Minas Gerais lidera alta de preços de carros usados no País
Os preços dos automóveis leves usados mantiveram trajetória de alta neste ano no Brasil, e Minas Gerais puxou esse movimento. O Estado registrou a maior valorização mensal do País em junho, com alta de 1,64%, índice quase três vezes superior à média nacional (0,57%) e que contribuiu para o Sudeste apresentar o maior avanço regional no período, de 0,83%. No acumulado de 12 meses encerrados em junho, Minas também lidera o ranking nacional, com alta de 8,48%.
Os dados são do Índice de Veículos Usados (IBV Auto), elaborado pelo Banco BV, que aponta alta acumulada de 3,49% nos preços dos automóveis leves usados entre janeiro e junho deste ano no País, acima dos 1,98% registrados no mesmo período de 2025. Em 12 meses, o indicador nacional acumula avanço de 6,87%.
Segundo o levantamento, modelos com grande participação nas vendas no Estado, como o Chevrolet Onix e o Volkswagen Gol, registraram valorização superior ao dobro da média nacional durante o primeiro semestre, contribuindo para que a região apresentasse o maior aumento de preços do País.
Para o economista-chefe do Banco BV, Roberto Padovani, embora o mercado de usados continue aquecido, já há sinais de uma desaceleração no ritmo de valorização. “O mercado de usados continua em trajetória de valorização, mas em ritmo menos intenso. A leve desaceleração da taxa acumulada em 12 meses sugere que os preços permanecem pressionados, embora já com sinais de acomodação na margem”, afirma.
Apesar da liderança de Minas Gerais na alta dos preços, Padovani avalia que o desempenho não está diretamente relacionado ao crescimento da economia estadual. Segundo ele, as estimativas do banco indicam que o Produto Interno Bruto (PIB) mineiro avançou cerca de 1,5% em 2025, abaixo da expansão nacional, estimada em 2,3%.
Na avaliação do economista, a explicação está mais ligada às condições do próprio mercado automotivo. “A principal explicação está num movimento local de maior procura por veículos usados puxado pelo crédito e pela expansão da oferta”, observa.
O especialista também minimiza a influência do grande volume de veículos provenientes de locadoras, segmento forte em Minas Gerais. Segundo ele, embora isso possa aumentar o número de transações, não explica, por si só, a valorização dos preços. “Veículos de locadora costumam ser vendidos a preços inferiores aos de particulares, em razão do uso mais intenso. A maior presença dessas empresas pode explicar o aumento das negociações, mas não necessariamente a alta dos preços. O descolamento observado em Minas em relação à média nacional é relativamente recente”, explica.
Padovani ressalta ainda que a tabela da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) funciona apenas como referência para os anúncios, enquanto os preços efetivamente negociados normalmente ficam abaixo desse parâmetro.

Alta dos preços foi disseminada pelo País
O levantamento mostra que todos os 27 estados brasileiros registraram valorização dos automóveis usados em junho. Depois de Minas Gerais (1,64%), os maiores avanços acumulados em 12 meses foram observados no Rio de Janeiro (7,2%), Sergipe (7,08%) e Piauí (7,06%). Na outra ponta, Mato Grosso apresentou a menor alta no período (4,34%), seguido por São Paulo (5,27%) e Santa Catarina (5,38%). Regionalmente, o Sudeste liderou a valorização mensal, enquanto o Centro-Oeste teve o menor crescimento, de 0,32%.
Os modelos que mais contribuíram para a alta do índice nacional em junho foram o Renault Kwid, o Volkswagen Fox e o Chevrolet Onix. Em sentido contrário, Honda HR-V, Volkswagen T-Cross e Hyundai HB20 exerceram pressão negativa sobre o indicador.
Segundo o vice-presidente de varejo do Banco BV, Jamil Ganan, o comportamento dos preços demonstra que o mercado está cada vez mais segmentado. “A valorização dos usados continua presente, mas depende cada vez mais das características de cada modelo e das dinâmicas regionais. O comportamento do mercado tem sido menos uniforme e mais sensível às preferências dos consumidores”, diz.
Carros elétricos continuam perdendo valor
Enquanto os veículos a combustão seguem sustentando a valorização do mercado de usados, os modelos elétricos continuam registrando forte desvalorização.
Os automóveis elétricos lançados em 2023 acumulam perda média de 46,1% até junho de 2026. Entre os híbridos, a desvalorização chega a 26,1%, enquanto os veículos equivalentes a combustão perderam, em média, 19,6% do valor no período.
Nos modelos lançados em 2022, a diferença é ainda maior. Os elétricos acumulam queda de 50,5%, ante 19,3% dos híbridos e 13,2% dos veículos a combustão.
Conforme o economista do Banco BV, esse movimento reflete a redução dos preços dos veículos novos, o aumento da concorrência entre montadoras e estratégias mais agressivas de precificação para ampliar a participação no segmento de eletrificados.
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