Corrigir o rumo

Queda da Selic para 14% representa avanço ainda insuficiente diante dos juros elevados no País
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Corrigir o rumo
Foto: Adriano Machado/Reuters

Pode ter sido um sinal de cautela diante da conturbada conjuntura internacional, pode ter sido apenas mais um ingrediente num suposto pacote de bondades destinado a adoçar as bocas de quem terá vez e voz no dia da votação no mês de outubro. Estamos falando da anunciada redução na taxa básica de juros, a Selic, desde a semana passada fixada em 14% ao ano, conforme determinação do Comitê de Política Monetária do Banco Central, assunto já comentado neste espaço.

Há quem comemore o quarto corte consecutivo, mas há também quem cuide de lembrar que os juros praticados no País continuam exorbitantemente elevados, mesmo que os burocratas do BC registrem “convergência” com a estratégia de combate à inflação, se furtem ao dever de discutir seu custo e, bem ao seu estilo, cuidem também de lembrar que “o cenário atual é caracterizado por significativo aumento da incerteza”. Traduzindo, o que está ruim sempre poderá ficar pior.

Não parece ter importância e dessa forma merecer alguma consideração também o elementar reconhecimento de que o Estado brasileiro, que carrega uma dívida pública astronômica, acaba sendo o maior e principal pagador de juros, portanto também o maior dos prejudicados. Tudo num processo continuado que drena a seiva vital da economia, congelando assim suas perspectivas de expansão em patamares que melhor respondam a todas as demandas da sociedade brasileira. Também fazem de conta não perceber que se o remédio fosse de fato a melhor das indicações o paciente depois de tanto tempo sob tratamento deveria estar curado.

São os fatos tal como se apresentam, dando razão às entidades representativas do empresariado mineiro, dentre as quais a Federação das Indústrias, que considera desejável a estabilidade de preços, porém com menores custos para a produção, investimentos e empregos. Já o comércio cuida de assinalar que redução de juros significa perspectiva de crédito mais barato, favorecendo o consumo e a confiança de investidores, além da redução também da inadimplência mantida em patamares preocupantemente elevados.

Para concluir e mesmo considerando os argumentos de quem acredita que pressões inflacionárias não devem ser toleradas, persistirá a conclusão de que o País permanece andando em círculos, sem sair do lugar, sem poder avançar, por conta de restrições que no mínimo deveriam estar sendo reavaliadas. Porque é o que sugerem de pronto as bruscas mudanças que vêm ocorrendo na economia global, com virtual desmonte de parâmetros que eram tidos como imutáveis. Cabe compreender, cabe refletir, cabe corrigir o rumo.

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