Da desgraça provocada e ignorada
No momento, como deve ser num país com elite educada, nos preocupa o infernal calor nos países europeus, como Espanha, França, Grécia entre outros, e nos Estados Unidos, onde na Copa fazem um intervalo intermediário para refrescar os jogadores enquanto jogam água no gramado. Em resumo, pelo hemisfério norte o calor infernal, que também o digam os ciclistas do Tour de France, e as queimadas, como nas redondezas de Paris, onde foram destruídos 2.000 há de um dos parques mais lindos da França, Fontainebleau. Na Espanha também os incêndios provocaram destruição e mortes.
Para alguns, a desgraça alheia é refresco e os mais aguerridos nacionalistas no Brasil até dizem que isso é bom para nós que somos grandes e nada nos afeta, ao contrário só podemos ser beneficiados. Engano total, porque pelo estudo patrocinado pela Fapesp, agência de financiamento de pesquisa paulista, nove entre dez cidades brasileiras foram atingidas nos últimos anos pelos desastres climáticos. Assim, 92% dos municípios brasileiros sofreram. E 130 milhões de pessoas, mais da metade de população brasileira, foram afetadas e quase cinco mil pessoas morreram. O prejuízo econômico, sem falar de social, ultrapassou 124 bilhões de dólares ou 620 bilhões de reais.
Há oito meses, a notícia do dia era a COP, conferência do clima em Belém. Alguém sequer lembra o que foi decidido lá, ou melhor, o que não foi decidido? O mundo hoje não coloca mais a questão climática como a prioridade. Os governos relaxaram os padrões ambientais, começando pelos maiores poluidores do mundo, Estados Unidos e China, e estamos em um salve-se quem puder. Os desastres climáticos afetam a população e a economia como um todo. É falso dizer que a agricultura vai ser a mais afetada. A cidades estão sendo destruídas, as geleiras da Suíça estão derretendo, além de que está cada vez mais escassa a água subterrânea. A chamada transição energética não foi suficiente para deter as mudanças.
Na nossa região temos ainda este ano o fenômeno de El Niño, que afeta profundamente as chuvas e períodos secos, fundamentais para o setor agro. Bem, de desastres estamos ótimos, de falha do governo tanto na formulação de políticas de socorro quanto em prevenir, também. Ninguém está discutindo o investimento em infraestrutura, não só no Brasil, ela também está desgastada e sem manutenção, por exemplo, na Alemanha e nos Estados Unidos, para evitar mortes e todos os prejuízos. E no Brasil, está se discutindo ainda menos na campanha sobre o que fazer no futuro.
No nível de prevenção de desastres naturais, temos uma boa infraestrutura técnica e científica. Agora, contar só com o estado, não vai ser suficiente.
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