Abates de suínos avançaram 9,8% no segundo trimestre, enquanto no segmento de bovinos cresceram 1,4% no período | Crédito: Divulgação/IMA

A demanda aquecida pelas proteínas, tanto no mercado interno como no externo, está estimulando o abate em Minas Gerais. De acordo com os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ao longo do segundo trimestre de 2020, frente a igual período do ano anterior, foi registrada alta de 9,8% no abate de suínos, elevação de 1,4% no abate de bovinos e de 3% em frangos. A produção de leite ficou 0,4% maior.

De acordo com o analista de Agronegócios da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg), Wallisson Lara Fonseca, o aumento do abate se deve a maior demanda vista tanto no mercado interno como externo e também em função dos preços que estão valorizados e estimulando os produtores, ainda que os custos de produção também estejam mais altos.

“A demanda por proteína animal está elevada e a tendência é de mercado firme para os produtos. No mercado interno, o pagamento do auxílio emergencial, feito pelo governo federal, tem capitalizado as famílias e, isso, reflete diretamente no setor de alimentos, com destaques para as carnes, leite e derivados. Já em âmbito internacional, a Peste Suína Africana (PSA), que dizimou mais da metade do rebanho chinês de suínos, fez com que o país importasse mais, para suprir a demanda interna. O Brasil e Minas Gerais estão conseguindo aproveitar esse mercado, uma vez que nossa produção tem qualidade, sanidade e competitividade”, explicou.

Os dados da pesquisa “Estatística da Produção Pecuária do 2º trimestre de 2020” mostram que o volume de suínos abatidos em Minas Gerais alcançou 1,55 milhão de cabeças entre abril e junho, aumento de 9,8% frente aos 1,41 milhão de animais abatidos no segundo trimestre de 2019. Em relação ao peso das carcaças, a elevação foi de 6,3% com o peso estimado em 131,2 mil toneladas.

Segundo o levantamento do IBGE, a PSA eliminou grande parte da produção suína da China, o que alavancou as exportações feitas pelo Brasil e por Minas Gerais para o país asiático. No segundo trimestre de 2020, Minas Gerais exportou um volume total de 5,28 mil toneladas de carne suína, aumento de 59,5% frente ao embarcado em igual intervalo de 2019, quando totalizaram 3,31 mil toneladas.

Frangos – Alta também foi verificada em frangos. Ao longo do segundo trimestre, foram abatidas, em Minas Gerais, 108,7 milhões de aves, o que representa um avanço de 3% frente ao mesmo trimestre de 2019, quando o abate abrangeu 105,5 frangos. O peso das carcaças somou 256,6 mil toneladas, aumento de 1,4%.

As exportações de carne de frango também se mantiveram aquecidas no período. Em relação a Minas Gerais, foi verificada alta de 50% nos embarques, que totalizaram 30,6 mil toneladas, ante 20,45 mil toneladas exportadas em igual trimestre de 2019. De acordo com o relatório do IBGE, o aumento dos embarques de carne de frango “ocorre num contexto de persistente incremento de importações de carnes totais para abastecimento do mercado interno chinês, afetado pela queda de oferta de carne suína por conta da Peste Suína Africana”.

Bovinos – Em relação ao abate de bovinos, o mesmo cresceu 1,4% no período, somando 716,6 mil cabeças. O peso das carcaças, 179,68 mil toneladas, ficou 5,6% superior.

O mercado para a carne bovina, assim como o frango e suínos, segue aquecido e estimulado pela demanda chinesa. A exportação de carne bovina feita por Minas Gerais expandiu 20,7%, com o embarque de 44,7 mil toneladas no segundo trimestre de 2020, frente as 37 mil toneladas embarcadas no mesmo intervalo do ano anterior.

Aquisição de leite avança 0,4%

Em Minas Gerais, a aquisição de leite ficou em 1,46 bilhão de litros, variação positiva de 0,4% sobre os 1,44 bilhão de litros registrados no segundo trimestre de 2019. Segundo o analista de Agronegócios da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg), Wallisson Lara Fonseca, a produção de leite segue ajustada à demanda, uma vez que estamos no período de entressafra e houve aumento do consumo.

A alta demanda tem elevado os preços e garantindo certa rentabilidade, ainda que os custos também estejam mais altos, principalmente, com a alimentação do rebanho, que tem como base o milho e a soja.

De acordo com os últimos dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), em julho, o pecuarista de Minas Gerais, recebeu, em média líquida, R$ 1,94 por litro de leite, valor que foi considerado recorde e apresentou alta de 10,09% na comparação com o mês anterior.

“Estamos passando pelo momento de entressafra, quando a oferta de leite é menor. Os preços recebidos pelos produtores estão maiores, porém, os custos também subiram. É importante que o produtor tenha uma boa gestão das fazendas, porque essa demanda maior se deve ao pagamento do auxílio emergencial, principalmente, que não sabemos por quanto tempo será pago”.