Governo destacou ainda a queda já verificada na arroba do boi, que agora deve refletir na gôndola - Crédito: Paulo Whitaker/Reuters

Brasília – O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou ontem que a alta do preço da carne no Brasil se deve a uma entressafra e disse que isso vai ser revertido. “Tô levando pancada sobre o preço da carne. Estamos em uma entressafra, vai diminuir esse preço, pessoal está investindo cada vez mais. Mas não é fácil você ser agricultor também”, disse em transmissão ao vivo pelas redes sociais.

A fala foi feita durante uma apresentação do Ministério da Agricultura no Palácio do Planalto em que estavam presentes Bolsonaro e os ministros Tereza Cristina (Agricultura), Onyx Lorenzoni (Casa Civil) e Marcos Pontes (Ciência e Tecnologia).

Intitulada “A sustentabilidade do agronegócio brasileiro”, a fala foi conduzida por uma assessora da ministra da Agricultura, Mariane Crespolini, que é diretora do Departamento de Produção Sustentável e Irrigação da Secretaria de Inovação, Desenvolvimento Rural e Irrigação da pasta.

“Alguns falam em redes sociais que tem que ter um tabelamento. Na Venezuela é tudo tabelado. Vai lá comprar carne”, disse, acrescentando que não vai baixar o preço do produto “na canetada”.

Tereza Cristina também minimizou a alta da carne, dizendo ser algo temporário. “Presidente, é temporário, o senhor pode garantir à população que nós temos o maior rebanho comercial do mundo. Isso foi um período, uma seca, a entressafra do boi, mas a arroba já baixou para o produtor e agora precisa abaixar na gôndola”, afirmou.

Mudanças climáticas – Durante a apresentação, Mariane disse, sem dar detalhes, que existem pesquisadores sérios que negam que exista alteração climática. Ela culpou a imprensa por fazer “barulho” sobre o tema.

“Mudanças climáticas existem? Acho que a gente está assim, em uma discussão radinho. Tem muito pesquisador bom, de credibilidade, que mostra que não existe. Mas o barulho que a opinião pública e alguns jornalistas estão fazendo é quase um Rock in Rio. Aí eu coloquei uma reflexão: se elas existem ou não, presidente, nós temos resultados para quem acredita. Então, o Brasil tem a solução para isso”, disse.

Ainda durante a cerimônia, Tereza Cristina informou que hoje será editada uma medida provisória que trata de regulação fundiária.

“Na Amazônia, temos pequenos produtores, nós temos 600 mil produtores, pequenos agricultores, que precisamos colocar no mesmo patamar dessa agricultura produtiva que temos já em parte do Brasil. Esse é o seu desafio. Nós, amanhã (hoje), vamos lançar uma medida provisória de regularização fundiária para montar a base para esse desenvolvimento. Sem isso, não conseguiremos chegar nem na Amazônia, nem no Centro-Oeste, nem no Nordeste nessa tecnologia e nessa agricultura sustentável”, afirmou.

O texto deve ser assinado por Bolsonaro durante cerimônia no Palácio do Planalto. (Folhapress)

Rebanho de suínos registra recuperação na China

Pequim – O rebanho de suínos da China cresceu 2% em novembro ante o mês anterior, disse o governo do país ontem, na primeira alta em um ano. Já o número de porcas aumentou em 4% em outubro, informou o Ministério da Agricultura e Assuntos Rurais em seu site, no segundo mês consecutivo de aumento no estoque de rebanhos reprodutores.

O dado tem sido acompanhado de perto pelo mercado, uma vez que a China tem enfrentado surtos de peste suína africana que têm devastado seu rebanho de suínos, que já foi reduzido em 41% na comparação anual até outubro.

Embora alguns analistas ainda vejam os números oficiais como conservadores, os dados do governo equivalem a uma redução de 175 milhões de porcos no rebanho do país.

O banco holandês Rabobank estimou que o rebanho será reduzido em 55% até o final do ano, enquanto outros apontam para um encolhimento ainda maior.

Os preços da carne suína saltaram para níveis recorde na China, pressionando a inflação ao consumidor no país ao maior nível em quase oito anos e colocando Pequim sob crescente pressão para assegurar a oferta antes de importantes feriados próximos.

O diretor do Departamento de Pecuária e Veterinária do Ministério da Agricultura, Yang Zhenhai, afirmou que a oferta estará apertada antes do próximo feriado do Ano Novo Lunar, no final de janeiro, depois que o suprimento de suínos caiu drasticamente entre junho e agosto deste ano.

No entanto, o aumento das importações e a liberação de carne de porco congelada das reservas estatais e de armazéns comerciais devem aumentar a oferta, enquanto os altos preços reduzirão o consumo.

“A situação de oferta e demanda em geral pode ficar melhor que o esperado”, afirmou Yang em comunicado. (Reuters)