Na primeira safra, azeite de Minas é eleito o melhor do Brasil em concurso internacional na Argentina

Carcará Blend recebeu a medalha Gran Prestígio Oro e foi reconhecido entre os 20 melhores rótulos do mundo
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Na primeira safra, azeite de Minas é eleito o melhor do Brasil em concurso internacional na Argentina
Foto: Reprodução Instagram Azeite Carcará

Em sua primeira safra comercial, o azeite extravirgem Carcará Blend, produzido na Serra da Mantiqueira, no Sul de Minas Gerais, foi eleito, nessa quarta-feira (23), o melhor do País, com 98 pontos em 100 no Concurso Olivinus 2026, em Mendoza, na Argentina. A marca também ficou entre os 20 melhores do mundo e recebeu a medalha Gran prestígio oro, concedida aos poucos rótulos com pontuação acima de 86.

Atualmente na vigésima edição, o Olivinus é uma competição do mercado global de azeites, figurando entre os principais concursos das Américas e o segundo principal no ranking global do Evoo World Ranking. Este ano, a disputa contou com 525 rótulos inscritos de 217 marcas diferentes de 21 países. No corpo de jurados para avaliação às cegas, estavam 35 especialistas de diversas nacionalidades.

Para a produtora rural e sócia-proprietária do Azeite Carcará, Thaís Junqueira Maciel Campomizzi, a conquista em terras argentinas chega como um misto de surpresa e realização.

“Estamos recebendo uma sequência tão significativa de reconhecimentos pela nossa qualidade. Isso é o que nos faz ter certeza que a dedicação e empenho de toda nossa equipe fazem diferença em cada detalhe, em cada resultado”, afirma. Ela esteve em Mendoza acompanhada do marido e sócio, Jacson Campomizzi, para receber a premiação.

Solo e clima do Sul de Minas impulsionam olivais

Produzido na Fazenda Cruzziléia, os olivais do azeite Carcará estão localizados na divisa dos municípios de Cruzília e Aiuruoca, no Sul de Minas Gerais, a cerca de 1,2 mil metros de altitude. Na propriedade, a assistência técnica especializada e o manejo dos olivais são de responsabilidade do engenheiro agrônomo Hiran Villas Boas.

“O clima na região é bastante favorável pelo fato de se alcançar o acúmulo das horas de frio necessárias para que as plantas consigam finalizar seu ciclo de produção. Além desse fator, o solo tem presença de cascalho junto à terra, o que garante boa drenagem, fator crucial para o bom desenvolvimento das raízes”, detalha o especialista.

De experiência na Espanha a 1,5 mil oliveiras em Minas

Segundo a empresa, o primeiro pomar foi plantado em 2017 e ampliado ao longo dos anos, de forma despretensiosa como parte de um projeto familiar. Os proprietários foram motivados pela convicção de que cada área da fazenda deveria ser aproveitada de acordo com sua vocação agrícola.

O interesse pelo azeite de oliva teve início durante o período em que Thaís e o marido viveram em Andaluzia, na Espanha. “De volta ao Brasil, identificamos que o solo drenado e o clima da Serra da Mantiqueira apresentavam características favoráveis ao cultivo das oliveiras, onde iniciamos um projeto paciente que hoje nos alegra tanto pelo alcance e reconhecimento internacional”, diz a produtora rural.

As mudas vieram de Maria da Fé, município mineiro, também no Sul de Minas, referência nacional em pesquisas sobre olivicultura, onde a Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) desenvolve estudos sobre a cultura desde a década de 1970.

Atualmente, os olivais somam aproximadamente 1,5 mil oliveiras. Na primeira colheita experimental, realizada em 2024, foram produzidos apenas 20 litros de azeite. Dois anos depois, cerca de 500 árvores entraram em produção, resultando em cerca de 900 litros de azeite extravirgem, rendimento considerado expressivo para uma cultura ainda jovem na região.

Primeira safra já coleciona prêmios no exterior

Em abril deste ano, antes mesmo de ir para a prateleira, o azeite já havia conquistado medalha de ouro no Anatolian International Olive Oil Competition, na Turquia, competição que reuniu 521 marcas de mais de 25 países em degustação às cegas.

Dois meses depois, em junho, a primeira safra comercial do produto também foi reconhecida na Evo Iooc 2026, na Itália, com o troféu Special Award Raùl C. Castellani – Best of South America, concedido ao melhor azeite extravirgem sul-americano, entre monovarietais, blends e orgânicos. No mesmo concurso, o Azeite Carcará também obteve a medalha de ouro e esteve entre os cinco finalistas da categoria de melhor Blend do Hemisfério Sul.

O blend premiado em ambas competições reúne as quatro variedades de azeitonas cultivadas nos olivais da propriedade: Arbequina, Arbosana, Koroneiki e Grappolo.

Sobre o autor

Daniel de Andrade

Repórter do Diário do Comércio. Graduado em Jornalismo pela PUC Minas, com experiência em comunicação corporativa. 2º lugar no prêmio Adep-MG de jornalismo 2026

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