas Siderúrgicas de Minas Gerais (Usiminas) sinalizou preocupação com a pressão dos custos logísticos, sobretudo a alta do frete marítimo, que afeta principalmente seu braço de mineração, a Mineração Usiminas (Musa). O grupo disse que espera impactos relacionados a esse cenário neste trimestre.
De acordo com o especialista em logística internacional e negociações internacionais, o professor de relações internacionais do Ibmec BH, Frederico Martini, em decorrência do conflito já ocorrem fortes ajustes de preços no transporte marítimo, revisões de contratos de compra e venda de mercadorias ou em termos de tempo de entrega dos produtos, multas contratuais por não cumprimento e cancelamentos de viagens.
Ele afirma que, diante do “abre e fecha” do Estreito de Ormuz, armadores têm alterado rotas para fugir da zona de guerra ou até mesmo suspendido o atendimento a alguns destinos. Para cobrir riscos operacionais, também estão aplicando, de forma inegociável, a sobretaxa EBS (do inglês, Emergency Bunker Surcharge), que incide sobre o valor final do frete.
Segundo Martini, a taxa EBS começou a ser cogitada globalmente no fim de março e, desde então, sofreu aumentos drásticos. “Já tem valores aplicados para contêiner, por exemplo, acima de US$ 400”, diz o professor, pontuando que o custo adicional varia e em casos mais específicos já chega a US$ 1.500 por contêiner.
O especialista ressalta que, embora os embarques de minério de ferro do Brasil nem sempre passem pelo Estreito de Ormuz, há um remanejamento geral de navios por razão do conflito, afetando outras rotas e aumentando os custos para o setor. Ele salienta que qualquer taxa extra, como a EBS, diminui a competitividade de produtos de baixo valor agregado e, consequentemente, tende a afetar a demanda.
“Quando você tem um valor agregado baixo aumentar US$ 1.500 impacta muito na venda do produto no mercado internacional. Então, isso acaba afetando os exportadores e importadores em geral. Não tem muito o que fazer”, explica.
“A variação da EBS ocorre mediante a rota e a disponibilidade de navios por causa dessa instabilidade que está tendo. Alguns navios estão cancelando as rotas, então acaba que vai acumulando carga para os que arriscam fazer determinadas rotas. Enquanto o conflito não finalizar ou não tivermos um acordo iminente, essa taxa será aplicada, e ela vai depender do tipo de carga, do porto de destino, da região e por aí vai”, reitera.
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