Safra maior reduz preços e impulsiona consumo de café no País em 2026
Após enfrentar quatro anos desafiadores, a indústria do café tem expectativas positivas para 2026. Com uma previsão de safra maior no Brasil, os preços do café recuaram e estão mais acessíveis aos consumidores, o que tende a estimular a retomada do consumo. Além disso, as empresas, produtores e entidades representativas do setor seguem trabalhando para uma produção de café de qualidade e garantindo a segurança alimentar.
Durante o seminário “Defesa do consumidor de café: o papel das entidades públicas e privadas”, realizado em Belo Horizonte pela Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), o presidente do Sindicato da Indústria de Café do Estado de Minas Gerais (Sindicafé-MG), Sérgio Meirelles Filho, explicou que a expectativa é de preços mais competitivos para o café ao longo do ano, o que já vem favorecendo o consumo.
“O preço do café nas prateleiras caiu de R$ 60 a R$ 80 por quilo para menos de R$ 30, representando uma queda substancial. Essa redução, combinada com a melhoria da qualidade do café, deve impulsionar o consumo. A expectativa é que a queda de preços se mantenha, e talvez caia um pouco mais, devido à previsão de uma das maiores safras de todos os tempos, após quatro anos de frustração climática”.
A colheita em Minas Gerais, que começou agora em maio, com a entrada do café no mercado em junho, deve contribuir para a estabilização ou até mesmo para uma queda adicional na cotação do grão. Conforme a primeira estimativa para a produção de café em 2026, elaborada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Minas Gerais tende a colher 32,4 milhões de sacas, volume 25,9% maior em comparação ao volume da safra anterior. Para o Brasil, a estimativa é de recorde, com a colheita de 66,2 milhões de sacas, alta de 17,1% frente a 2025.
Além dos preços mais competitivos, o consumo de cafés também cresce devido ao maior interesse dos jovens, aos diversos tipos de cafés especiais e de modos de preparo e consumo. Segundo o presidente do Sindicafé-MG, o consumidor está mais consciente e exigente e há uma nova geração que valoriza a origem, as certificações e os processos de preparo.
Essa geração também busca saúde e produtos naturais e está diminuindo o consumo de álcool e aumentando o de cafeína, vendo o café como uma alternativa natural e revigorante a bebidas energéticas e isotônicos.
“O mercado de café comercial cresce cerca de 2% a 2,5% ao ano, enquanto o de cafés especiais tem um aumento de 15% anualmente. Essa tendência é impulsionada por uma nova geração de consumidores, especialmente jovens, que buscam produtos naturais e de qualidade. O café é a segunda bebida mais consumida no mundo e a segunda commodity mais comercializada em volume financeiro, atrás somente do petróleo”.
Meirelles ressalta que a retomada do consumo é muito importante para a indústria e para as economias de Minas Gerais e do País e que os cafeicultores e a indústria seguem em busca de um produto cada vez melhor.
“Minas Gerais é o maior produtor de café do Brasil, respondendo por 50% da produção nacional. Se fosse um país, o Estado seria o maior produtor mundial. As indústrias brasileiras representam 35% de todo o café torrado no País e há uma crescente demanda por café sustentável e com certificações. O Brasil possui as melhores práticas de proteção ambiental e do trabalho entre os países produtores, com leis rigorosas que não são encontradas em outras nações”, explicou Meirelles.
Meirelles, que também é cafeicultor na região da Chapada de Minas e na Região da Mantiqueira, destaca que apesar da queda dos preços, os produtores seguem remunerados, uma vez que haverá mais volume de café para comercializar.
“Este ano, espero colher uma safra 2,5 vezes superior à do ano passado. Embora o preço da saca de 60 quilos tenha caído de R$ 2,5 mil para R$ 1,8 mil, o aumento da produção compensa a diferença, resultando em maior faturamento”.
Brasil precisa agregar valor ao café
O presidente da ABIC, Pavel Cardoso, ressaltou que a cadeia do café deve seguir unida e em busca do desenvolvimento do produto, por isso, a entidade tem realizado eventos com parceiros, onde estão presentes representantes dos produtores, da indústria e do setor supermercadista. Ele defende que é preciso agregar valor ao café, pois apesar do Brasil ser um grande produtor do grão, o País detém apenas 3,45% da receita total movimentada com o café torrado no mercado interno e nas exportações.
“Como pode um país que produz 40% do café do mundo ficar com um pouco mais de 3% da receita movimentada? O caminho para resolver isso se chama agregação de valor, não apenas dentro do Brasil, mas fora do País também. Para exportarmos os nossos cafés industrializados e assim estreitar esse gap tão importante, a gente tem que produzir cada vez com mais excelência. Por isso, eventos como esse seminário são um marco importante para a indústria nacional conseguir levar os nossos cafés de alta qualidade e também os tradicionais – que crescem essa nota de qualidade ano a ano – para fora do Brasil”, analisa.
Ainda conforme Cardoso, outro ponto favorável para ampliar a comercialização de cafés industrializados é o acordo celebrado entre a União Europeia e o Mercosul.
“Com o acordo, o Brasil passará a acessar esse mercado de 720 milhões de pessoas com os nossos cafés industrializados. A indústria nacional está preparada e com movimentos do setor, como esse seminário em Minas Gerais, a gente dá sinais claros de como poderá ser a participação do Brasil nas próximas décadas. É fazer valer o tema de que nós somos o País do café, não apenas em produção, mas também na geração de riqueza da que o Brasil participa ao redor do mundo”, finaliza.
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