Entre as novidades para a campanha deste ano em todo o Brasil está a redução da dose da vacina contra a doença de um volume de 5ml para 2ml - Créditos: Calil Neto

A vacinação contra a febre aftosa em Minas Gerais terá início amanhã (1º). A campanha é considerada fundamental para que o Estado siga livre da doença com vacinação e possa, em 2021, suspender a aplicação. A conquista do status de livre de aftosa sem vacina é considerada um grande avanço para o setor pecuário e um momento muito esperado pelos produtores mineiros. Além de reduzir os custos para o pecuarista e mostrar um sistema sanitário eficaz, a suspensão da vacina contribui para a expansão do mercado de atuação.

De acordo com o superintendente técnico da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg), Altino Rodrigues Neto, Minas Gerais deverá suspender a vacinação em 2021. Até lá, os pecuaristas devem aderir às campanhas. A vacinação vai até 31 de maio. Devem ser imunizados bovinos e bubalinos de todas as idades.

“A vacina contra a aftosa é muito importante, mas já temos um horizonte para o fim das campanhas até 2021. Por isso, estas cinco últimas etapas são fundamentais para que o pecuarista vacine todos os animais e acerte o cadastro junto ao Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA). Com isso, teremos um rebanho bovino conhecido, o que é fundamental para se fazer uma vigilância primária e efetiva caso seja necessário. É muito importante que o produtor tenha essa consciência. O pecuarista está próximo de ter um benefício, menos um custo, menos um manejo e mais oportunidades de mercado”, explicou.

Ainda segundo Altino Neto, existe uma grande preocupação em fazer todo o processo de forma correta, para evitar que, no futuro, sejamos surpreendidos com o retorno da febre aftosa.

Em Minas Gerais, uma das formas de manter o controle no caso de ressurgimento da doença foi a criação do fundo privado Fundo de Defesa Sanitária do Estado de Minas Gerais (Fundesa). Com recursos financeiros próprios, o fundo é uma garantia importante de agilidade em episódios sanitários.

Para que a vacina seja retirada com segurança, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) está estudando a criação de um fundo nacional de defesa. O objetivo é proteger as fronteiras e criar um banco de vacinas.

“É importante ressaltar que o Mapa vai fazer um estudo para a criação do fundo nacional de defesa, que vai ajudar os fundos estaduais em casos de emergência. Ficaria a cargo do fundo federal, por exemplo, a manutenção de um estoque mínimo de vacinas para casos de emergência. A vacina tem validade e o estoque precisa ser constantemente trocado em função da validade”, explicou.

Dose reduzida – De acordo com informações do Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), a estimativa é de que sejam vacinados cerca de 22 milhões de animais em Minas Gerais. Este ano, houve mudança na vacina contra a aftosa e a dose será de 2 ml por animal; antes eram 5 ml. Segundo Altino, foi retirado o vírus C da vacina. Antes, ela continha três vírus: A, O e C.

“Agora, a vacina é bivalente, com vírus A e O e com essa característica de 2 ml. O produtor precisa ficar atento, diminuiu muito o volume e é preciso estar com os equipamentos bem calibrados para fazer a vacinação. Nesta etapa, os animais terão reações muito menores tanto em relação à febre, que afetava inclusive a produção de leite, quanto aos abscessos. Isso porque retiraram também um componente que era conservante e dava volume à vacina e provocava as reações”, explicou o representante da Faemg.

A vacinação é obrigatória e o produtor que não imunizar o rebanho estará sujeito à multa de 25 Unidades Fiscais do Estado de Minas Gerais (Ufemgs) por animal, o equivalente a R$ 89,83 por cabeça.

A imunização do rebanho é fundamental para o Estado manter o reconhecimento internacional de zona livre com vacinação. Esse cenário favorece o agronegócio, pois estimula o acesso a mercados internacionais.