Com alta no preço internacional, exportações de celulose de Minas Gerais sobem 9,5% no acumulado até julho

O valor das vendas para o exterior chegou a US$ 626,4 milhões e o principal destino foi a China
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Com alta no preço internacional, exportações de celulose de Minas Gerais sobem 9,5% no acumulado até julho
Com fábrica em Belo Oriente, a Cenibra é a principal responsável pelo avanço das exportações de celulose | Foto: Divulgação Cenibra

As exportações de celulose de Minas Gerais totalizaram US$ 626,4 milhões entre janeiro e julho deste ano, o que representa um aumento de 9,5% frente ao mesmo período de 2025, segundo dados da plataforma Comex Stat, do governo federal.

Conforme o vice-presidente do Sindicato das Indústrias de Celulose, Papel e Papelão no Estado de Minas Gerais (Sinpapel), Antônio Baggio, o avanço dos embarques foi motivado por uma alta no preço da celulose de fibra curta branqueada. “O preço internacional reagiu”, afirma. “Ano passado era US$ 470. Hoje está em US$ 565 a tonelada”, acrescenta.

Baggio ressalta que, em outros tempos, a tonelada da celulose de fibra curta branqueada chegou a valer US$ 780, mas o patamar caiu devido à expansão da oferta global. De acordo com ele, o mercado é dinâmico, por isso, não é possível dizer em que nível ficará a cotação no restante de 2026 e, consequentemente, se as exportações continuarão crescendo.

Embarques de Belo Oriente avançam; município abriga a Cenibra

Localizado no Vale do Rio Doce, Belo Oriente respondeu por 57,9% das exportações mineiras de celulose nos primeiros sete meses do ano. O município exportou US$ 362,4 milhões, valor 31% maior na comparação interanual.

Os números indicam que a principal responsável pelo aumento das vendas externas de celulose de Minas Gerais foi a Celulose Nipo-Brasileira (Cenibra), empresa que produz celulose branqueada de fibra curta de eucalipto em Belo Oriente. Conforme Baggio, os dados da Cenibra não são exatamente esses, mas são próximos.

Por outro lado, houve recuo nas vendas externas de Indianópolis, no Triângulo Mineiro. O segundo município do Estado que mais exporta celulose registrou redução de 10,7% no valor exportado, que somou US$ 263,9 milhões.

O levantamento sugere uma retração nos negócios da LD Celulose, empresa que tem fábrica de celulose solúvel em Indianópolis. “A LD Celulose refluiu porque sua celulose além de ter finalidade diferente, deve ter tido parada para manutenção, o que geralmente impacta na oferta ao mercado e no faturamento”, pondera o vice-presidente do Sinpapel.

China é o principal destino da celulose mineira

Disparado o principal destino das exportações de celulose de Minas Gerais, a China importou US$ 331,7 milhões no acumulado de janeiro a julho de 2026. As compras do país avançaram 7,2% ante o mesmo intervalo do ano passado. Baggio ressalta que o valor exportado para o gigante asiático cresceu devido à alta no preço já mencionada.

Em relação aos municípios, os embarques de celulose de Belo Oriente para o mercado chinês aumentaram 54,8%, alcançando US$ 128,3 milhões. Os de Indianópolis, que ainda segue como maior exportador para a China, caíram 10,2%, para US$ 203,4 milhões.

Nos primeiros sete meses deste ano, a Itália ficou em segundo no ranking de maiores compradores de celulose mineira no exterior, ocupando a posição que era dos Países Baixos em 2025. As importações do mercado italiano, todas com origem em Belo Oriente, totalizaram US$ 55,9 milhões, com avanço interanual de 36%.

Sobre o autor

Thyago Henrique

Repórter do Diário do Comércio desde 2022. Jornalista pela Una, eleito entre os 100 mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças (2024) e 3º lugar no Prêmio Riquezas dos Vales (2025)

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