Crédito: Paulo Whitaker/Reuters

São Paulo – A colheita de café dos cooperados da Cooxupé “caminha bem”, dentro dos cuidados necessários para evitar contaminações por Covid-19, enquanto o forte ritmo de vendas antecipadas a bons preços, impulsionados pelo câmbio, dá tranquilidade a produtores, disse o presidente da maior cooperativa de cafeicultores do Brasil, Carlos Augusto Melo, ontem.

Segundo ele, os cuidados com o coronavírus não deixam de trazer alguns transtornos de ordem de mobilidade e logística, mas de forma geral não há problemas.

A colheita de café dos cooperados da Cooxupé havia alcançado 22,88% da área até 19 de junho, ante 43,5% no mesmo período de 2019 e 22,93% na mesma época de 2018, de acordo com boletim da Cooxupé ontem.

Os dados, embora mostrem um atraso ante 2019, quando a safra de arábica foi de baixa produtividade, pela bianualidade da cultura, indicam que o ritmo da colheita está em linha em relação ao último ano de alta (2018), como é a temporada 2020, de grande produção.

A produção de café do Brasil em 2020 deverá atingir 57,3 milhões de sacas de 60 kg, alta de 14,7% na comparação com o ano anterior, quando a variedade do arábica teve seu ano de baixa produtividade, segundo estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgada no início do mês.

Durante videoconferência promovida pelo Itaú BBA, Melo afirmou que a cooperativa está alerta com eventuais atrasos na colheita por impacto de medidas contra o coronavírus.

Ele explicou que alguns médios e grandes produtores da cooperativa, que atua em São Paulo e Minas Gerais, precisam de mão de obra de outras regiões do País, que pode não estar disponível no momento necessário da colheita devido à pandemia. Atrasos poderiam impactar a qualidade da produção.

Mas ele ponderou que, dentro do quadro da cooperativa, 86% são produtores pequenos, que não necessitam de mão de obra externa, pois realizam o trabalho com a própria família. (Reuters)