Crédito: Amanda Perobelli/Reuters

O clima favorável contribuiu para o bom desempenho da colheita de café na Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé (Cooxupé), no Sul de Minas Gerais. Com 98% do café já colhido, o volume a ser recebido pela cooperativa ficará em torno de 10% maior que o projetado inicialmente, somando cerca de 7,5 milhões de sacas entregues pelos cooperados e adquiridas de terceiros. Em função do câmbio, os preços recebidos pela negociação do café tem sido satisfatórios.

De acordo com presidente da Cooxupé, Carlos Augusto Rodrigues de Melo, o café, assim como o agronegócio brasileiro, foi privilegiado com a pandemia.

“Nós tivemos uma colheita maior que a esperada e de alta qualidade de café. No período de colheita, de maio até agora, nós não tivemos chuvas nas áreas em que a cooperativa atua, que é no Cerrado e Sul de Minas e Mogiana, São Paulo. Isso propiciou uma quantidade maior, por conta do melhor aproveitamento, e qualidade superior do café. Além disso, tivemos tempo hábil para colher o café. O prolongamento da colheita supriu a demanda da mão de obra que ficou menor por conta da pandemia. Apesar de trabalharmos com menos gente, conseguimos fazer toda a colheita”.

Outro ponto favorável foi a manutenção dos portos em funcionamento. De acordo com Melo, os embarques de café fluíram normalmente.

Em relação às negociações com clientes, Melo explica que não houve perdas nas vendas de cafés comuns e que a demanda continua aquecida. No mercado dos cafés especiais, devido ao fechamento de bares, restaurantes, hotéis e cafeterias, a comercialização foi impactada, porém, com a reabertura das atividades no Brasil e no mundo, já está havendo uma recuperação.

“As cafeterias e demais setores consumidores de cafés especiais já estão retomando as atividades. Com isso, vemos um início de recuperação, mas ainda muito lenta”. 

Preços – Com o mercado ainda demandando cafés, os preços, segundo Melo estão bons, mas não tão quanto esperado. Segundo ele, a remuneração do cafeicultor só está acontecendo devido à desvalorização do real frente ao dólar.

“Os preços estão bons, mas, não muito. O que está elevando os valores do café é o câmbio. O café está sendo negociado na faixa de US$ 120 a US$ 130 por libra peso, não é preço muito alto. Já tivemos preços muito melhores. Mas, em função do câmbio, fomos privilegiados. Se a cotação do dólar ao invés de estar na faixa de R$ 5,30 – o que dá, em média, R$ 600 por saca – estivesse em R$ 4,00 ou R$ 4,50, os preços não estariam em patamares rentáveis”.

Com o retorno financeiro alcançado, Melo explica que os produtores estão capitalizados e conseguindo quitar passivos de safras anteriores.

Falta de chuvas preocupa os produtores

Se por um lado o clima seco favoreceu a colheita e a qualidade do café na safra 2020, por outro, a falta de chuvas está deixando os cafezais mais debilitados, o que poderá reduzir significativamente a produção em 2021.

“A próxima safra será menor. O estado em que as lavouras estão fincando é pior do que imaginávamos. Isso pela quantidade elevada que colhemos em 2020 e pelo clima, que até então, está muito seco. Podemos adiantar que teremos muito problemas de colheita no próximo ciclo”, explicou o presidente da Cooxupé, Carlos Augusto Rodrigues de Melo.

Outro desafio são os custos da próxima temporada. Ao mesmo tempo em que a questão cambial favorece os valores recebidos pelos cafeicultores, ela aumenta os custos dos insumos.

“Nossos insumos, de ordem geral, estão apresentando alta, principalmente, os fertilizantes e defensivos. Para um melhor desempenho, o cafeicultor deve ter uma gestão dos negócios bastante rígida e profissionalizada porque não sabemos como será o mercado”.

Com a menor oferta de mão de obra, consequência da pandemia e do pagamento do auxílio emergencial feito pelo governo federal, os custos com os trabalhadores também estão maiores.