Mulheres ainda investem menos que homens; veja os principais erros na gestão do dinheiro

Especialistas em Belo Horizonte discutem hábitos que dificultam a autonomia financeira feminina e a importância da educação financeira.
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Apesar do avanço da participação feminina no mercado financeiro, as mulheres ainda são minoria no mercado financeiro no Brasil. De acordo com a 9ª edição do Raio X do Investidor Brasileiro, da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), em parceria com o Datafolha, 31% das mulheres brasileiras já são investidoras, ante 41% dos homens.

A diferença também aparece no acesso ao mercado financeiro. Enquanto 69% das mulheres não utilizam ou desconhecem investimentos, entre os homens o percentual é de 53%. Para especialistas que participaram do Encontro D’Elas, realizado pela escola Financial Experts na manhã de terça-feira (11), em Belo Horizonte, parte dessa distância está relacionada a hábitos que ainda dificultam a autonomia financeira feminina.

Para a fundadora da Financial Experts, Luciana Ballesteros, um dos principais erros das mulheres é delegar a administração do dinheiro para outras pessoas. “As mulheres acabam delegando a gestão do dinheiro para um terceiro, para o marido, para o pai, para o irmão, e não olham as próprias finanças”, afirmou. Segundo ela, outro problema é não colocar os investimentos entre as prioridades. “As mulheres cuidam de tantas coisas, casa, filho, trabalho, carreira, em ganhar dinheiro, mas não se preocupam em investir bem este dinheiro”, disse.

A sócia da Portofino, Alice Carsalade, também destacou a importância de desenvolver uma relação própria com o dinheiro. Para ela, um erro comum é seguir estratégias de investimento adotadas por homens da família sem considerar que as necessidades e objetivos podem ser diferentes. “Ela pode achar que aquilo também vai funcionar para ela e isso não necessariamente é verdade”, disse.

Alice Carsalade também apontou o atraso no início da educação financeira como um obstáculo. “O segundo erro, que eu acho que é mais importante ainda, é ela demorar a começar a aprender”, afirmou. Na avaliação da especialista, o tema deveria ser ensinado desde a infância e fazer parte da formação escolar.

Já a CEO da Vos Investimentos e da Ava Invest, Mariella Gontijo, chamou a atenção para a falta de controle sobre os gastos. Segundo ela, o aumento da renda muitas vezes é acompanhado pela elevação do padrão de consumo. “É muito comum a mulher que está ganhando mais dinheiro agora comprar tudo o que quer. A gente estabelece um nível de gasto muito alto e não tem controle do que gasta”, explicou.

Mariella Gontijo também citou a falta de disciplina para investir e a terceirização das decisões financeiras como problemas recorrentes. Para ela, é necessário estabelecer uma parcela da renda para investimentos e manter a regularidade.

A gerente de educação financeira da B3, Maria Luiza Limeres, reforçou que o principal erro é adiar o início. Segundo ela, não é necessário dominar o mercado financeiro para começar. “Não precisa ser perfeito, não precisa conhecer tudo do mercado financeiro para começar a sua jornada de investimento”, afirmou.

Para a gerente da B3, a combinação entre tempo e constância pode fazer diferença na construção do patrimônio. “Usem a constância e o tempo como maiores aliados. Não deixem de investir mensalmente uma parte do seu dinheiro”, finalizou.

Sobre o autor

Juliana Sodré

Repórter do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo pela PUC Minas, com especialização em Imagens e Culturas Midiáticas pela UFMG.

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