Combustíveis e alimentos pesam menos e inflação desacelera em BH em abril
O mês de abril foi mais suave e pesou menos no bolso do consumidor. Pelo menos é o que indica o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA-BH) de Belo Horizonte, que subiu 0,28% no mês passado, de acordo com a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, Administrativas e Contábeis de Minas Gerais (Ipead).
Esse resultado representa desaceleração tanto em relação ao mês anterior (0,66%) quanto na comparação ao mesmo período de março (0,47%). No acumulado dos últimos 12 meses, o IPCA-BH cresceu 3,41%.
O Índice de Preços ao Consumidor Restrito (IPCR-BH) de Belo Horizonte, que considera o consumo das famílias com renda de até cinco salários mínimos, cresceu 0,46% em abril, resultado menor do que o registrado em março (0,78%) e inferior ao mesmo período de março (0,77%). No acumulado dos últimos 12 meses, o IPCR-BH cresceu 3,35%.
O impacto menor no orçamento das famílias de BH pode ser atribuído à baixa variação de preços dos alimentos, que ficou praticamente estável em abril. A alta do grupo alimentação foi de apenas 0,06% no período. O preço da maioria dos itens caiu, com destaque para alimentos in natura, como carnes e hortaliças (2,13% de queda).
Alimentos industrializados também recuaram (0,96%). Comer fora de casa, em restaurantes e lanchonetes, também ficou mais barato para o consumidor (0,30% de redução). Por outro lado, alimentos em elaboração primária cresceram 3,63% em média, e o leite foi o item que mais pressionou os preços para cima, com alta de 7,19%.
Menos vilões
A alimentação e os combustíveis, classicamente apontados como vilões da alta de preços, foram mais sutis com o consumidor em abril. Os combustíveis tiveram alta de 1,61% e impacto de 0,6 ponto percentual na inflação geral do mês, resultado esperado diante do cenário de guerra no Oriente Médio. Ainda assim, o impacto nas contas domésticas foi menor do que se estimava, segundo o gerente de pesquisas da Fundação Ipead, Eduardo Antunes.
“Vimos recentemente outros períodos de forte alta da gasolina, que subiu bastante em março. Ainda teve um pouco de reflexo em abril, mas já dá para observar uma tendência de queda dos preços. O conflito no Oriente Médio aparentemente não afetou tanto do jeito que se imaginava em relação aos combustíveis. A gente vê até agora uma queda de preços grande que deve aparecer nos próximos indicadores de inflação em relação ao combustível, no caso da gasolina”, afirma.
“Outra situação menos esperada e que foi positiva é a da alimentação. Em geral, ela é muito volátil na variação de preços. Mas neste último levantamento o grupo praticamente ficou estável, com dois principais itens registrando queda de preço: os alimentos in natura e os industrializados”, completa Antunes.
Devagar com o andor
Apesar do bom resultado de abril para a população belo-horizontina, não é possível afirmar que o comportamento dos preços da alimentação e dos combustíveis se manterá neste mesmo patamar nos próximos meses. “O cenário inflacionário é um pouco uma incógnita. É difícil prever comportamentos bem definidos ao longo de um período”, diz Eduardo Antunes, da Fundação Ipead.
“Não se pode indicar que a queda ou alta dos preços aconteceu por uma baixa ou maior volume de consumo. Provavelmente a população também sofre com essas variações em outros setores, que acabam gerando um efeito cascata e levam à redução do consumo de alguma forma. Veja um exemplo: o café está tendo uma queda de preços porque teremos uma safra grande que vai suprir todo o problema de abastecimento que tivemos há dois anos. E com volume grande de produtos no mercado, haverá uma reflexão no preço final”, explica o pesquisador.
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