No País, tanto o uso de maquinários quanto o de tecnologias como irrigação e plantio direto cresceram nos últimos 11 anos - Crédito: Valter Campanato/Agência Brasil

Rio de Janeiro/São Paulo – O uso de tecnologia cresceu no campo, nos últimos 11 anos, o que levou a um aumento significativo de produtividade em diversos setores agropecuários. É o que mostra o Censo Agro, divulgado na sexta-feira (25), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com dados de 2017.

De 2006, quando foi feito o Censo Agro anterior, até 2017, cresceu o uso tanto de maquinários quanto o de tecnologias como irrigação e plantio direto. A evolução das técnicas e o uso de implementos agrícolas ajudaram a aumentar a produtividade agropecuária do País.

Os agricultores passaram a produzir, em média, quase 3.358 quilos de soja por hectare, quase 30% a mais que os 2.583 kg/ha de 11 anos antes. A produção total da soja cresceu 123%, para 103 milhões de toneladas, enquanto a área colhida aumentou em 72%, para 31 milhões de hectares.

No caso do milho, a produtividade cresceu 56%, para 5.582 kg/ha. Em 2006, eram 3.572 kg/ha. Como comparação, há três décadas, a produtividade rondava os 1.500 kg/ha.

No caso do arroz, o salto foi de 60%, para 6.441 kg/ha, contra 4.010 kg/ha na pesquisa anterior, a produtividade do feijão cresceu 46% e a do algodão, 30%. A cana teve um leve recuo, de 71,74 toneladas/ha para quase 70 t/ha.

Também melhoraram os resultados da pecuária leiteira, de 1.618 litros anuais por vaca, em 2006, para 2.621 litros em 2017. A produção cresceu mesmo com o recuo no total de vacas ordenhadas, de 12,7 milhões para 11,5 milhões.

“Dentro do contexto da série histórica, os números (da produtividade) são bem relevantes”, afirmou Marcelo Souza de Oliveira, analista do IBGE, em entrevista coletiva na sexta, na sede do IBGE, no Rio de Janeiro.

Apesar de terem melhorado a produtividade, houve queda no número de propriedades que declararam ter recebido orientação técnica: de 22% para 20,1% do total de pesquisados, ou 120 mil estabelecimentos a menos.

Maquinários e irrigação – Nesses 11 anos, o número de tratores utilizados nas propriedades rurais aumentou em quase 50%. Se em 2006 eram cerca de 820 mil, onze anos depois a quantidade superou 1,2 milhão. Um mesmo trator pode ser usado com diferentes tipos de implementos, como arados e pulverizadores.

O total de produtores que utilizavam este tipo de máquina aumentou em mais de 200 mil entre um censo e outro, para 734 mil, segundo dados do IBGE.

Também cresceram o número de semeadeiras/plantadeiras (12%, para 358 mil), adubadeiras/distribuidoras de calcário (71%, para 253 mil) e colheitadeiras (48%, para 172 mil).

Ainda de acordo com os dados do censo, 553.382 produtores declararam usar a técnica do plantio direto, alta de 9% sobre a pesquisa anterior. A técnica desenvolvida no Brasil possibilitou a expansão agrícola no País a partir dos anos 1990 e já vem sendo usada há anos.

Já o total de estabelecimentos com irrigação superaram 500 mil, aproximadamente 50% a mais do que no último censo. A irrigação permite o fornecimento controlado de água em regiões e períodos de seca, possibilitando a plantação em locais ou períodos em que isso não era possível anteriormente. A área irrigada saltou de 4,5 milhões de hectares para 6,7 milhões.

De acordo com o IBGE, aumentou em 158% o número de estabelecimentos com telefone, indo de 1,2 milhão para 3,1 milhões. O acesso à internet disparou 1.900%. Se apenas 75 mil estabelecimentos tinham internet em 2006, 11 anos depois 1,43 milhão de produtores declararam acesso à rede. (Folhapress)

Mão de obra tem menor média da história

Com mais técnicas e maquinários, o campo passou a ocupar menos funcionários – a mão de obra no campo vem recuando desde 1995. Em 2017, havia 15,1 milhões de trabalhadores nos estabelecimentos rurais, uma média de 2,97 por propriedade, a menor da história do censo.

Há 34 anos, eram 23,395 milhões de pessoas ocupadas, ou 4,03 por estabelecimento. “Registramos a menor média de pessoal ocupado desde sempre, e em pessoal absoluto a menor média desde sempre”, disse o analista do IBGE Marcelo Souza de Oliveira.

O IBGE, no entanto, descarta que os dados do censo indiquem êxodo rural, que segundo o instituto só pode ser medido com pesquisas que investiguem o local de residência da população, independentemente da ocupação das pessoas. O IBGE realizará o censo populacional em 2020.

Apesar de descartar êxodo, o censo indica que os jovens estão deixando de se interessar pelo campo. Em 2006, 39,4% dos proprietários rurais tinham menos de 45 anos. Essa proporção caiu quase 30% em 2017.

“A contribuição dos mais jovens diminuiu. Isso acontece até a faixa de 35, 45 anos, com aumento da participação dos mais idosos”, apontou Oliveira.

A participação de mulheres entre os produtores passou de 12,7% para 18,7%, e duas de cada dez propriedades são dirigidas pelo casal – é a primeira vez que o IBGE pesquisa a direção compartilhada do estabelecimento.

“Há 1.763.094 mulheres na direção e codireção de estabelecimentos agropecuários”, informou o órgão. “A análise mais razoável é que as mulheres já estavam no campo, mas estão assumindo a direção dos estabelecimentos, e antes tinham papel mais de coadjuvantes”, apontou o analista Marcelo Souza de Oliveira.

Ainda segundo o IBGE, 23% dos proprietários não sabem ler nem escrever. (Folhapress)

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