Entre os produtos mineiros que devem ser beneficiados com o acordo estão as frutas e o café - Crédito: Frederico Celente/Codevasf

O acordo de livre comércio firmado entre o Mercosul e a Associação Europeia de Livre Comércio (Efta), bloco integrado por Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein, quando entrar em vigor, será mais uma oportunidade para os produtos do agronegócio de Minas Gerais. Além do estabelecimento de cotas e isenção de tarifas, o que favorece os embarques, o acordo chancela a qualidade dos produtos nacionais e serve de referência para a abertura de novos mercados. Dentre os produtos do agronegócio que podem se destacar nas negociações estão o complexo carne, frutas, mel, café torrado, farelo de soja, milho, suco de frutas e batata.

O acordo terá de ser votado pelos parlamentos dos países do Mercosul e da Efta para entrar em vigor. De acordo com as informações divulgadas pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), com um PIB de US$ 1,1 trilhão e uma população de 14,3 milhões de pessoas, a Efta é o nono maior ator no comércio mundial de bens e o quinto maior no comércio de serviços. A estimativa é que o acordo Mercosul-Efta irá incrementar o PIB brasileiro em US$ 5,2 bilhões em um período de 15 anos.

A coordenadora da assessoria técnica da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg), Aline Veloso, explica que os países que integram a Efta não fazem parte do grupo da União Europeia (UE) – com o qual também foi firmado acordo de comercialização – mas tem varias ações relacionadas com a UE, o que é muito interessante para Brasil e para Minas Gerais.

“A principal linha do acordo está baseada nas relações comerciais bilaterais especialmente de produtos agropecuários e tem critérios específicos para possibilitar a expansão das exportações do agronegócio para os países. O acordo também prevê a eliminação de 100% das tarifas de exportação dos setores industrial e pesqueiro. Em relação aos produtos agrícolas exportados pelo Mercosul ao bloco, nós teremos concessão de acesso livre de tarifas ou concessões parciais, com cotas para a exportação dos nossos produtos aos países do bloco”.

O novo acordo é considerado importante para expandir as exportações de Minas e do País. Dentre os produtos que poderão ser exportados pelo acordo estão as carnes bovinas, de frango, suína e de peru, mel, milho, frutas e batata. Aline ressalta que Minas é um grande produtor de batatas e tendo as adequações exigidas será possível fazer as exportações.

“O acordo é bastante interessante porque abre possibilidade de expansão das exportações. Quando pesamos nisso, principalmente no segmento de carne, que envolve suínos, bovinos e aves, isso nos garantirá a chancela da sanidade dos nossos produtos e todo o trabalho que vem sendo feitas pelos nossos produtores rurais. E, claro, na habilitação das planas frigoríficas principalmente produtos frescos e refrigerados de carne bovina”.

Fruticultura – Em relação à exportação de frutas, o acordo também é muito interessante para Minas Gerais, abrindo possibilidades de comercialização de abacate fresco, banana, amendoim, citros.

O acordo também prevê a exportação de produtos processados como o farelo de soja, café torrado, melaço de cana e sucos de frutas.

“Os produtos processados têm maior valor agregado, o que é importante. Dentre os países do Mercosul, o Brasil deve encabeçar as futuras embarcações de café torrado e, Minas Gerais, sendo o maior produtor do grão será beneficiado”, disse Aline.

Assim como no acordo com a União Europeia, a Efta também diferencia a caracterização de produtos com origem identificada. As regiões e os produtos que possuem certificações de origem poderão ser identificados e inclusos nas listas de comum identificação das origens.

Outras ações interessantes são de desburocratização dos processos de exportação com cooperação aduaneira, a possibilidade de autoidentificação dos produtos (através de rótulos e embalagens que garantam a rastreabilidade) e de autocertificação.

“Estamos orientando os produtores rurais para que eles tenham um melhor controle e consigam desenvolver as ações priorizando as certificações”, disse Aline.

Ainda segundo a representante da Faemg, a parceira Mercosul e Efta também trata da importância do Acordo de Paris, evidenciando a importância do comércio e do desenvolvimento sustentável.

Exportação de soja deve somar 72 mi de toneladas

São Paulo – A exportação de soja do Brasil em 2019 atingirá 72 milhões de toneladas, estável, ante previsão divulgada em agosto, informou na sexta-feira (6) a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove).

A manutenção na estimativa mensal indica uma queda de 13,5% ante o recorde embarcado em 2018, quando o País exportou 83,26 milhões de toneladas, sendo beneficiado pela forte demanda da China em meio à guerra comercial com os Estados Unidos, de acordo com dados da associação que reúne as principais tradings do setor.

No acumulado do ano até agosto, segundo informações do governo brasileiro, os embarques de soja do maior exportador global atingiram 57,23 milhões de toneladas, queda de 11,4% ante o mesmo período do ano passado.

“A previsão de exportações foi mantida em 72 milhões de toneladas, pois está alinhada com os embarques realizados até o momento”, disse à Reuters o economista-chefe da Abiove, Daniel Furlan Amaral.

A redução na comparação com 2018 ocorre após o Brasil ter colhido neste ano uma safra menor, estimada pela Abiove em 117,6 milhões de toneladas (estável ante previsão de agosto), e também com o impacto da peste suína africana na China, que está reduzindo o rebanho no país asiático, maior importador da matéria-prima utilizada para ração.

“A China continua dando sinais de redução da demanda em relação a 2018 e a guerra comercial (EUA-China) permanece, mas essas fatores já foram incorporamos na projeção anterior”, acrescentou Amaral.

A Abiove não mexeu em tais números em setembro após ter elevado em quase 4 milhões de toneladas a projeção de exportação da oleaginosa em agosto.

A entidade também manteve os números relacionados ao farelo de soja, mas alterou previsões sobre o óleo de soja.

A associação reduziu a projeção de consumo interno de óleo de soja em 100 mil toneladas em 2019, para 8 milhões de toneladas, e elevou as exportações em 100 mil toneladas, para 1 milhão de toneladas.

“Essas alterações decorrem de uma constatação de menor consumo de óleo de soja, exceto biodiesel, e de aumento das exportações de óleo de soja. Os demais itens não tiveram alteração”, informou a Abiove, em nota.

Milho – De outro lado, as exportações de milho do País estão crescentes, devendo somar recordes neste ano.

Em um comunicado separado, a consultoria FCStone elevou sua projeção de exportação do cereal para um recorde de 37 milhões de toneladas em 2019, 1 milhão a mais do que o previsto no mês anterior.

A previsão, divulgada à Reuters na sexta-feira, foi feita após os embarques de milho do Brasil dispararem em agosto, para um novo recorde mensal de 7,65 milhões de toneladas, elevando o total exportado no ano para 23 milhões de toneladas, mais que o dobro do visto nos oito primeiros meses de 2018 (9,19 milhões de toneladas), de acordo com dados divulgados pelo governo no início da semana.

Para a soja, a FCStone manteve previsão para o ano de 71,5 milhões de toneladas. (Reuters)