Hospital da Baleia chega aos 82 anos entre tradição no SUS e histórias sobre a origem do nome
O Hospital da Baleia completa 82 anos mantendo um papel de destaque na rede pública de saúde de Minas Gerais. A instituição, que desde 2023 atende exclusivamente pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), reúne mais de 30 especialidades médicas e recebe encaminhamentos de diferentes municípios mineiros. Ao mesmo tempo, carrega uma curiosidade que atravessa gerações. Afinal, de onde veio o nome “Baleia” para um hospital localizado em um estado sem litoral?
A resposta não é única. Ao longo dos anos, diferentes explicações passaram a fazer parte da memória da instituição. Uma delas relaciona o nome ao relevo da antiga fazenda onde o hospital foi construído, cujo encontro das serras lembraria a cauda de uma baleia. Outra versão diz que a área de aproximadamente três milhões de metros quadrados teria o formato do animal quando vista de cima.
Para Tereza da Gama Guimarães Paes, presidente da Fundação Benjamin Guimarães, responsável pela administração do hospital, a explicação mais próxima da realidade surgiu da convivência de moradores da região. “Nos terrenos existem diversas nascentes que formam córregos. Durante muitos anos, as crianças da região vinham brincar aqui, nos gramados e na mata, para pegar girinos. Então elas diziam umas às outras: ‘vamos lá pegar a baleinha’. Essa história foi passando de geração em geração e, para mim, é a versão mais fiel para a origem do nome”.
Instituição mudou de perfil ao longo da história
Quando foi inaugurado, em 1944, o Hospital da Baleia tinha uma missão bastante específica, oferecer tratamento a crianças diagnosticadas com tuberculose. O projeto foi idealizado pelo industrial Benjamin Ferreira Guimarães, com incentivo do filho, o médico Antônio Mourão Guimarães, e integrou a Cruzada Mineira contra a Tuberculose.
Para construir o hospital, Benjamin destinou 20 milhões de cruzeiros (moeda da época). A unidade foi instalada em um terreno da antiga Fazenda do Baleia, área cedida pelo governo estadual. Além do atendimento médico, as crianças acolhidas encontravam moradia, ensino e um espaço voltado à recuperação.
Com a redução da tuberculose provocada pela introdução dos antibióticos, o hospital ampliou sua atuação. Na década de 1950, tornou-se referência nacional em ortopedia infantil, principalmente no tratamento do chamado “pé torto congênito”. Em 1977, implantou o primeiro curso de pós-graduação médica do Brasil organizado nos moldes da atual residência médica. Já em 1984, deixou de atender exclusivamente o público infantil e passou a atuar como hospital geral. Poucos anos depois, entre 1987 e 1990, aderiu ao modelo de assistência que posteriormente daria origem ao SUS.
Atendimento é mantido exclusivamente pela rede pública
A partir de 2023, toda a assistência prestada pelo Hospital da Baleia passou a ser destinada ao Sistema Único de Saúde (SUS). Atualmente, a unidade oferece atendimento em áreas como oncologia, ortopedia, nefrologia, pediatria, saúde da mulher e tratamento de fissuras labiopalatais, recebendo pacientes encaminhados pelas secretarias municipais de saúde de Minas Gerais.
Mesmo com a atuação voltada integralmente ao sistema público, parte do funcionamento depende de recursos obtidos fora do financiamento do SUS. Segundo a instituição, aproximadamente 25% da receita anual tem origem em doações de pessoas físicas, empresas e emendas parlamentares.
“Nosso único cliente é o SUS. Estamos ampliando nossa capacidade de atendimento graças ao trabalho de uma equipe extremamente qualificada e ao apoio da sociedade. A solidariedade é essencial para que possamos continuar oferecendo assistência humanizada e gratuita para quem mais precisa”, afirma a presidente do hospital.
Quarta geração da família fundadora está à frente da instituição
A administração da Fundação Benjamin Guimarães permanece ligada à família que criou o hospital. Bisneta do fundador, Tereza da Gama Guimarães Paes passou a integrar a Diretoria Financeira em 1999 e assumiu a presidência dois anos depois.
Nesse período, a instituição ampliou iniciativas voltadas ao ensino e à pesquisa, inaugurou o Centrare, centro especializado no tratamento de fissuras labiopalatais, em 2004, e estruturou ações permanentes para ampliar a captação de recursos por meio de parcerias e programas de voluntariado.
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