Economia

Férias de julho e aumento na venda de carros podem incrementar mercado de reparação de veículos

Período de recesso escolar e recorde de emplacamentos aquecem oficinas, mas cenário futuro para o setor ainda divide opiniões
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Férias de julho e aumento na venda de carros podem incrementar mercado de reparação de veículos
Oficinas mecânicas já preveem aumento no movimento devido às férias de julho | Crédito: Reprodução Adobestock

Com o período de férias se aproximando, a procura por viagens para destinos turísticos se intensifica e, com isso, a demanda pelos serviços oferecidos pelo setor de reparação de veículos tradicionalmente tende a crescer. “As férias de julho têm uma demanda maior, mas ainda menor do que no fim do ano”, conta o presidente do Sindicato da Indústria de Reparação de Veículos e Acessórios do Estado de Minas Gerais (Sindirepa-MG), Alexandre Mol Pessoa de Faria.

Ele alerta que a prática de revisões de última é pouco indicada. “Na minha opinião, isso é um erro: o carro deveria estar sempre revisado, e não só quando vai viajar. Achar que só na viagem precisa revisar não é economia nenhuma, é causar problema. A revisão preventiva é muito menos onerosa e muito mais assertiva do que a corretiva”, destaca.

Resultados

Alexandre Mol conta que o desempenho do primeiro semestre de 2026 para a atividade ficou dentro do esperado, já que as demandas se mantiveram constantes. E em relação ao ano passado, o presidente do Sindirepa-MG diz que não tem dados totalmente contabilizados para comparar o período atual com 2025. No entanto, ele afirma que não houve retração, com o setor mantendo uma “constante” de serviços. O motivo: o mercado aquecido de carros vendidos este ano no Estado e no País.

Somente nos primeiros seis meses do ano, foram emplacados quase 442 mil veículos, entre automóveis, comerciais leves, caminhões, ônibus, motocicletas e outros em Minas Gerais. O setor registrou cerca de 116 mil emplacamentos a mais no Estado neste ano, segundo a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). Com essa projeção, a demanda do setor de reparos deve crescer também na avaliação do dirigente.

“Temos possibilidades de crescimento graças aos recordes de venda de veículos. E isso impacta diretamente no nosso negócio. Apesar de as pessoas pensarem: ‘ah, vendeu carro novo’, não há o pensamento de que a pessoa está abrindo mão do usado”, observa. Ele acrescenta que esse veículo usado tende a passar por revisão ou mesmo uma reforma. “Então, quanto mais carro novo se vende, mais carros usados entram para serem reformados, mais pessoas nos procuram. Eles trocam de mão e acabam vindo até nós para fazer uma revisão”, explica Alexandre Mol.

Férias atrasadas

A sócia da Prestige Auto Center, Daniela Fernandes Lage Mota, está preocupada e espera que o movimento das férias possa gerar aumento na demanda no seu estabelecimento, localizado no bairro Alpes, região Oeste de Belo Horizonte.

Segundo ela, o desempenho de 2026 está atípico em relação ao exercício anterior, com redução da procura. “A demanda está bem baixa, o mercado está bem devagar. Não está tendo muito movimento. Inclusive, eu costumo dizer que no ano da pandemia a gente teve um resultado melhor do que este ano”, conta.

Ela diz que a nunca falta demanda para a prestação de serviço. “Sempre é um mercado que tem procura, que tem giro, mas este ano está bem diferente. Você pode pesquisar com outros parceiros também, outras pessoas do mesmo segmento, que provavelmente terão a mesma percepção”, completa.

Chineses

A sócia da Prestige Auto Center observa que a entrada de marcas chinesas no mercado brasileiro pode tirar demanda das oficinas. “A gente trabalha com veículos premium, muitos dos nossos clientes estão trocando as marcas Land Rover, BMW, pelos modelos chineses novos. Então, eles estão trocando os veículos usados pelos novos das marcas chinesas”, diz.

Ela acrescenta que muitas marcas de carros chegaram ao País nos últimos dois anos, com valores acessíveis. Dessa forma, a manutenção acaba perdendo espaço por causa da assistência técnica oferecida pela concessionária, durante o período de garantia, que vai de três a cinco anos.

Sobre o autor

Anderson Gonçalves

Jornalista desde 2002, especialista em Projetos Editoriais e campanhas políticas. Desde 2025 é repórter de economia e negócios no Diário do Comércio.

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