Economia

Insumo do asfalto sobe e preocupa setor de construção pesada

Reajuste ocorreu no dia 1º de abril, em meio à alta internacional do petróleo, em função das tensões no Oriente Médio
Insumo do asfalto sobe e preocupa setor de construção pesada
Reajuste do cimento asfáltico chegou a 21,1% em Minas, segundo Cadar Filho| Foto: Divulgação EPR

O setor de construção pesada sinaliza preocupação com o aumento nos preços do cimento asfáltico de petróleo (CAP), cenário que pode afetar o andamento de obras. Diante da alta nos custos, empresas devem buscar o reequilíbrio econômico-financeiro de contratos.

O principal insumo utilizado na produção de asfalto foi reajustado no dia 1º de abril, em meio à alta internacional do petróleo, decorrente das tensões no Oriente Médio. Os conflitos também já provocaram impactos nos preços dos combustíveis.

Conforme o presidente em exercício da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Emir Cadar Filho, a Petrobras elevou, em média, 20% os preços do CAP nas refinarias brasileiras. Na Refinaria Gabriel Passos (Regap), em Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), o reajuste foi de 21,1%.

Também CEO da Cadar Engenharia, ele ressalta que, diferentemente de outros setores que conseguem repassar a elevação de custos quase que instantaneamente para o consumidor, o de construção pesada sofre com a insegurança e a volatilidade do mercado. Isso porque o reajustamento dos contratos do segmento ocorre, geralmente, de forma anual.

Cadar Filho explica que, no caso de uma alta como a do CAP, as empresas podem solicitar o reequilíbrio contratual. O executivo afirma que o setor tem que lutar por isso o quanto antes, uma vez que a guerra no Oriente Médio impacta a cadeia inteira e pode provocar aumentos em outros insumos, como o aço, além de novos reajustes no cimento asfáltico de petróleo.

Embora exista a possibilidade de pedir para reequilibrar os contratos em razão da alta nos custos, ele ressalta que não é certo que a requisição será atendida. Se o contratante entender que não houve desequilíbrio, o contratado terá que esperar pelo reajustamento.

Emir Cadar Filho
Foto: Diário do Comércio / Thyago Henrique

Segundo o executivo, a construção pesada está acostumada a lidar com esse tipo de situação, que não tende a comprometer as expectativas positivas do setor. Contudo, o cronograma de várias obras é afetado, já que algumas empresas podem paralisar os trabalhos aguardando pelo reajustamento contratual. Às vezes até mesmo o contratante pede para que o ritmo das intervenções diminua, informando que não vai reequilibrar o contrato.

“‘As empresas vão parar por isso?’ Não vão, desde que os contratos sejam alinhados ou reajustados. Se estiverem a um ou dois meses do reajustamento, não farão nada. Se acabaram de fazer a renovação, pedirão o reequilíbrio”, pondera.

Taxa de juros e mão de obra também são desafios

Outro desafio para a construção pesada tem sido a alta taxa de juros no Brasil – atualmente em 14,5% ao ano. O presidente em exercício da Fiemg salienta que, nos níveis atuais, a taxa inibe a compra de máquinas e equipamentos. Para ele, se os juros estivessem em patamares mais acessíveis, por exemplo, na casa dos 8%, impulsionaria o crescimento do setor e de toda a cadeia, visto que as empresas seriam capazes de adquirir novas máquinas e equipamentos.

Mais um obstáculo para o setor trata-se da disponibilidade de mão de obra, sobretudo qualificada. Embora destaque o otimismo da construção pesada para os próximos anos em função de concessões rodoviárias e ferroviárias, além de projetos que visam à universalização do saneamento, o executivo teme que faltem pessoas para as obras.

“Temos que abrir o máximo possível escolas de treinamento para capacitar as pessoas, porque postos de trabalho e bons salários vão ter muitos”, afirma, pontuando que o Sistema Fiemg já implementa diversas iniciativas nesse sentido.

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