Atualmente, há estudos em andamento em Minas com o objetivo de elevar a produtividade e reduzir os custos de produção dos azeites - Crédito: Erasmo Pereira

A produção de azeite em Minas Gerais, apesar de menor em 2019, devido ao clima desfavorável, vem ganhando mercado e garantindo rentabilidade para os produtores. A demanda crescente pelo azeite mineiro se deve ao frescor e a alta qualidade. O frescor é o principal diferencial, uma vez que os azeites importados chegam ao Brasil com cerca de dois anos após a extração. O mercado é considerado promissor, principalmente, pelo Brasil ser um dos maiores importadores do produto do mundo. As pesquisas voltadas para o aumento da produtividade e redução dos custos estão em andamento, o que pode contribuir para preços mais acessíveis nos próximos anos.

De acordo com o coordenador do Programa Estadual de Pesquisa em Olivicultura da Empresa de Pesquisa Agropecuária do Estado de Minas Gerais (Epamig), Luiz Fernando de Oliveira, a produção de azeite está indo muito bem. Ele explica que a atividade é nova no Brasil, mas o pacote tecnológico desenvolvido pela empresa de pesquisa tem atendido ao produtor e contribuído para a produção de azeites de alta qualidade.

A primeira extração nacional de azeite ocorreu em 2008, na unidade da Epamig em Maria da Fé, no Sul de Minas. De lá para cá, foram muitas evoluções. “A partir de 2008, quando ocorreram as primeiras extrações, saímos do nada para um realidade, em 2019, com mais de 200 produtores, mais de 1 milhão de plantas, mais de 2 mil hectares plantados e cerca de 60 marcas de azeites”, explicou Luiz Fernando de Oliveira, referindo-se à produção na região da Serra da Mantiqueira.

Em 2018, a produção de azeite na Serra da Mantiqueira girou em torno de 80 mil litros. Do volume total, 70% são produzidos em Minas Gerais e o restante em São Paulo e Rio de Janeiro. Neste ano, a produção foi bem reduzida em função do clima adverso, o que comprometeu a produtividade das oliveiras.

“A safra deste ano foi de 40 mil litros, volume 50% menor em relação ao ano de 2018. A queda foi devido às condições climáticas desfavoráveis, com muita chuva durante o período de floração”, explicou o presidente da Associação dos Olivicultores dos Contrafortes da Mantiqueira (Assoolive), Nilton Caetano de Oliveira.

Azeite gourmet – Ainda segundo o presidente da Assoolive, “o mercado do azeite gourmet está em franco crescimento, com os preços muito atraentes para o produtor. Este fato se deve à qualidade excelente do azeite mineiro”.

Com a demanda em alta, a tendência é de que a produção de azeite em Minas Gerais siga avançando. Para isso, os estudos e pesquisas feitos pela Epamig estão voltados para o aumento da produtividade e para a redução dos custos. Hoje, o vidro de azeite de 500ml é comercializado em torno de R$ 60, enquanto o mesmo volume de azeite importado e de qualidade equivalente é vendido de R$ 30 a R$ 40.

Por ser novidade, ter uma produção reduzida e ser um produto bem diferenciado – já que chega à mesa dos consumidores pouco tempo após a colheita e processamento – a demanda é alta no mercado, o que é importante para garantir a rentabilidade e capacidade de investimentos dos produtores.

“A produção de azeite é atividade muito recente, que ainda precisa de muitos estudos para avançar mais e se tornar mais competitiva em relação a outros azeites. Os estudos estão focados, principalmente, no aumento da produtividade e na diminuição do custo de produção. Isso é importante também para termos preços mais competitivos. Já sabemos produzir e queremos produzir melhor”, disse Luiz Fernando de Oliveira.

Harmonize – Para divulgar o azeite e outros importantes produtos mineiros, a Epamig vai realizar neste mês a segunda edição do Harmonize, evento que oferece degustações comentadas de azeite, vinho, queijo e café.

De acordo com as informações da empresa de pesquisa, a programação tem início amanhã, 8 de agosto, com o tema “Conhecendo os azeites mineiros” abordado pela azeitóloga Ana Beloto. Além de dicas sobre a escolha e conservação dos azeites, também serão abordadas as formas que o produto pode ser utilizado em combinações que vão muito além de saladas e peixes, como, por exemplo, na harmonização com iogurte e doce de leite. Haverá ainda a degustação guiada de três azeites da safra 2019.

Epamig atinge 45 anos focada na inovação

A Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) completou ontem 45 anos. Vinculada à Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), a empresa tem em sua história vários momentos de pioneirismo no desenvolvimento de novas tecnologias, incluindo novas variedades, produtos, metodologias e processos, que permitiram aumentar a produtividade e competitividade no campo e gerar mais renda para o produtor rural.

A agropecuária é um dos pilares que sustentam a economia de Minas Gerais e do Brasil. O Estado lidera a produção nacional de café, com 51,4% do total, e concentra 30% do leite produzido no País. A pesquisa contribuiu para esta posição na geração de tecnologias para a consolidação da cafeicultura em regiões antes consideradas pouco adequadas para a atividade, como o Cerrado e a Chapada de Minas, e na recomendação de gado mestiço adaptado para a região dos trópicos. As inovações também garantiram destaque na produção de grãos, na olericultura, na fruticultura (especialmente a banana no Norte de Minas) e o pioneirismo na olivicultura e na produção de vinhos finos no Sudeste brasileiro.

À frente da instituição há pouco mais de um mês, Nilda de Fátima Ferreira Soares ressalta que a ciência e a tecnologia são fatores essenciais para o desenvolvimento e que a defesa da pesquisa deve ser feita de forma intensa, sobretudo, em momentos de crise.

“O grande desafio que qualquer empresa de pesquisa enfrenta no momento atual é como garantir os recursos financeiros. Não há como fazer pesquisa sem recursos financeiros. A pesquisa é uma ala de ação estratégica dentro de qualquer governo e que não pode, de forma alguma, ser minorada, porque seus resultados vêm em médio e longo prazo”, avalia.

A presidente da Epamig reforça a ideia de que o momento é de foco no futuro e em novas descobertas.

“Se nós não começarmos agora novas tecnologias, novos processos, novos desenvolvimentos, ficaremos atrás do que o mundo busca. É preciso que façamos a defesa da pesquisa, como parâmetro fundamental para o desenvolvimento e a mudança de patamar em qualquer contexto”, alerta Nilda, acrescentando que o trabalho deve ser feito de modo a atender as necessidades reais de produtores rurais e parceiros da extensão rural e das universidades. (Com informações da Epamig).