As medidas de controle da pandemia afetam a comercialização de hortaliças | Crédito: Divulgação

As medidas impostas para o controle do Covid-19 continuam afetando a comercialização dos itens produzidos pela agricultura familiar em Minas Gerais. Com as restrições em relação às feiras, suspensão das aulas, queda da demanda e redução da renda da população, os produtores precisam ficar atentos à gestão da propriedade e buscar formas de reduzir os custos, além de novas oportunidades de comercialização.

Mesmo com várias medidas adotadas ao longo dos primeiros três meses de isolamento social, como as vendas pelas redes sociais e a retomada das feiras em alguns municípios, de acordo com os dados da Secretaria de Estado da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), de 22 a 26 de junho, a comercialização de produtos da agricultura familiar apresentou situação de normalidade em 56,4% dos municípios do Estado, mas, em 29,3%, houve comprometimento parcial e, em 14,3%, o comprometimento foi efetivo.

Em relação à semana anterior, o cenário apresentou uma melhoria de 1% em relação ao número de municípios com comprometimento efetivo.

Segundo o relatório da Seapa, a queda nas vendas da agricultura familiar ocorreu por alguns fatores, como, por exemplo, a redução da comercialização em Mercados Institucionais – Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae) e Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). Neste canal de comercialização, o comprometimento é de 91,8% e ficou estável em relação ao cenário da semana anterior.

Também houve redução da comercialização em bares e restaurantes e queda do consumo devido à dificuldade de acesso aos mercados e recuo no poder aquisitivo dos consumidores.

Produtos afetados – Na maior parte dos municípios (54,9%), os produtos com maior dificuldade de comercialização são as hortaliças, seguidas por queijos e outros derivados do leite (42,2%), frutas (35,8%), carne e animais vivos (32,6%) e leite (25,6%).

Em relação aos preços pagos aos agricultores, os dados da Seapa mostram que 73,5% dos municípios mantiveram estáveis, em 12,5% houve alta e em 14,1% foram identificadas queda nos preços. Comparado ao cenário do período anterior, apresenta melhora de 1,4% em relação ao percentual de municípios que relataram altas de preços pagos aos agricultores.

O diretor-técnico da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG), Feliciano Nogueira de Oliveira, explica que os produtores da agricultura familiar foram impactados de forma negativa, porém, ao longo do tempo, vem ocorrendo evoluções, mesmo que ainda pequenas, mas importantes para reduzir os prejuízos.

“No início da pandemia, a perda de canais de comercialização foi muito grande; em alguns municípios houve, inclusive, restrições de circulação. Com o passar do tempo e os ajustes, baseados principalmente no programa do governo, o Minas Consciente, alguns prefeitos já estão flexibilizando normas. Em alguns locais, as feiras foram retomadas, claro que seguindo todos os protocolos de segurança para evitar a disseminação do Covid-19. Também em alguns municípios, prefeitos mantiveram as compras de produtos que eram para a merenda escolar e estão distribuindo para as famílias”, explicou.

Ainda segundo Oliveira, a Emater-MG tem trabalhado junto aos produtores para tentar amenizar os problemas e encontrar meios de manter os negócios ativos. Uma das formas encontradas foram as vendas pelas redes sociais e delivery. A tendência é de que estes novos canais continuem ativos após a pandemia.

“Instruímos os produtores na formação de grupos de vendas para os itens da agricultura. Também estimulamos a montarem cestas com produtos variados, de maior valor agregado, como queijos, com hortaliças, frutas e a opção de entregar em casa. Estas iniciativas deram certo e contribuíram para reduzir parte dos prejuízos”.

Compras coletivas – Outras orientações estão voltadas para a gestão das unidades produtoras. Além de buscar formas de reduzir os gastos, as compras coletivas de insumo também têm sido adotadas para que os produtores consigam negociar e obter preços melhores.

“Estamos orientando os produtores e buscando soluções para superar os desafios atuais e manter as famílias na atividade produtiva. É uma situação difícil, estamos vendo o aumento dos casos de coronavírus e a suspensão das atividades novamente, isso pode prejudicar a demanda pelos produtos. Por isso, é essencial que o produtor tenha uma boa gestão dos negócios”, destacou Oliveira.