Impactos do Super El Niño no agronegócio brasileiro

Entenda como o fenômeno afeta o agro e a segurança alimentar do País
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Impactos do Super El Niño no agronegócio brasileiro
Foto: Reprodução Adobe Stock

O agronegócio brasileiro, setor estratégico para a economia nacional e para a segurança alimentar, encontra-se cada vez mais vulnerável aos efeitos das mudanças climáticas e dos eventos meteorológicos extremos. Entre esses fenômenos destaca-se o Super El Niño, caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial e pela alteração dos regimes de chuva e temperatura em diferentes regiões do planeta. Considerado um dos eventos climáticos mais intensos já registrados, o fenômeno impõe relevantes desafios econômicos, ambientais e jurídicos ao Brasil.

A Constituição Federal de 1988, em seu artigo 225, assegura o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado e impõe ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações. Nesse contexto, os impactos do Super El Niño devem ser analisados à luz dos princípios da prevenção e da precaução, que orientam a adoção de medidas antecipatórias diante de riscos ambientais conhecidos ou potencialmente graves.

Os efeitos do fenômeno não se distribuem de forma homogênea no território brasileiro. A região Sul tende a apresentar chuvas acima da média, favorecendo enchentes, erosão do solo e aumento de doenças nas lavouras. Em contrapartida, parte das regiões Norte e Nordeste pode sofrer estiagens prolongadas e redução da disponibilidade hídrica. Já o Centro-Oeste e o Sudeste, importantes áreas produtoras de soja, milho, algodão e café, podem enfrentar alterações no calendário agrícola, queda de produtividade e elevação dos custos de produção.

As consequências ultrapassam o campo ambiental e alcançam toda a cadeia econômica do agronegócio. A redução da produtividade pode comprometer exportações, elevar preços de alimentos, pressionar o mercado interno e afetar setores de transporte, armazenagem e seguro rural. Pequenos e médios produtores são especialmente vulneráveis, em razão de sua limitada capacidade de adaptação tecnológica e financeira.

Diante desse cenário, o princípio do desenvolvimento sustentável exige a integração entre proteção ambiental, crescimento econômico e inclusão social. Investimentos em agricultura de precisão, monitoramento climático, inteligência artificial, irrigação eficiente e sistemas de gestão de riscos tornam-se instrumentos essenciais para reduzir perdas e ampliar a resiliência do setor.

Assim, o Super El Niño revela que a sustentabilidade do agronegócio brasileiro depende de planejamento estratégico, inovação tecnológica e efetividade das políticas públicas ambientais e agrícolas. Mais do que reagir a eventos extremos, o Brasil precisa consolidar um modelo produtivo adaptável às novas condições climáticas, assegurando competitividade econômica, segurança alimentar e proteção ambiental em conformidade com a ordem constitucional vigente.

Manoel Mário de Souza Barros
Sobre o autor

Manoel Mário de Souza Barros

Diretor-presidente da Academia Latino-Americana do Agronegócio (Alagro), Conselheiro Jurídico e Empresarial da ACMinas, Advogado especializado em Direito do Agronegócio, professor, escritor e doutor em Agronegócio

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